São Paulo anuncia vacina dia 25/1 e pressiona Bolsonaro

É claro que falta o mais importante: verificar a capacidade da Coronavac e obter a aprovação da Anvisa.

Mas o anúncio da vacinação em São Paulo a partir de 25 de janeiro e o cronograma que prevê que todos os grupos considerados prioritários recebam a primeira dose da vacina até o dia 1° de março é o exemplo do que deveria estar sendo feito pelo Governo Federal.

E que não está sendo feito, porque não se montou, porque está claro que vacinar não é uma prioridade para o governo Bolsonaro e que tudo está retido em nome do “pensamento oficial” de que a “gripezinha” não é uma tragédia.

É completamente equivocada – a não dizer suspeita – a teimosia do governo central de investir em uma única vacina e. assim mesmo, sem ter a garantia de ampla liberdade de absorção da tecnologia e de produção local de toda a cadeia de insumos necessários a ela.

A dimensão populacional do país, suas diversidade e o fato de termos altos índices de contaminação – sem eles, fica-se sem condições de fazer rapidamente estudos de eficácia: a China, por exemplo, tem dificuldades de fazê-los internamente porque a contaminação lá, atualmente, é muito baixa.

O sanitarista Eduardo Costa, ex-diretor do Instituto de Tecnologia em Fármacos da Fiocruz, em artigo que disponibilizo aqui, afirma que “a melhor estratégia para um país como o Brasil que tem ainda uma incidência alta da doença teria sido organizar estudos comparativos entre as vacinas disponíveis concomitantes. A comparabilidade seria melhor e o grupo placebo seria menor”. Ou seja, um mesmo grupo-controle – o que toma placebo em lugar da vacina ativa – serviria a comparação de eficácia de vários tipos de vacina, reduzindo tempo e custo dos experimentos em curso e dando ao país a possibilidade de comparar e eficácia de cada fórmula.

E certamente a Coronavac seria uma delas, dando total confiabilidade aos resultados dos testes.

Repetimos, porém, o erro do início da pandemia, adotando uma estratégia desastrosa em momento de grande demanda, fazendo com que gastássemos muito para obter poucos e demorados respiradores e equipamentos de proteção. algo tecnologicamente muitíssimo mais simples e disponível em toda a parte.

Mesmo esquecendo disso, deixamos de aproveitar a escala de produção que o tamanho de nosso país permite , sua possibilidade de ser um centro continental de produção de imunizantes e a abundância de pessoal técnico científico para negociar a posição de parceiro estratégico que poderíamos ter e preferimos apenas “sair às compras”, para ver o que conseguiríamos no “supermercado das vacinas” que, como era fácil de adivinhar, está com as prateleiras vazias pela demanda e dominado pelos países que podem pagar quanto se queira cobrar para ter doses em abundância garantidas, esperando apenas os ensaios clínicos.

Esse é o preço de termos um governo de homúnculos, não apenas sem visão de Estado, sem noção da grandeza do Brasil que não sejam seus gritos religiosos-militares e desprovidos de visão de nossas possibilidades como um dos maiores países do mundo em conhecimentos de saúde pública.

Foram assim e são assim: afinal, quem de nós não está imaginando agora o inimaginável, que a Anvisa trabalhe politicamente para barrar “a vacina da China e do Doria”.

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