Alimentos foram âncora da inflação. É âncora boa, mas não é sólida

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Tanto os dados do IBGE sobre o IPCA de dezembro (e do ano cheio) quanto a carta do Banco Central explicando a inflação abaixo do piso da meta apontam os alimentos -especialmente os consumidos em casa – como grandes responsáveis pela inflação mais baixa em 2018.

De fato, se os alimentos tivessem tido uma alta de preços equivalente à da média dos demais índices que compõem  o índice, a inflação teria ficado um pouco acima de 4% e não nos 2,95% com que fechou 2017.

Veja no gráfico como, em grande parte do ano, a comida perdeu preço em relação aos demais itens de consumo.

A causa, admite o próprio BC, foi o “excesso de oferta” que, lido ao revés, por ser também chamado de “escassez de demanda”. Na primeira frase, a safra generosa do país; na segunda, a perda de poder aquisitivo.

A questão é que a tendência do índice, depois das quedas imensas, reencontrou o seu tradicional espaço para subir no início do ano e tem, no médio prazo, uma expectativa de safras bem menores.

Os economistas que quiserem fazer análises sérias e não “torcida”, devem se recordar que o Brasil já teve ima experiência  de conter a inflação com os preços dos alimentos, a chamada “âncora verde” do Governo Fernando Henrique Cardoso, ali por volta do final de 1995 e primeiro semestre de 1996. O resultado foi pontualmente bom e estruturalmente mau, desorganizando boa parte da pequena produção agrícola, porque a grande, geralmente vinculada á exportação, depende mais dos preços externos do que dos internos, que sobem quando aqueles se valorizam no mercado internacional.

Ainda não há dados para medir o impacto, desta vez, nos pequenos estabelecimentos agrícolas. Mas é bom colocar um pé atrás com a continuidade desta âncora que, num instante, se solta e sobe em alta velocidade.

A crise – como aliás pregam os manuais dos economistas ortodoxos – ajudou a conter a inflação. Mas ela não acaba com a causa profunda da inflação que é a da necessidade de equiparar ganhos de produção e comercialização com ganhos financeiros. Ao menos, quando o mercado de consumo o permite.

Do contrário, ficamos perto da história do cavalo do inglês, que morreu quando o dono o estava quase  acostumando a viver sem comer. De fome.

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10 respostas

  1. Eu acredito em gnomos, duendes, fadas e na inflação de 2,95%. Para uma enorme massa de desempregados, subempregados e gente com salários arrochados, esta taxa de inflação não refresca em nada. Quem vai ao supermercado, quem faz compras sabe que a história está muito mal contada. E a taxa de juros em relação à inflação, como está? Tem gente faturando alto sem produzir um único prego e emprego.

  2. Os combustíveis influenciaram e muito, basta ler e entender a Pesquisa:
    “Já os principais impactos individuais no índice do mês, ambos de 0,09 p.p., foram exercidos pelas passagens aéreas, com alta de 22,28%, e pela gasolina, cujo preço do litro ficou, em média, 2,26% mais caro. Juntos, com impacto de 0,18 p.p., estes dois itens representaram 41% do IPCA de dezembro.

    Eles também foram os principais responsáveis para que o grupo Transportes (1,23%) apresentasse a maior alta no mês, considerando-se, ainda, o aumento de 4,37% do etanol, com impacto de 0,04 p.p. Na gasolina, observa-se que o aumento é reflexo dos reajustes concedidos durante o período de coleta do índice, que montam de 2,05%.”

  3. Tudo montagem pra enganar a “classe média”. Ilusão de crescimento: AH COITADOS, como dizia minha finada e sábia mãezinha. Só Deus mesmo????

  4. Escassez de demanda na veia.
    A maioria das pessoas que conheço esta comprando apenas o essencial do essencial , e nada mais.

