Wajngarten merecia ser preso, mas solto puxa o fio de seus negócios

Fábio Wajngarten fez, esta tarde, um belo, mas perigoso, negócio.

Ficou evidente que apostou na oportunidade de forçar o Governo a tirá-lo do abandono e das dificuldades em que ficou com a saída da Secretaria de Comunicação.

No mínimo, está em condições agora de manter os seus auxiliares ainda por lá, que negociam contratos de publicidade e de mídia digital.

Há uma questão que não deve escapar às análises: Wajngarten só deu sua bombástica entrevista à Veja menos de uma semana depois do plenário do STF confirmar a ordem de instalação da CPI da Covid.

E, com ela, como é voz comum “convocou-se” como depoente da CPI e, portanto, uma carta de valor no jogo político. Recorde-se a frase de Omar Aziz, presidente da CPI: “se o senhor não tivesse dado a entrevista à Veja, ninguém nem lembraria que o senhor existia. (…) Ele se ofereceu para vir aqui “.

Wajngarten portanto, teve a possibilidade de “vender” o seu perjúrio, que ficou evidente no seu depoimento.

Possibilidade que se abriu também à Pfizer, que falará amanhã e, também se recorde, fechou seu primeiro contrato com o governo federal na mesma época em que Wajngarten deu sua entrevista e a segundo ontem, num total de 200 milhões de doses.

US$ 2 bilhões, ou quase R$ 11 bilhões de reais, portanto.

Um excelente incentivo a dar respostas convenientes perante o Senado da República.

Mais importante do que os detalhes, convém o velho conselho de Sêneca: Cui prodest scelus, is fecit” que, livremente traduzida do latim, equivale a “aquele a quem o crime aproveita foi quem o cometeu”.

Omar Aziz, ao opor-se à prisão em flagrante de Wajngarten por mentir – o que ficou evidente desde o início – agiu com inteligência política, porque a medida seria inevitavelmente transformada na metamorfose do ex-secretário em vítima.

A solução adotada será extrair o depoimento e o áudio que a Veja publicou e a entrega ao Ministério Público para apuração do perjúrio, chamado aqui de “falso testemunho”, cria mais uma dificuldade ao Governo, que terá de pressionar a Procuradoria Geral da República – e não para Aras, mas para procuradores do Distrito Federal – a recusar a abertura de inquérito contra Wajngarten e a investigação sobre suas motivações.

Antes disso, porém, isso será pauta da imprensa e, neste caso, implacável.

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on whatsapp
WhatsApp
Share on email
Email

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *