Sim, o lavajatismo quer o poder. Para destruir o Brasil, faltou dizer

Insuspeito de simpatias ideológicas pelo petismo, Demétrio Magnoli, na Folha de hoje, faz excelente análise daquilo que cada vez mais pessoas percebem, embora há tempos seja óbvio: que 0 “Governo Bolsonaro é só uma escala técnica na rota do Partido dos Procuradores”, uma organização ” que alastrou suas bases pelo Ministério Público, extravasou para setores da Polícia Federal e da Receita e se disseminou entre militares da reserva e políticos (tanto governistas como de oposição).

Hoje, o projeto de poder tem seu próprio candidato presidencial, que atende pelo nome de Sergio Moro, e seu veículo oficioso de mídia, que é o site censurado pelo ato ilegal do STF.

Magnoli acerta em cheio no diagnóstico, mas erra na etiologia deste mal, ao situar  – possívelmente por suas idiossincrasias com o PT – o surgimento de seus “sinais iniciais emergiram em maio de 2017, na “operação Joesley Batista” e no artigo de Rodrigo Janot que denunciava “o estado de putrefação de nosso sistema de representação política”(…) enunciava, então, nada menos que um objetivo estranho à missão judicial da Procuradoria: limpar a República, substituindo a elite política tradicional por uma outra, pura e casta”.

É evidente que o uso político de investigações – sobretudo pelo vazamento seletivo e pela transformação de acusações em provas com alto valor de barganha – vem de antes, muito antes e teve seu primeiro clímax na capa da Veja do “Eles sabiam de tudo” lançada como panfleto eleitoral na véspera da eleição presidencial de 2014.

Não funcionou ali, mas funcionou a seguir, abrindo caminho para que a escória da política, como cupins, transformasse em estrutura carcomida e frágil o Governo, ajudada pela errônea – embora, talvez, inevitável – atitude de Dilma Rousseff de achar que as ideias econômica neoliberais, se postas devidamente na coleira, sossegariam a matilha.

A questão, infelizmente, é que grande parte da direita brasileira – e mais ainda porque seus núcleos de elite precisam descer ao nível da selvageria política para obter base social – já não tem sequer um projeto de desenvolvimento associado, “liberal com tinturas sociais”  coo sugeria o pensamento de Norberto Bobbio, que Fernando Henrique Cardoso gostava de citar.

Só o ódio insano é capaz de produzir adesão à versão atual do neocolonialismo que, se quiséssemos fazer paralelos historicos, teríamos de situa no Brasil colonial de antes da vinda da família real: uma subnobreza cuja vassalagem e dependência da metrópole interditava qualquer ação de desenvolimento do que viria a ser esta nação.

E quem são os “ingleses” beneficiários disto é ocioso dizer.

Aí está a chave para que se possa compreender, sem ilusões, o que significa a aspiração “lavajatista” ao poder absoluto: o desejo de destruição do estado nacional cujas bases foram lançadas na  Revolução de 30. Não é apenas no (re)tornar a questão social a “um caso de polícia”. É tornar a política uma dança formal num baile onde só podem estar os convidados desta risível corte.

Aos demais, “cortem-lhe as cabeças”.

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on whatsapp
WhatsApp
Share on email
Email

13 respostas

  1. O que mais me impressiona nesse cenário é que o pensamento do eleitor rançoso – contaminado inequivocamente pela franca antipatia martelada pelos meios de comunicação, que até pouco tempo atrás eram as únicas opções – é capaz de dar a volta por quinze quarteirões para evitar o que seria o caminho mais óbvio. Enxergam ainda como ameaça a única força política que sobrevive com lastro, que acaba com la e começa com lu.

  2. A bem da verdade a destruição do país começou com o impedimento ilegal da presidenta Dilma, que não foi capaz de preservar o mandato para o qual havia sido eleita pela maioria dos brasileiros. Esta destruição foi iniciada pela criação da ominosa organização criminosa, a Farsa a Jato, comandada por fundamentalistas da destruição a serviço do neofascismo capitalista brasileiro, agora acelerada pela condução ao Planalto de uma matilha por meio de “eleições” escandalosamente fraudadas pelo afastamento ilegal do candidato favorito e assegurada pelo bombardeio dos usuários mais incautos e manipuláveis da mídia digital. Neste processo de destruição atuam praticamente todas as instituições indevidamente consideradas “republicanas” que puseram a pique o Estado Democrático de Direito, vigente até a gestão de Dilma.

