Como defender a espionagem na base do “é todo mundo faz”

O colunista Fernando Rodrigues, da Folha, mostra como a mente colonizada da elite brasileira  justifica o injustificável na base do “todo mundo espiona todo mundo, que mal é os americanos nos espionarem?”

Sugere que o Brasil faria o mesmo, se a Abin tivesse o dinheiro e a tecnologia que tem a National Security Agency, a NSA americana.

Rodrigues parece não ter ideia – ou não achar importante – do que é soberania nacional.

O Brasil não foi espiar ninguém em território estrangeiro, nem violar suas comunicações de governo.

Nem sequer monitorou a representação diplomática regular dos Estados Unidos no Brasil.

Investigou uma sala secreta, possivelmente um “aparelho” da CIA, num prédio comercial de Brasília, onde era mantida uma rede clandestina de radiocomunicação, sabe-se lá com que propósito.

Não tem o menor cabimento indagar se  a Abin “resistiria a bisbilhotar a tudo e a todos como faz a contraparte norte-americana”.

Rodrigues sequer esconde com que finalidade faz isso:

“Dilma Rousseff havia tirado a sorte grande com o caso de espionagem dos EUA. Nada mais popular do que uma presidente da República se levantar, indignada, contra a intrusão ilegal dos norte-americanos nos telefonemas privados do governo brasileiro. Quem há de ser contra? Para melhorar as coisas, a petista maquinou uma aliança com a Alemanha na formulação de um plano mundial contra a violação de comunicações.” 

Como é?

Não devemos nos levantar, indignados, “contra a intrusão ilegal dos norte-americanos nos telefonemas privados do governo brasileiro”?

O que isso tem de semelhante com descobrir uma saleta clandestina de rádio da CIA em Brasília?

Nós fomos grampear telefones da Casa Branca?

Montamos, como eles, uma estrutura gigantesca para espiar “a casa dos outros”?

O que Rodrigues faz não chega a ser um raciocínio distorcido.

É puro servilismo, que tenta se justificar com tolices que não resistem a um sopro.

PS. Não tinha visto que a Folha adotou essa como linha editorial e foi “descolar” declarações de “fontes na Casa Branca” para dizer  “que todo mundo se espiona”, que “não há virgens neste negócio”. Devo uma correção, portanto. O servilismo não é de Rodrigues, é do jornal. Ele apenas se presta a assinar embaixo.

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