Carta de Trump pode causar desastre diplomático na Turquia

Donald Trump disse ao presidente da Turquia, Recep Erdogan, que pode “destruir a economia turca” se ele insistir na sua invasão à Síria.

Hoje, Trump deu uma entrevista nos Estados Unidos, a propósito da visita de seu vice, Mike Pence, a Ancara, para tentar um acordo com o governo turco que suspenda a invasão daquele país à Síria e, nela, disse que a guerra entre Turquia e Síria, era “problema deles”, mas que tinha escrito uma carta ao presidente turco, “bastante dura”.

O termo é errado: a carta é humilhante.

Ao ponto de não permitir acordo algum e, de quebra, colocar em maus lençóis seu aliado, o comandante das Forças de Defesa Sírias, um grupo rebelde que luta contra Bashar Al Assad, que enviou a ele, Trump, uma carta prometendo muitas concessões aos turcos. As SDF – sigla em inglês – são majoritariamente curdas, mas opositoras do exército curdo do YPG, mais à esquerda.

O General Mazloum Abdi ficou no pior dos mundos, colocado na posição de aliado dos EUA e dos turcos contra os históricos desejos de autonomia curdos.

As reações da imprensa turca são as piores possíveis. O Daily Sabah, um dos maiores jornais do país, mesmo antes de vazar-se a carta, já ameaçava:

Impor sanções à Turquia agora será um dos maiores erros da história dos EUA. É claro que as sanções terão consequências negativas para a economia turca, mas também causarão danos irreversíveis aos EUA. Ao agir hostilmente contra a Turquia, os EUA criarão um buraco negro no mapa que destruirá o status de superpotência de Washington na região. Perder um aliado forte e estratégico como a Turquia levará ao declínio da liderança global dos EUA.

Trump colocou os talheres e os pratos à mesa para uma acachapante vitória diplomática de Vladimir Putin nesta crise.

Abaixo, o texto da carta, traduzido:

Caro Sr. Presidente:

Vamos trabalhar por bons objetivos. Você não pode querer ser responsável pelo abate de milhares de pessoas e eu não quero ser responsável por destruir a economia turca – e eu posso fazer isso. Não faz muito eu dei a você um pequeno exemplo em relação ao Pastor Burnson (norte -americano preso na Turquia durante a tentativa de golpe e libertado depois que os EUA impuseram ao país sanções econômicas).

Nós temos trabalhado duro para resolver alguns de seus problemas. Não deixe o mundo se afundar. Você pode perseguir grandes objetivos. O general Mazloum (Mazloum Kobani Abdi, comandante das Syrian Democratic Forces, que se uniu às forças norte-americanas contra o Exército Islâmico) quer negociar com você e ele deseja fazer concessões que nunca fez no passado. Estou juntando, confidencialmente, uma cópia da carta que ele enviou a mim e acabei de receber.

A história vai olhar favoravelmente você se fizer as coisas da maneira certa e humana. E vai olhar como um demônio se coisas boas não acontecerem. Não seja o cara durão. Não seja louco.

Chamo você mais tarde.

(Ass) Donald Trump

 

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23 respostas

  1. È outubro , mas parece Agosto ,” mês do cachorro louco ” . Não só lá como cá , só Olavo de Carvalho para , o astrólogo para desvendar .

  2. Perdão aos curdos, mas foi burrice achar que os EUA seriam aliados confiáveis. Pensaram que iam poder fazer seu estado independente, se aproveitando da crise na Síria, e agora voltaram com os rabos debaixo das pernas, implorando ao Assad pela sua ajuda. Só fortaleceram ainda mais Assad. Pelo menos podemos agradecer por Trump ser tão horrível como político. O mundo só tem uma pequena chance de sobreviver se ele for multipolar, com outras potências crescendo. A queda do império estadunidense é essencial pelo bem estar do planeta

    1. Pois é. Vale a máxima do discurso histórico do Che na ONU: não dá pra confiar no imperialismo “nem um tantinho assim”.

    2. Pois é. Vale a máxima do discurso histórico do Che na ONU: não dá pra confiar no imperialismo “nem um tantinho assim”.

    3. A Turquia jamais permitiria a criação de um estado curdo em suas fronteiras, o que animaria os milhões de curdos que vivem em seu território a tentarem permanentemente a união com seus irmãos da Síria. Não deve ter sido por outra razão que os Estados Unidos tentaram dar um golpe de estado na Turquia, para nela colocar um governo que concordasse com a criação do Curdistão, o que deceparia grande parte do território sírio, fazendo surgir um estado tampão estratégico entre Síria, Iraque e Turquia, dominado pelos Estados Unidos. Trump retira do Norte da Síria as poucas tropas que ainda tinham por lá, certamente porque foi alertado por Erdogan de que a Turquia iria invadir de qualquer maneira, para estabelecer a faixa de segurança de alguns quilômetros que pretende instituir para separar a Síria do território turco e anular o perigo de sua influencia separatista. Seria terrivelmente humilhante para os americanos ficarem isolados e paralisados em pequena ilha cercada de tropas turcas por todos os lados. Isso, se não houvesse por ali algum incidente mais grave. Mas tanto os congressistas democratas como os republicanos são representantes do poderosíssimo sistema industrial bélico dos Estados Unidos, que está vendo no horizonte a perda de bilhões de dólares com a retirada americana. O próprio Trump já declarou à imprensa que está sendo vítima de uma pressão quase insuportável dos guerreiros do Pentágono e do sistema bélico. E já há quem diga que os verdadeiros donos dos Estados Unidos já deram sinal verde para um impeachment bipartidário do Trump, que viria quase por unanimidade.

