Bolsonaro veta “Lei do Abuso”, paga a Moro e se complica no Congresso

Jair Bolsonaro garantiu que fará nove dos dez vetos pedidos por Sergio Moro à Lei de Abuso de Autoridade.

Paga, assim, a conta que ficou de sua interferência na extinção do Coaf e na “dedada” feita na Polícia Federal, demitindo superintendentes.

O clima em relação a Moro, no Congresso, que já era ruim, vai piorar.

Bolsonaro está encaminhando o processo de forma a deixar claro que está vetando porque Moro pediu e que, portanto, a eventual derrubada dos vetos será uma derrota de Moro.

O ex-capitão continua mordendo e soprando seu ministro da Justiça, um dia depois de dizer que o chefe “terrivelmente evangélico” é mais “supremável” que o paranaense, insinuando que este seria recusado pelo Senado.

O bale da hipocrisia segue a todo o vapor.

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7 respostas

  1. A irresponsabilidade desse presidente e de todo o seu governo é completa.
    Agem como se estivessem brincando, como se o resultado de suas ações não tivesse influência direta na vida de todo um país com mais de duzentos milhões de habitantes.

  2. O Eduardo Moreira anda falando que o plano secreto do governo e empresários é deixar o país no caos e sem nenhum investimento, que é para baratear a mão de obra para que lucrem cada vez mais. O país vai se transformar numa espécie de Bangladesh. Aí então, daqui a dois ou três anos, quando todos os ex-trabalhadores estiverem arrancando os cabelos da cabeça, revogar-se-ia a emenda do fim do mundo e o estado passaria a investir, iniciando um ciclo de crescimento baseado na mão de obra ultra-barata de gente desesperada que não pode sustentar a família.

    Esta hipótese não se sustenta. Só empresários de mente curta e baixa capacidade de análise se deixariam levar por ela. Não há possibilidade de um ciclo virtuoso depois de tamanha devastação. Moreira se esquece de que o Brasil então iria crescer como e para quê? Sem crescimento do mercado interno, sem qualquer tipo de segurança para o crédito, em um mundo super-competitivo, cheio de limitações ideológicas impostas pela matriz, o Brasil iria aproveitar sua mão de obra barata aonde e para quê? Por si mesmo, o Brasil estaria manietado e não poderia retomar o crescimento em seu próprio benefício.

    Bem mais possível seria a sucumbência final da soberania brasileira, e a exploração desenfreada das riquezas do país por empresas alienígenas. Por isso se procura agora desmatar o mais possível para ampliar a exploração dos ocupantes coloniais que cedo ou tarde terão a posse das áreas abertas pelo fogo. O Brasil ficará, sim, em ruínas, e a ruína é um processo encadeado que não pode ser interrompido sem mudança do processo que a gerou. Se a ruína completa faz parte de um plano, de um processo de arruinar para depois reconstruir, ela só poderá acontecer se for parte de um plano de ocupação e exploração estrangeira, com empresas estrangeiras. Depois de arruinado, o Brasil não se levantaria pelas próprias mãos, e se vier a se levantar, será para usar uma corrente de escravo no tornozelo. .

    O que poderia acontecer, depois de bombardeado o sistema de educação e dizimada a ciência e a tecnologia nacionais, seria a tentativa de ocupação geral do país por empresas dos EUA e de seus aliados. Os brasileiros passariam a andar de tanga, como os indianos do tempo colonial inglês, para servirem aos ocupantes exploradores das riquezas locais. Engenheiros, só americanos ou europeus. Pesquisadores, só americanos ou europeus. passaríamos a ser um gigante miseravelmente acorrentado.

    Sonhos enganadores sempre são espalhados pelos neoliberais quando querem sugar um país até deixá-lo exangue, como fizeram com a Argentina agora e em 1999 com o Brasil. O mais certo que aconteça é mesmo a retomada da normalidade democrática sem qualquer concessão, para evitar a falência completa da economia nacional e de um processo civilizatório que custou séculos para ser construído.

    A indústria nacional periga ser destruída restando apenas lanternagens de fundo de quintal e assim nada lucraria com a tal mão de obra semi-escrava. Para que padarias, se não se pode comprar pão? Para que universidades privadas, se não é possível pagar-se anuidades? E o agro-negócio periga ser dilacerado pela política ideológica, e depois de sofrer danos irreparáveis, ser repassado às gigantes multinacionais do alimento, que aqui se estabeleceriam ainda por favor e sem impostos. Só a interrupção institucional do processo louco de destruição e butim que foi instalado, interrupção feita através da restauração plena da democracia, pode ser encarado como um caminho de saída deste inferno em que estrangeiros e entreguistas nos meteram. Outras hipóteses são impossíveis.

    1. Interessante leitura. Concordo totalmente com a avaliação da tese proposta por Moreira, não dá pra sonhar com o paraíso após um apocalipse de tamanha monta. Mas tampouco me parece necessária a sucumbência final da soberania descrita, em parte porque já não a temos, e de outra parte porque o capitalismo moderno precisa de suas linhas de montagem sob o amparo de leis permissivas, mas também de tranquilidade quanto ao processo exploratório. Esta tranquilidade compreende ausência de conflitos legais ou sociais, algo que só se dá sob um poder autoritário por nativos, sem desrespeito à “soberania nacional”, sob o risco de desencadearem-se nacionalismos hostis. Outro problema é o profundo desprezo das grandes empresas transnacionais pela mão de obra brasileira, vista como desqualificada e incapaz de tarefas mais refinadas. Razão pela qual a China nada de braçada na captação de linhas de montagem, unindo uma imensa massa de trabalhadores capazes de preparar-se para quaisquer tarefas impostas e subjugados por um regime que não permite contestações.
      Ao Brasil restaria o papel de parque de “maquiadoras” norte-americanas e, ainda assim, de produtos de menor complexidade ou pré-moldados, para impedir a pirataria intelectual, outra de nossas “virtudes” mundialmente reconhecidas. O que se reflete no último parágrafo do texto, quanto a um papel de semi-escravos quanto ao trabalho, mas sem esquecer-nos da necessidade da manutenção da integridade territorial nacional e da “independência” política, necessárias à manutenção de um mercado de consumo e reprodução de bens enorme e simpático ao explorador. Em síntese, o melhor modelo seria o que temos aí, a exploração capitalista externa avalizada por aliados nacionais politicamente autoritários o suficiente para não permitirem vieses ou hesitações no jogo a ser jogado. Razão pela qual a restauração democrática necessária não poderá se restringir ao exercício do voto, pois este estará sempre sob o alcance manipulatório das oligarquias nativas, que olham menos para a “sofisticação ecológica” que para os interesses financeiros, próprios e de seus senhores.

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