  3. Não concordo com a cronologia. O chamado julgamento do mensalão, com Joaquim Barbosa invertendo a pauta, juntando quem deveria ser processado na primeira instância a quem, por lei, deveria ser julgado no STF, para caracterizar o que ele chamou de “os 40 ladrões”, foi o pontapé inicial, a meu ver.
    Ver juízes discutindo a “dosimetria “ da pena e não respeitando seu papel de defensor da Construção desmoralizou o Supremo e toda a justiça.
    Aquilo foi um espetáculo montado para tirar o PT do poder. Se não fosse Lula ter reagido, nossa democracia teria acabado ali.
    Não é por outro motivo que o PSB, que apoiou o golpe de 2016, acolheu Joaquim Barbosa.

    1. “Os Quarenta Ladrões” não foi invenção do Barbosa, foi uma ideia do procurador Antonio Fernando de Souza, o inacreditável primeiro autor da denúncia que gerou o processo do mensalão, que adotou este título para dar uma aparência mitológica a seu inquérito. Há quem acredite que ele teria mesmo forçado a barra para que o número de indiciados fosse este. Ele aí abria uma vaga de Ali Babá para o Lula, que no entanto não teve coragem de nomear. Ele teria sido o inspirador do inquérito sigiloso 2474 que correu paralelo ao inquérito 2425, e que ficou oculto, sem que os acusados a ele pudessem ter acesso, até que o 2425 fosse finalmente aceito pelo STF e transformado na Ação Penal 470, a ação do mensalão. O inquérito 2474 esconderia muita coisa relativa ao inquérito 2425, inclusive um laudo da Polícia Federal sobre as contas da Visanet, laudo que inocentaria Henrique Pizzolato, o diretor de marketing do Banco do Brasil que teve de fugir para a Itália, e por tabela inocentaria também o próprio Partido dos Trabalhadores. A justiça italiana, que naquela época ainda acreditava na “justiça” da Lavajato, deu a extradição do Pizzolato acreditando que estava fazendo uma grande coisa, para que ele engrossasse o time dos prisioneiros políticos do Brasil. Antonio Fernando logo que pôde pulou fora do MP e foi ser advogado do banqueiro Daniel Dantas, cujo nome estaria no inquérito mas não esteve.

      1. É verdade que a autoria foi do procurador, mas contou com o apoio incondicional de Joaquim Barbosa.

  4. Essa matéria é curta e grossa, porque vai na medula do sistema, considerando, sobretudo, nas entrelinha, que houve um ovo d serpente, e que abriu em tempo hábil para retirar Dilma e pôr no seu lugar uma confusão de gente e coisas que agora, sem mais confusão, nos dá a medida do que essa serpente, que nos rodeia, ainda fará se ninguém lhe abater antes disso.
    Moro nada seria, a não ser o que seu cargo de juiz lhe reservara, se por trás não estivesse uma emissora de televisão com mãos estendidas em todo o Território Nacional, a encher o hommi de vaidades e poderes, independente dele ser analfabeto, insensato, anti-patriota, e justiceiro quando o assunto fosse PT e Lula.
    A mesa está posta. Bolsonaro é uma peça que pode ser substituída a qualquer momento, até pelo que há pouco declarou, sobre não ter gosto pelo que faz, porque sua praia é militarismo, é matar, entre outras.
    Os militares não querem nada de protagonismos. Que venham Moro e asseclas para o poder. Eles os ajudarão no que for necessário.

  5. Processos anacrônicos não resistem à realidade. Esse modelo que a nossa direita tenta impor através da eleição do Bolsonaro não teria sucesso em qualquer outra situação. Sua única chance era essa e tudo indica , felizmente, que irá afundar com esse governo.
    É doloroso viver esses desmonte imposto por essa corja que ganhou as eleições trapaceando porém serve para desnudar a canalha e demonstrar definitivamente que o BRASIL não resiste a esse modelo de capitalismo canibal.
    As chamadas elites, leia-se a “turma da grana” já se deu conta que só tem a perder com esse governo que tá aí….
    Terão que fazer um acordo com o PT/PSOL e o Lula pra recompor o país.
    O lavajatismo foi, sim já está nos seus estertores, uma tentativa de cooptar as castas privilégiadas do funcionalismo público que fracassou por não ter como atender a demanda de todos os seus segmentos. O lavajatismo, como todo processo histórico que surge na base de um segmento social, ou guilhotina rapidamente a sua cúpula ou será estraçalhado…..É isso que assistiremos daqui prá frente.

