Bolsonaro, ouça o ”Folhetim’, porque a ‘página virada’ pode ser você

É que a cultura musical de Jair Bolsonaro não vai muito além daquele “Nós somos da Pátria a guarda”…

Do contrário, a ele que definiu seu relacionamento com Rodrigo Maia  como um “namoro”, talvez lhe viesse à cabeça o “Folhetim” do Chico Buarque, imortalizado por Gal Costa, ao dizer hoje que os desentendimentos com o presidente da Câmara são “página virada“, como se a semana inteira de desaforos fossem simples caprichos e venetas sem conteúdo.

E aí veria que até a personagem dos versos da música coloca o “Se acaso me quiseres”  como condição para ser “dessas mulheres que só dizem sim”…

Pode ser capitão, mas pede um clima gentil, “uma coisa à toa, uma noitada boa, um cinema ( não com filme evangélico, please), um botequim”.

E que os deputados da “velha política” aceitam “uma prenda, qualquer coisa assim, como uma pedra falsa, um sonho de valsa ou um corte de cetim”, mas o senhor não pode dizer que só está lhes dando porcarias sem valor em troca do que deseja.

Aí, Bolso, até podem te fazer “vaidoso, supor que és o maior e que me possuis”, como Maia vinha fazendo desde a posse com o apoio incondicional à reforma da Previdência.

Mas você começou a noite com o desinteresse e a grosseria que a alguns se acometem na manhã seguinte e assim também antecipou o “já não vales nada, és página virada, descartada do meu folhetim”.

Capitão, como se diz no interior, você cansou a dama antes do baile, que não começou nem na Comissão de Constituição e Justiça.

E assim corre o risco de dançar sozinho.

 

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