    4. A Turquia jamais permitiria a criação de um estado curdo em suas fronteiras, o que animaria os milhões de curdos que vivem em seu território a tentarem permanentemente a união com seus irmãos da Síria. Não deve ter sido por outra razão que os Estados Unidos tentaram dar um golpe de estado na Turquia, para nela colocar um governo que concordasse com a criação do Curdistão, o que deceparia grande parte do território sírio, fazendo surgir um estado tampão estratégico entre Síria, Iraque e Turquia, dominado pelos Estados Unidos. Trump retira do Norte da Síria as poucas tropas que ainda tinham por lá, certamente porque foi alertado por Erdogan de que a Turquia iria invadir de qualquer maneira, para estabelecer a faixa de segurança de alguns quilômetros que pretende instituir para separar a Síria do território turco e anular o perigo de sua influencia separatista. Seria terrivelmente humilhante para os americanos ficarem isolados e paralisados em pequena ilha cercada de tropas turcas por todos os lados. Isso, se não houvesse por ali algum incidente mais grave. Mas tanto os congressistas democratas como os republicanos são representantes do poderosíssimo sistema industrial bélico dos Estados Unidos, que está vendo no horizonte a perda de bilhões de dólares com a retirada americana. O próprio Trump já declarou à imprensa que está sendo vítima de uma pressão quase insuportável dos guerreiros do Pentágono e do sistema bélico. E já há quem diga que os verdadeiros donos dos Estados Unidos já deram sinal verde para um impeachment bipartidário do Trump, que viria quase por unanimidade.

  3. A dor de cabeça dos EUA, não se dá pelo massacre de seus “aliados” curdos, das SDF.

    E sim, pelo fato de que a invasão turca, desencadeou um processo definitivo de retomada, pelo Exército sírio, de seu próprio território ao norte e Nordeste que antes estavam controlados, à ferro e fogo, pelas tropas dos “rebeldes” curdos em conjunto com militares americanos.

    Agora estas, para não serem exterminadas, assim como a própria etnia curda, pedem proteção às tropas de Assad. O mesmo contra quem juraram combater, certo dia.

    Ontem foi retomada a cidade/território de Manbij, há alguns kilometros de Aleppo. Ao longo do tempo, serão outras porções ao leste do Rio Eufrates, onde os EUA mantinham suas bases.

    A grande questão é: Os turcos irão parar e se retirar da Síria, assim que empurrarem os curdos para fora da sua “zona de exclusão” ou, vão se instalar permanentemente por lá?

    Não me parece nada inteligente, até porque, teorias da conspiração à parte, a limpeza militar (e étnica) turca acabou favorecendo, também, aos interesses de reunificação dos sírios.

  4. Estilo da diplomacia Bozo (burra, sem noção, mal redigida). Só que de alguém que ter poder nuclear.
    Para os 2 casos – Trump e Bozo – a estupidez foi a razão da eleição e para resolver, parece que a inteligência tb pode resolver.
    Se o povo dos EUA e do Brasil tiverem vergonha na cara, afastam esses 2 jumentos, antes que eles causem mais danos.

    1. Não apenas a estupidez. O preconceito foi importante também. Muitos eleitores não dizem a verdade em relação a seu voto no atual presidente e seus correligionários. A homofobia e o racismo são fatores importantes no voto das pessoas com maior escolaridade.

  5. Sei, não. Nessa guerra contra o estado islâmico, na Síria, na realidade especialistas dizem que a Rússia mostrou-se superior aos EUA na luta com armas convencionais, e como o conflito nem de longe poderia ser solucionado com armas nucleares, o resultado foi mais uma derrota da política de guerra no Oriente Médio. Trump, ao que parece e a seu modo nada convencional, histriônico e ridículo, na realidade está se retirando do conflito na Síria derrotado, e os aliados na empreitada desastrosa que se danem. Claro, que o pentágono tem muito a ver com a decisão.

