Um império doente

Daqui a uma semana, no Domingo de Páscoa, os Estados Unidos terão meio milhão de pessoas infectadas pelo Covid-19 e, provavelmente, terão ultrapassado a Itália como o país com maior número de mortos.

Uma tragédia sem precedentes para a nação mais rica do mundo, cujo presidente, pouco mais de um mês atrás, dizia que esta epidemia não matava mais que as gripes comuns.

Sim, toda a coincidência não é mera semelhança e pense nisso ao ler.

O Departamento de Defesa enviou uma “equipe mortuária” militar para Nova York, tantos são os corpos que, todo dia, precisam seguir seu destino solitário, sem mesmo um adeus de sua família.

Mesmo avançando com suas garras econômicas sobre todo o material médico disponível no mundo, suas estruturas hospitalares estão em colapso.

Os homens do dinheiro e dos negócios acreditavam que isso passaria – como Trump e seu pastiche tupiniquim – como um resfriado.

A estratégia chinesa de paralisação total era, claro, coisa de orientais “comunistas”, de ditaduras que obrigavam as pessoas a… ficar em casa.

O importante era manter as pessoas e a grana circulando, como se o maior perigo fossem os lucros cessantes.

É claro que eles não são responsáveis pelo vírus, mas são diretamente responsáveis por sua disseminação galopante.

Não foi pela liberdade, pelo direito de ir e vir, pela segurança do abastecimento que eles recusaram as medidas de bloqueio e restrição que forma a única coisa que deu certo no combate ao coronavírus.

Foi pelo dinheiro, seu deus acima de tudo.

Não se sabe quantos seres humanos vão imolar em seu altar viral, mas perderam a batalha por um mundo onde só a ganância era virtude.

Ontem foi o Sábado de Lázaro e também nossa humanidade reviverá naquilo de que, há anos, estava jejuando: prioridade às pessoas, defesa dos direitos e serviços públicos, vontade de estar próximo, anseio por dar as mãos que, hoje, só por escrito podem amar ao próximo, mesmo distante.

 

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30 respostas

    1. Deus me perdoe pela sinceridade, mas vai ser bem feito quando começarem a morrer feito moscas, não por serem velhos ou terem doenças preexistentes, mas por falta de tratamento, Vão entender tarde demais o que se fala desde o início, mas parece que poucos entendem, provavelmente porque a própria mídia não dá o devido destaque (sabe-se lá porque): O GRANDE RISCO NÃO É MORRER POR CAUSA DO VÍRUS, É MORRER POR CAUSA DA IMPOSSIBILIDADE DE SER TRATADO, POR INDISPONIBILIDADE DE ESTRUTURA HOSPITALAR (LEITOS, EQUIPAMENTOS, MÉDICOS ETC), CONSEQUENTE DO ACÚMULO DE CASOS AO MESMO TEMPO.

  1. ” Não há mal que sempre dure ” . Mais . ainda em funcionamento ” América first ” , até quando durará . Poderiam ser maiores que são , lá houvesse : Humanidade ; Humildade : Solidariedade .
    O maior orçamento militar , centenas de vezes maior que o segundo colocado . E não tem um sistema de saúde público para seu povo .Bem como não tem abrigo nuclear para população , apenas para 1% da população , imaginem para quem .
    A America conseguiu ser ” first ” . Em coronavírus .

  2. Acabei de ler um estudo científico do centro de controle e prevenção de doenças dos Estados Unidos, que relaciona os casos graves com a obesidade mórbida. A ciência ainda tem muitas lacunas a serem preenchidas em relação ao coronavírus. É nessas lacunas que residem minhas esperanças, porque se depender do governo e da conscientização do povo… Ontem eu ouvi de uma ENFERMEIRA, do hospital onde acompanho minha mãe internada, que o Bolsonaro está certo. Felizmente já ouvi de outras o contrário. Mas eu nem pergunto pra não me desesperar.

    1. Não se iluda com a Enfermeira… existem muitos “doutores” sem título no Brasil! E, adicionalmente, título não refere inteligência!
      A ciência ainda tem a razão!
      Detalhe: Onde estão os Malafaias e Macedos que não invadem nossas clínicas e UTIs para fazer seus milionários milagres?
      Desejo melhoras à sua genitora e esperança!

    2. Não se iluda com a Enfermeira… existem muitos “doutores” sem título no Brasil! E, adicionalmente, título não refere inteligência!
      A ciência ainda tem a razão!
      Detalhe: Onde estão os Malafaias e Macedos que não invadem nossas clínicas e UTIs para fazer seus milionários milagres?
      Desejo melhoras à sua genitora e esperança!

