Bolsonaro conta-ataca oTSE, usando o Exército

Ceder a fascistas achando que isso irá acalmá-los é como pretender domesticar cobras peçonhentas: fica-se sempre ao alcance de suas presas venenosas.

Em condições normais, nada haveria de errado em o Tribunal Superior Eleitoral em convidar especialistas em informática das Forças Armadas para ajudarem a testar a integridade dos sistemas eletrônicos de votação.

Mas não vivemos tempos normais e Jair Bolsonaro usou isso em sua live, ontem, ao ao referir-se a estes militares como o “nosso pessoal” que, sob seu comando, está lá para colocar em dúvida o sistema de votação.

“As Forças Armadas foram convidadas a participar do processo eleitoral. Eu sou o chefe supremo das Forças Armadas. Aceitamos. O nosso pessoal então, a convite do TSE, começou a levantar possíveis vulnerabilidades e foi oficiado o TSE para que pudesse responder. Isso na mão do ministro Braga Netto. Ele tratando desse assunto e vai entrar em contato com o presidente do TSE.”

Ao frisar que é ele o “chefe supremo” dos militares que – no que seria uma função técnica – sob seu comando examinam o sistema e que o assunto está nas mãos do general Braga Netto, seu possível candidato a vice, Bolsonaro deixa claro que a participação daquele grupo está subordinada a ele e ao seu eventual companheiro de chapa eleitoral.

Não só admite que tem acesso privilegiado a uma análise sigilosa, vedada aos demais brasileiros, quanto inverte a situação de comando do processo, no qual a situação dos militares é de colaboração, não de decisão:

“[Braga Netto] está tratando desse assunto e vai com toda a certeza entrar em contato com o presidente do TSE para ver se o atraso foi em função do recesso (do Judiciário) , não foi, se a documentação vai chegar. E daí as Forças Armadas vão analisar isso daí e vão dar uma resposta”.

Aprende-se nos filmes de terror que os vampiros só entram numa casa quando se lhes abre a porta. O TSE abriu-as ao vampiro-mor da democracia brasileira.

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