  6. Eis o dilema de quem sempre se submeteu ao papel de pena vendida: como denunciar claramente a barbárie galopante sem beneficiar aquele que meu pagador incumbiu-me de eliminar? Né não?

  7. Caro Fernando:
    Você disse:
    “Aí está a chave para que se possa compreender, sem ilusões, o que significa a aspiração “lavajatista” ao poder absoluto: o desejo de destruição do estado nacional cujas bases foram lançadas na Revolução de 30. Não é apenas no (re)tornar a questão social a “um caso de polícia”. É tornar a política uma dança formal num baile onde só podem estar os convidados desta risível corte.”
    Essa direita raivosa, entreguista, corrupta e traidora não aceita a democracia como uma verdadeira expressão de liberdade e desejo da população brasileira; por isso vive a dar golpes de estado, destruindo as instituições, entregando o país ao capital estrangeiro e impedindo o povo de viver melhor em um pais de imensas riquezas naturais e de capital humano.
    Essa é a razão por que vivem a esfregar a bunda e vendendo o nosso pais aos políticos e capitalistas americanos, principalmente. Cafetão rima com capitão que rima com Cipião. Cipião é aquele senador romano ” que atreveu-se a formular em voz alta um desejo que era secretamente partilhado por muitos dos seus pares. Fez-se famoso porque terminava todas as suas intervenções no Senado, independente do tema tratado, com as mesmas palavras” …praeterea censeo Carthaginem esse delendam”. ( sou tambem de opinião que devemos destruir Cartago).No ano 147 a.C., trinta e seis anos depois da morte de Aníbal, os romanos atacaram a cidade e a arrasaram. Cartago ardeu durante dezessete dias. As fumegantes ruinas foram consagradas aos deuses infernais, para que jamais fossem habitadas novamente pelo homem. Finalmente, espalharam sal nos seus campos, condenando-os ao deserto.
    ERGO CARTAHAGO DELETA EST. Considero ainda que Cartago deve ser destruida.
    Esse tambem é o pensamento e as ações dessa pseudo elite do Brasil e desses caras que sonham com a sua destruição.
    Coincidência ou não o número – 17 – tempo que durou o incêndio de Cartago é o mesmo de um certo político brasileiro e de um certo partido político.

  8. A lavajato cumpriu a missão dada pelas elites internacionais e seus associados locais. E seus integrantes, todos eles cooptados pelos EUA, acham que continuarão com o mesmo poder que detinham quando se tratava de derrubar o PT, prender Lula e destruir os setores estratégicos da economia. Enganam-se. Há um núcleo mais estratégico das elites, que envolve os oficiais militares, quase todos entreguistas, grandes empresários ligados ao capital internacional e parcelas da justiça, do ministério público e da PF, e os donos da grande mídia, sobretudo a Globo. Além de alguns caciques políticos da extrema direita. Esse núcleo duro é que dá as cartas. A lavajato é uma força de operação daquilo que interessa a esse núcleo, que está associado ao imperialismo. Quando acharem conveniente, os integrantes do núcleo duro esmagarão os membros da lavajato, um a um. Mas, como há uma coincidência ideológica e de interesses entre esses grupos, pode ser que sejam poupados. Ou não. Por enquanto, o que resta de democracia continua sendo destruída e a população continua à margem das decisões.

  9. O abuso de função pública e o sequestro de instituições são a pior de todas as corrupções. Eis o que fizeram os canalhas fantasiados de heróis da moralidade.
    Os membros do STF não pecaram apenas por omissão. Em várias situações, foram protagonistas: quando impediram ilegalmente a nomeação de Lula, quando decidiram contra o texto da Constituição para manter Lula preso, quando adiam o julgamento que deveria restabelecer o princípio da presunção de inocência (“suspenso” pelos donos da Constituição desde o ano passado), quando permitiram toda sorte de ilegalidades criminosas (de quebra de sigilo até sequestro). Não, não são Pilatos! São Judas Iscariotes a trair a democracia. E como tal devem ser ETERNAMENTE CONDENADOS.

  10. Se os nefastos integrantes da Lava$Jato chegarem ao poder de fato, só vai restar uma saída: o aeroporto do Galeão.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.