Bolsonaro também chuta o cargueiro da Embraer

Ontem, neste blog, temia-se que “o presidente da República, pelo fato de que o Comandante da FAB ser um bolsonarista, entre de sola numa das poucas indústrias de ponta do país”, a Embraer.

Já entrou.

Lá em Dubai, às vésperas de uma feira aeronáutica onde estarão potenciais compradores do cargueiro KC-390, desenvolvido e produzido no Brasil, Jair Bolsonaro , apoiou publicamente o corte pela metade da encomenda, firmada em contrato, de 28 para 15 aeronaves. Ou mais 11, porque quatro já estão entregues e operando.

Diz ele que “é muito caro” comprar e manter aviões, porque precisam operar (!!) e isso é caro: “”Você não pode comprar um avião como compra um carro, que muitas vezes bota na garagem. O avião tem que se movimentar, e isso custa caro. O orçamento da Força Aérea está apertado”.

Não está apertado para conceder, como se concedeu aumento, para seu pessoal, em especial para o de alta patente. Nem para gastar mais de R$ 13 bilhões com inativos e pensionistas. Nem para conceder, ao contrário do que se fez com os trabalhadores civis, benefícios mais generosos na reforma de seus militares.

Também não há aperto para comprar dois cargueiros da Airbus. Nem para brincar de colocar 52 poltronas confortáveis para adaptar o avião a comitivas presidenciais, uma inutilidade.

Além do mais, 28 aviões de carga para um país das dimensões do nosso país nada tem de exagero, se a Aeronáutica conjugar seu emprego com as necessidades logísticas do país – transporte de medicamentos, ações de socorro humanitário, etc – e outros empregos de defesa civil, como o de combate a incêndios florestais , para o qual o KC-390 já é adaptado.

E nem chegam a ser tantos se pensarmos que, em parte, substituirão C-130 Hércules , que são 23 aparelhos operados pela FAB. Os 10 “mais novos” entre eles foram comprados, usado, da Itália, em 2001 e reformados para continuarem voando em condições aceitáveis.

Fica-se sabendo pela Folha, porém, que o KC-390, que Bolsonaro está desmoralizando frente ao mundo – o país que o produz cancela sua compra! – servirá aos propósitos populistas do atual presidente, que planeja usar um deles para exibir-se saltando com paraquedas de um deles.

Brincadeirinha que, como ele mesmo diz, “custa caro”.

Custa muito mais caro, porém, arruinar um produto brasileiro, com potencial de vendas e de desenvolvimento tecnológico imensos, que estava pronto para alçar voo no comercio aeronáutico mundial porque o comando da Aeronáutica quer reservar, sabe-se lá para quê, as verbas que seus antecessores, brigadeiros como eles, haviam comprometido na modernização de nossa Força Aérea.

Isso será corrigido no próximo governo e há forma de compor dificuldades financeiras do Estado brasileiro num contrato de longo prazo (as últimas entregas previstas no cronograma atual são em 2016). Espera-se, porém, que se possa corrigir o intolerável defeito de fabricação de dirigentes da FAB que não querem ter aviões.

Preferem motocicletas.

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