    3. Não são apenas enfermeiras que dizem isto. Outras categorias também. Agem como adolescentes. Acreditam que nunca serão acometidos pelo mal. Só os outros. Mas a sua valentia e seu discurso acabam, quando eles ou seus entes queridos são afetados. Para mim existe 3 tipos de pessoas. Os de esquerda, os de direita e aqueles que, por ignorância e informações falsas, votaram na direita. Estes últimos são fáceis de voltar ao campo progressista. Mas, os da direita, muito difícil. Os valores, que eles concebem como humanitários, não são e nunca serão os mesmos da esquerda. Por isto, o investimento tem que ser nestas pessoas que foram enganadas pela direita. Não adianta tentar convencer um doutor, por exemplo, de uma grande universidade. O voto dele foi consciente no que representa a direita.

  3. A desprezível missão de nossa mídia tradicional ainda é a defesa dos interesses FINANCEIROS de seus proprietários. Perante o flagelo ocasionado pelo Covid 19, o foco se altera, porém, o reflexo econômico sempre é destacado. Somos uma sociedade onde os aspecto e as necessidades humanas, cada vez mais se tornam irrelevantes, sendo o MERCADO, a coisa mais importante a ser considerada. O corona vírus nos coloca em nossa verdadeira posição, somos apenas mais um habitante deste planeta e a partir do momento que fomos supridos com um cérebro capacitado a pensar e elaborar, temos por obrigação rever conceitos, muitos dos quais inapropriados para nossa evolução como espécie, onde, a riqueza individual, é a causa determinante.

  4. O “amor ao dinheiro” estava no centro da crítica ética, política e econômica ao capitalismo de um certo economista reformador, sempre lembrado nestes momentos de crise e rapidamente esquecido tão logo os primeiros raios de sol aparecem no horizonte. E olha que digo reformador, sem nenhuma pretensão a revolucionário ou a coveiro desse sistema. Afinal qual é o propósito da atividade econômica? O que é de fato riqueza? Uma cultura e uma sociedade obcecada e dominada pelo dinheiro, toda ela em certo sentido escrava do dinheiro, tanto os que tem quanto os que não tem, ou a velha e enterrada idéia de uma “boa vida” capaz de gerar e maximizar (como gostam de dizer os economistas) a bondade geral, o amor geral, a beleza geral o conhecimento geral? Ao invés de uma racionalidade restrita aos meios, uma nova racionalidade ética, uma nova mentalidade que questione os fins e os bens últimos, como a saúde, o bem estar , a verdade, o amor, o conhecimento, enfim tudo aquilo que tem valor próprio a todos e que todos facilmente reconhecem assim. E pouco importa o nome que a gente venha a dar a essa nova racionalidade, mentalidade, realidade. Quem viver verá.

    1. Li certa vez que a gula, um dos sete pecados capitais, não se limita ao excesso de comida, mas ao excesso de qualquer coisa. Certamente, ai se enquadra o dinheiro. Quem acumula demais, fica doente.

    2. Mudanças ultrarradicais, como a que colocaria em primeiro lugar a vida e não o dinheiro, não acontecem pacificamente, por opção dos cidadãos esclarecidos. Mas a pandemia teve o dom de colocar esta questão em foco. Na intelectualidade conservadora mais racional dos Estados Unidos já há quem detecte todos os sintomas de uma mudança radical que se aproxima para o país, por condições internas que se agravam de forma que só tem paralelo na História com a situação da Rússia czarista no período entre 1905 e 1917. Eles tentam encontrar internamente parâmetros de avanço civilizatório que possam evitar o que, segundo eles, poderia ser “uma catástrofe semelhante ao terremoto bolchevique”.

      1. Concordo. Os defensores de um novo ethos têm que estar dispostos a lutar por esse ideal com mais garra do que a dos gananciosos que hoje nos governam.
        Homens e mulheres de ideias e de luta devem unir forças para que o novo aconteça.

  5. Ontem vi que em muitas regiões, sobretudo no nordeste, muitas áreas de aglomeração estão acontecendo, portanto, não estamos fazendo o dever de casa utilizando a única certeza até agora de contenção provisória do vírus que tem dado certo. Ao contrário do que ouvi do chefe da vigilância em seu pronunciamento ontem, não estamos nos preparados como deveríamos e não estamos conseguindo os equipamentos (os EUA confiscaram tudo) e leitos em número suficiente. Será um genocídio previsto pelos cientistas. Agora nosso grande exércíto vai poder fazer o que mais gosta, sua verdadeiras vocação: transportar e enterrar corpos de brasileiros.

      1. Na Suecia as aglomeraçoes seguem com restaurantes abertis. No Japao em pleno Hanami Matsuri uma semana tao amada pelos japoneses deve estar um tedio com os parques vazios. As cerejeiras alheias a tudo florescem

      2. Eles apreciam tanto incinerar quanto as covas rasas, isto na ausência de proximidade de usinas pertencentes a industriais amigos. Mas, de fato, qualquer que seja o método, é simplesmente a expressão do apreço e do respeito que vermes esverdeados, brancos ou azulados dispensam aos que contribuem para suas inúteis existências de comer, dormir e dobrar a espinha aos poderosos e ao ridículo império.

  6. É o dinheiro, apenas o dinheiro que importa para esta gente. E para muitos nem é o que fazer com o dinheiro, ou ter algo a fazer com o dinheiro, é a cifra que importa, a quantidade de dinheiro que tem em bancos ou aplicações financeiras.
    Nos EUA especialmente, mas não só, a identificação das pessoas em muitos meios da imprensa, inclui a quantidade de capital que essa pessoa detem. Principalmente o meios que tratam de economia referem-se à pessoa e dizem o quanto ela vale (referindo-se à fortuna). Por exemplo: Jeff Bezos, worth 117.2 billion, the CEO of Amazon ….
    Eu como não tenho fortuna nenhuma, se por qualquer razão viesse a ser citado num meio destes seria assim: Lauri Guerra, worth nothing, a brazilian …..
    A forma extremada de liberalismo (que chamo de neo-escravagista) que defendem, nem é uma forma de organização econômica da sociedade (entendida simplificadamente como a organização da produção e circulação de bens e serviços para atender as necessidades do conjunto de pessoas que compõem a sociedade – mais comumente no âmbito de um país). Este liberalismo extremado é apenas uma forma de organizar a rapina das riquezas da sociedade por um minoria endinheirada que tem o objetivo financeiro acima de qualquer outro. Tanto que em crises nada tem a oferecer como solução, pelo contrário buscam salvar suas fortunas praticando rapina mais ainda, clamando pela ajuda do estado que, encantadores de jumentos, propalam como desnecessário.
    Nosso mundo, daqueles que colocam acima de tudo os valores humanos, é outro. É o mundo da solidariedade, do amor, da equidade, da tolerância, da liberdade, da justiça social.
    Na saída desta crise o embate será entre aqueles que querem a prevalência dos interesses da sociedade e aqueles querem apenas concentrar poder para acumular riquezas. Estes últimos só tem o caminho do autoritarismo para impor-se. E é um risco real que esta crise sirva de pretexto para uma marcha insana em direção ao nazi-fascismo como forma de manter este sistema de rapina econômica. Orbam já está fazendo na Hungria, bolsonaro aposta todas as fichas no caos para trilhar este caminho e mesmo trump flerta abertamente com esta opção.

    1. Concordo. A esquerda deveria refletir muito sobre isto. Mas a esquerda não quer ser socialista. Ela quer viver da antítese no capitalismo. A eterna guerra entre patrão e empregado. Como dizer que o PT, partido dos trabalhadores, é socialista, se só existe trabalhador (empregado), se houver o patrão? Só no capitalismo!!! Atualmente, a porta da fábrica está na China. Aqueles que antes eram empregados, agora trabalham para si (uber, vendedores autônomos etc). Com isso, a direita capitaliza para si estas pessoas. O discurso de condições melhores para os trabalhadores, deveria dar lugar a condições melhores para todos. Todos que trabalham são trabalhadores. Se voltassem as suas baterias com este raciocínio, poderiam cuidar melhor de todos, e impedir a disparidade entre o capital acumulado por grandes empresários e os pequenos empresários.

  7. Começo a achar que o fato de no Brasil e mesmo nos EUA não ter havido no início muita preocupação com a propagação do vírus tem uma explicação. O objetivo é mesmo o genocídio dos pobres. Os ricos, se forem infectados, não vão ficar sem tratamento. Já devem ter esquematizado com médicos e enfermeiros mercenários os procedimentos a serem realizados e os valores a serem pagos. Quanto às classes médias e inferiores, querem mais é que morram mesmo.

  8. Amanha ate o final do dia o estado de Novva Iorque ultrapassara Italia e Espanha em numero de casos. As primarias democratas do Hawai q seriam feitas ontem foram adiadas p final de maio e Wiscousin com 10 vezes mais casos obviamente nao ocorrerao amanha. E aqui? Os prazos seguem e quem quiser se candidatar em outubro deve ficar atento.

  9. Talvez tenham caído todas as máscaras? Inclusive a chinesa?
    Excepcionalistas não espantam, estão em seu meio imperial: dinheiro, compra, ágio, suborno.
    Agora, SE A CHINA NÃO FOR PEDAGÓGICA, ADIANTARÁ O QUE TER SE TORNADO POTÊNCIA?
    BRICS, soft power sino-brasileiro, desenvolvimento africano, multipolaridade….
    Como disse personagem de Saramago, “José da Silva tinha ideias elevadas naquele momento. Esperemos os atos.”

  10. Bom dia, Brito.
    Apura esta notícia, por favor: a base aerea de Natal está sendo mobilizada para uma missão sem data de encerramento.
    Pode ser apoio ao combate à epidemia, ou o início de um golpe…

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