  5. Fora de pauta, mas achei que deveria comentar. As pessoas que cometem crime, as que cometem crime de fato, PROVADO, merecem ser sentenciadas na justa medida da lei. Não sei se a FOTO é verdadeira ou falsa. Torço para que seja falsa: aparece o ex-governador do Amazonas fichado na polícia, descalço, de calça comprida, sem camisa, com o barrigão de fora… A que ponto chegamos neste país! O país da vingança. É melhor o enforcamento ou a guilhotina, num julgamento sumário. Realmente querem acabar com os representantes do povo. Quer queiramos ou não, mas os políticos recebem o voto do seu povo. Um novo poder se levanta para nos escravizar. Todos aqueles que não estiverem dentro do sistema, serão perseguidos e humilhados assim. Todas as ex-autoridades que forem consideradas inimigas estarão perdidas. O PT, ao invés de ficar pedindo audiência ao TRF, que não irá modificar decisão alguma, precisa proteger as suas ex-autoridades, que com certeza, correm esse mesmo risco. Serão humilhadas, ultrajadas e até agredidas da mesma forma. Acorda PT, enquanto é tempo. Eles não estão para brincadeira. É só fazer a leitura das “novas regras” que nesses anos vêm sendo impostas.

  6. 1 litro de leite=0,90 real
    1 ovo=0,20 real
    1 saca 60kg de milho=25 reais
    1 saca 60kg de feijão = 75 reais
    1 litro gasolina=4,50 reais
    Carne de frango, carne de porco, carne de boi, arroz, etc.etc.
    Coitado do Produtor Rural, se ainda não quebrou, vai.

  7. Do jornalista Esmael Moraes, uma constatação que só os néscios e os mal intencionados tentarão refutar:

    “Na Antártida não há inflação, nem IPCA, porque lá só tem pinguim. Os pinguins não compram nem vendem nada. Por isso naquelas plagas os preços não sobem nem descem. Dito isto, o Brasil de Michel Temer é uma Antártida. O desemprego aumentou, o consumo caiu, e, a exemplo do continente de gelo, não tem escalada inflacionária.

    A velhaca mídia comemora que o IPCA terminou 2017 em 2,95%, abaixo do piso da meta do Banco Central pela 1ª vez desde 1998. Ora, a manchete verdadeira seria “A pior recessão em 20 anos fez desabar o IPCA em 2017”. Ou seja, não teve emprego, não teve consumo, não teve inflação.

    A putaria ideológica dos jornalões contra a classe laborial atingiu o ápice neste fim de semana com a tese segunda qual o mercado de trabalho estaria sendo puxado pela venda de comida na rua. Até o mais desavisado tem claro que se trata de trabalho informal, portanto, subemprego e subsalário.

    Note o caríssimo leitor que o salário mínimo sob Temer teve a menor reposição em 24 anos, logo fator determinante para a queda nos preços — inclusive de alimentos.

    Não há que comemorar, infelizmente.”

  8. Agora começou pra valer a redistribuição de renda ao contrário. Os aposentados que recebem o salário mínimo terão reajuste abaixo da inflação, de apenas 1,81%, ou seja, terão 17 reais de aumento este ano. Sabem o que significa para um idoso que vive com o mínimo ter que pagar todas as despesas normais, inflacionadas pela alta dos combustíveis e do gás de cozinha, medicamentos, etc, com um aumento de 17 reais? durante o ano todo? O desgoverno federal do sr Meirelles já inverteu a recomposição do poder de compra do salário mínimo, iniciada no governo Lula. Os que recebem acima do salário mínimo terão reajuste de 2,07%. Ainda é ridículo e grotesco mas mostra o efeito claro do golpe: tira-se dos mais pobres, sempre dos mais pobres. E depois a mídia não entende porque Lula está disparado nas pesquisas eleitorais…

  9. Quando a Dilma ou o Lula subiam o preço dos combustíveis a gritaria dos coxas era geral. A imprensa culpava a inflação alta alegando que os combustíveis tinham impacto direto nela. Hoje, milagrosamente, depois de tantos aumentos na gasolina, diesel, gás de cozinha, álcool e energia elétrica, a inflação CAI. O que tem de podre e de enganação nisso? Basta ir ao supermercado para constatar que só a cebola e a batata baixaram seus preços. O motivo é simples: são produtos da época. Na entressafra esses preços subirão e a inflação também. E aí? A culpa será dos alimentos? Isso até parece tosquia de porco: muito grito e pouca lã. Tenho o hábito de ir ao mercado todos os dias e não vejo essa queda de preços propagada pelo governo. Pelo contrário. Carne e seus derivados, derivados do leite (queijo, nata, manteiga, requeijão), arroz, massas, tudo subiu de preço. A menos que sua dieta seja só de batata e cebola, o custo de vida subiu. E muito. E desafio qualquer coxinha a me provar o contrário.

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