‘Vaza Jato’: ainda pelas beiradas

No final de semana, da madrugada de sábado  – com as conversas dos procuradores insatisfeitos com o fato de Sérgio Moro aceitar o cargo de ministro do governo Bolsonaro – à manhã de domingo, quando a Folha publicou os diálogos da estranha e “providencial” mudança do depoimento do empresário Léo Pinheiro, elemento decisivo e único de “prova” da suposta culpa do ex-presidente Lula, a ‘Vaza Jato” avançou significativamente, sem esquecer do inaceitável pedido de Deltan Dallagnol sobre uma operação de busca e apreensão “simbólica” contra o senador eleito Jaques Wagner, coordenador da campanha de Fernando Haddad, a poucos dias do segundo turno da eleição presidencial.

Mas a impressão que tenho é de que apenas começou a tomar velocidade um processo de revelações que nem de perto chegou a seu ápice.

O próprio Glenn Greenwald se refere, em seus tuítes, ao fato de que a a revista Veja publicará “em breve” material inédito.

Ainda não se chegou, seguer, à fase dos áudios e vídeos que o The Intercept  diz ter.

Em outros grandes escândalos políticos, sempre surgiram primeiro os indícios, as suspeitas, as acusações olimpicamente negadas, para depois aparecerem os fatos e personagens irrefutáveis.

Neste, esta não é apenas a mesma dinâmica, é uma estratégia diante do “campo de força” que se ergueu em torno de Sérgio Moro, Deltan Dallagnol e toda a Lava Jato.

Nestes 20 dias de “Vaza Jato” já é possível perceber o quanto ele se  enfraqueceu nos seus dois principais elementos de blindagem: a mídia e o Judiciário.

Mas ainda levará algum tempo para que se reúnam as condições de fazer o que já é uma verdade fática ser aceito, também, como verdade política e, sobretudo, como verdade jurídica.

O silêncio e as alegações de fraude nos diálogos já se tornaram insuficientes para manter a credibilidade dos grupos conspiradores. Mas ainda está longe de que se acendam todas as luzes sobre o processo obscuro que levou nosso país à situação impensável em que estamos.

 

 

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16 respostas

  1. E natural,que a DIREITA,hoje no GOVERNO,somente no GOVERNO,e não no PODER,que é propriedade exclusiva das forças que representam,particularmente,os CÍUMPLICES DOS ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA DO NORTE,que esta dando as cartas,procurem de todas as formas,PRINCIPALMENTE NO AVALISTA MAIOR DO GOLPE DE ESTADO,o JUDICIÁRIO BRASILEIRO,que faz de tudo,para dar legitimidade, à fraude dos golpistas ,nos pelotões de frente.

  2. Moro e Dallagnol estão em beco sem saída! Conspiraram demais, e agora estão cada vez mais isolados. A manifestação de hoje é um fracasso se comparada ao que conseguiram no passado.

  3. Antes da posse do miliciano já tinha ao menos uma procuradora preocupada com a escolha do PG por ele. Ela escreveu artigo no El país

  4. Nem todas a luzes serão acesas, afinal como o Cabo Ansel, os canalhas de hoje são igualmentes produtos da CIA.

  5. Um desejo….
    Um pedido…

    QUE CHEGUE LOGO OS DIALOGOS COM O TRF4.
    por que acho impossível não estarem nesse jogo de carta marcada.

  6. Disse aqui que somente lá por fins de outubro, daqui a quatro meses, é que a verdade, no caso verdade política, deverá ser aceita majoritariamente, com sua negação passando a restringir-se a esparsos nichos de cabeçudos irredutíveis. O ponto de inflexão depois do qual começou a decadência da arrogância dos “moronetes” foi quando o Glenn falou no Senado que breve viriam os áudios reclamados por uma deputada do PSL, e que então ela iria se arrepender de ter exigido que eles fossem mostrados. Depois disso, a deputada levantou-se e curvou-se em reverência ao Glenn, retirando-se em seguida do local, claramente vencida. Alguém ainda gritou-lhe “Fica, querida, que vai ter bolo!”. Foi o início do fim.

  7. Conspiração e crime são duas palavras de que a mídia, em geral, corre como o diabo corre da cruz. Mas não há termos mais precisos para descrever os fatos que se comprovam através do Intercept. Conspiração golpista foi o que derrubou Dilma Rousseff. Conspiração golpista foi o que encarcerou Lula e levou ao poder o palhaço sinistro.

  8. Aquele velho ditado: aqui se faz, aqui se paga. Só que atualmente, tem-se pago numa velocidade estonteante. Os que acreditam na inocência de Lula, sempre tiveram nítidas a união entre MPF e Moro nessa missão messiânica. Ocorre que a nitidez que tínhamos está sendo exposta em diálogos dos seus autores e brevemente em vídeo.

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