A escola de samba de Jair Bolsonaro atravessa o samba precocemente

Fosse uma escola de samba, a esta altura já se poderia dizer que, desde o início do desfile, o governo Jair Bolsonaro vem mostrando que atravessa o seu samba passadista.

Não é de todo imprópria a comparação, porque, afinal, todos percebem que este governo está composto de alas bem diferentes entre si.

Tem de tudo, desde a comissão de frente do bolsonarismo neanderthal, o abre-alas do fundamentalismo religioso – onde Damares Alves é o destaque no alto do carro alegórico em formato de goiabeir- , os personagens da escolinha do Professor Olavo e o Cérbero familiar  – onde uma cabeça dá “mordidas”, outra rosna e a terceira baba ódios

Tem também a ala do “Bandido bom é bandido morto”e  a da “A Justiça sou Eu”, que pretendia poder evoluir sob a batura de Sérgio Moro, mas deu chabu e está murcha e temerosa, até porque pode ser dissolvida por um cabo e um soldado, com ou sem jipe. A imensa ala militar, que é a que ocupa mais espaço, anda desanimada, embora o seu porta-bandeira Hamílton Mourão receba muita atenção.

Mas, ao contrário do que se esperava, o cortejo não foi capaz de levantar a platéia com seu espetáculo chinfrim.

Não conseguiu a adesão do decisivo bloco parlamentar, onde Rodrigo Maia puxa o coro do “venham a nós”.  O cordão da mídia, quase em uníssono, canta o samba “Assim não, capitão”, chocada com a heterodoxia da diretoria. Até a banda do mercado, que vai com qualquer um que lhe faça dengos, começa a desconfiar que não vai ser tão animado assim o desfile.

Quando terminar o Carnaval, este pessoal todo volta ao asfalto.

E há poucas esperanças que ganhem pontos nos quesitos harmonia e evolução, já que no enredo e nas fantasias irremediavelmente desfilam para trás.

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