    1. A guerra na Síria foi a primeira guerra “proxy” da reedição da Guerra Fria que estamos vivendo agora no século XXI.

  6. Espero esclarecer alguns pontos sobre os curdos das YPG (Unidades de Protecção do Povo) ao analisar a política dos curdos de Rojava (não falo da análise da carta do Trump).
    As SDF e as YPG são a mesma coisa. As Forcas de Defesa da Síria -SDF- (aliança de sírios curdos, árabes, assírios, armênios, turcos e circassianos que lutam na Guerra Civil Síria. Fundada por curdos das YPG -majoritários-, árabes de Rojava e ainda Yazadis e cristãos) um arranjo formado para atender a um pedido da OTAN (USA) de forma que não parecesse que a OTAN estava a apoiar um inimigo da Turquia, as YPG. Unidades de Proteção do Povo curdo (YPG), unidades essas que derrotaram o Estado Islâmico.
    São anarquistas de raiz, praticam a democracia radical onde os governantes são eleitos em praça pública, pregam a autonomia da região onde habitam (Rojava) mas não a independência.
    Ou seja, querem governar localmente mas defendem um regime federativo. Não contestam a autoridade do governo central sírio. Acreditam que as pessoas localmente podem resolver seus problemas e sua auto administração.
    Até porque, em um futuro não muito próximo, se houver unificação dos territórios curdos eles terão que conviver em um regime federativo tal a diferença política entre eles (direita no Iraque, esquerda na Síria onde tem parte de direita com o CNC aliado dos curdo do Iraque, esquerda e centro na Turquia, etc).
    Os curdos são a maior nação sem pátria do mundo. São 35 milhões de pessoas que falam a mesma língua, tem os mesmos costumes, praticam as religiões mulçumana sunita, zoroastrismo (curdos Yazadis) e cristãos e habitam região continua dividida entre Turquia, Iraque, Irã e Síria (ainda com forte presença na Armênia e na Geórgia).
    Ao fim da primeira guerra e a queda do Império Otomano, o médio oriente foi dividido e a área anteriormente destinada aos curdos foi dividida entre Turquia, Iraque, Irã e Síria.
    Com a traição de Trump, as YPG se aliam definitivamente a Assad, a Rússia e fazem trégua com o Iran (onde outros curdos lutam por autonomia). Os guerreiros curdos do Iraque são os peshmergas.
    Os USA já deram um tiro no pé ao derrubarem Sadan Hussein e colocarem os xiitas no governo do Iraque, ou seja, colocaram os iranianos xiitas para governar o Iraque.
    Agora entregam seus aliados curdos que derrotaram o Estado Islâmico nos braços de Assad. Sem falar que os curdos tem 70.000 prisioneiros do Estado Islâmico. É só abrirem as porteiras e o caos estará instalado.
    Vale a pena a leitura do professor Reginaldo Nasser: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-64452019000100009#B42

    1. A bem da verdade o Estado Islâmico, que, juntamente com outras milícias terroristas, recebeu todo o apoio da OTAN, foi derrotado pelos sírios fiéis ao presidente constitucional da Síria, Bashar Al Assad com o suporte decisivo da Rússia. A maioria dos sírios é contrária aos separatistas, sejam ele curdos ou de qualquer outra nacionalidade. A Síria pertence aos sírios e a recuperação/preservação do território que sempre pertenceu aos sírios está sendo possível graças ao apoio que a maioria presta ao atual governo sírio.

      1. E por que 70.000 prisioneiros do EI estão sob a tutela dos Curdos? Assad mandou para lá? Quem retomou Raqqa? Kobane? Assad e a Rússia venceram quem queria derrubar Assad. Os curdos nunca quiseram derrubar o governo central. Querem autonomia para sua região, não a independência. Por hora.

        1. Espero que busquem uma solução federalizada e plurinacional. Um etnoestado balcanizado é receita para um desastre.

    2. A bem da verdade o Estado Islâmico, que, juntamente com outras milícias terroristas, recebeu todo o apoio da OTAN, foi derrotado pelos sírios fiéis ao presidente constitucional da Síria, Bashar Al Assad com o suporte decisivo da Rússia. A maioria dos sírios é contrária aos separatistas, sejam ele curdos ou de qualquer outra nacionalidade. A Síria pertence aos sírios e a recuperação/preservação do território que sempre pertenceu aos sírios está sendo possível graças ao apoio que a maioria presta ao atual governo sírio.

  7. Não é de hoje que os EUA usam outros países para manter seus próprios interesses….bem como também é sua prática corriqueira descartar as ferramentas usadas na lata do lixo. Foi o que fizeram no Afeganistão, no Iraque, e atualmente com os curdos e com o patético Juan Guaidó …E com o Bolsonaro..de quem conseguiram a base de Alcantara, apoio incondicional em tudo e em troca deram uma banana no caso da OCDE…..Fazer acordos com TRUMP é o mesmo que acreditar que o capeta vai virar santo…rsrsrsrsrsrsrsrsr

  8. A petulância, prepotência e arrogância da carta em inglês foi demasiadamente atenuada pela tradução.

  9. Arrisco dizer que o destinatário dessa carta não é Erdogan e/ ou o povo turco, mas os estadunidenses e seus aliados (capachos), como o Brasil.

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