BC mexe em reservas, vende dólares e mercado quer mais, hoje

Ontem, quando o mercado de câmbio ameaçou chegar aos R$ 4,20, mencionados outro dia por Paulo Guedes como “limite” para o “tanto faz” das autoridades econômicas, o Banco Central vendeu dólares – o volume da venda ainda não foi divulgado – das reservas cambiais brasileiras, a R$ 4,125, sete centavos abaixo do que vinha sendo negociado no mercado aberto de moeda norte-americana.

Em tese, a depender de quanto foi oferecido, nada de estranho em usar marginalmente reservas para conter surtos especulativos do câmbio, desde que haja sentido nisso e faça diferença efetiva.

Mas é inócuo quando as pressões externas permanecem inalteradas – aliás, só pioram, com um afastamento maior das taxas de juros dos EUA de curto prazo já quase 50 pontos base acima dos títulos de 10 anos, quando ortodoxo é o contrário, e a valorização de ativos de baixo risco (dólar e ouro).

Neste caso, só abre o “apetite” do mercado em testar o BC para novas ofertas “baratas” de moeda americana e, como acontece hoje na abertura do mercado, quem tem bala na agulha força a alta do dólar com facilidade: ele já passou dos R$ 4,16., quase chegando aos R$ 4,17, enquanto escrevo.

No mercado financeiro, tradicionalmente, a festa é para todos e a conta só para alguns.

Os investidores estrangeiros deixam a bolsa de valores mais rapidamente que o fizeram na crise de 2008/09 e só investidores individuais, esta camada de aventureiros que vem desde os tempos do overnight, estão aumentando suas posições compradas.

Enquanto não mudarem as condições externas, a persistir nesta política, será um mero desperdício de nossa poupança em moeda forte, que poderia ser usada para alavancar um processo de investimento que reanimasse a economia.

Mas faz-se o contrário e, como anuncia a Folha, também hoje, prepara-se mais um corte recorde (menos 40%) nos investimentos públicos, já em estado terminal.

Os economistas ultraortodoxos persistem firmes na tese de que a morte do paciente e que cura a doença.

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