E quem disse que a festa da morte era “fake”?

Não se perca tempo discutindo se Bolsonaro está “zoando” com o churrasco que diz agora ser fake ou se, pela repercussão, recuou de sua realização.

Numa ou noutra hipótese é um imbecil insensível, um poltrão, alguém tão desclassificado que, nos tempos antigos, mereceria uma sonora bofetada, daquelas que expõe o canalha em praça pública.

Mas se o ex-capitão não cuidou pessoalmente de queimar carne no seu quintal, deixando que permanecesse apenas no simbolismo a imolação e milhares de brasileiros, bandos de açougueiros percorreram avenidas e praças de Brasília hoje, sob a indiferença e até contando com a ajuda de polícias cúmplices, que deveriam estar fazendo valer as leis que proíbem aglomerações durante a pandemia.

Um experiente colega jornalista, veterano na capital federal, descreve as “providências” que a Polícia Rodoviária Federal – Ministério da Justiça, portanto – tomava para receber os enlouquecidos integrantes de uma “Caravana da Morte”.

Nem se todos usassem máscaras – e a maioria não usava – se poderia deixar de ver o ódio nas suas faces idiotizadas, no festim diabólico que fazem, toda semana, às portas de seu Satã.

São, metáfora precisa de Sérgio Augusto, hoje, no Estadão, os morlocks de HG Wells em seu futurista (será?) A Máquina do Tempo: zumbis cegos e canibais.

Reações?

As tímidas, também de sempre, dos presidentes da Câmara e do Senado, decretando luto oficial pelos dez mil brasileiros mortos. Pode-se ler a bandeira a meio-pau como um pedido de desculpas covarde às dezenas de milhares de outros que irão.

Na imprensa, um coro vazio, condenando a brutalidade de quem sabiam bruto e, aberta ou dissimuladamente ajudaram a levar ao poder, ora dizendo que as as instituições o domariam, ora com os borzeguins ao leito de uma autocrítica que não conseguem aplicar a si mesmos, mesmo diante dos efeitos genocidas de suas opções.

A reação das ruas, inviabilizada por esta epidemia maldita, é uma incógnita, mas certamente será mais fraca e mais triste num país que, agora, colhe a safra de estupidez e brutalidade que com tantas mãos foi semeada.

 

 

 

 

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15 respostas

  1. Ressalte-se a bandeira de Israel na foto. Onde aliás Bolsonaro foi se batizar antes das eleições e encontrar-se com Netanyahu, seu guru, exterminador de palestinos.

  2. O cara além de psicopata é sádico.
    Só isso pode explicar essas vontade de agredir e chocar as pessoas.

    1. A investida dos olavistas para fechar o Supremo foi um fiasco. Mas é impossível ao país deixar barato a publicação de um vídeo em que um desaforado de meia idade chama os ministros do STF de bandidos e narcotraficantes. Se um adorador do Olavo como esse sai por aí de camiseta com a inscrição “Soldado do Brasil” a dizer essas coisas por meios públicos, isso equivale a colocar minas de alta potência dentro e em redor das mais altas instituições do país. O objetivo de treinar e soltar pelas ruas gente como essa é sem dúvida a destruição do Estado Nacional.

    2. A investida dos olavistas para fechar o Supremo foi um fiasco. Mas é impossível ao país deixar barato a publicação de um vídeo em que um desaforado de meia idade chama os ministros do STF de bandidos e narcotraficantes. Se um adorador do Olavo como esse sai por aí de camiseta com a inscrição “Soldado do Brasil” a dizer essas coisas por meios públicos, isso equivale a colocar minas de alta potência dentro e em redor das mais altas instituições do país. O objetivo de treinar e soltar pelas ruas gente como essa é sem dúvida a destruição do Estado Nacional.

  3. O cara além de psicopata é sádico.
    Só isso pode explicar essas vontade de agredir e chocar as pessoas.

  4. Vivi pra ver o herói dos coxinhas, o super-homem (em minúscula mesmo) da direita, ser alvo da horda selvagem que o idolatrava. Não tem preço!

    1. Brito está correto, caro Paulo: o sujeito da frase é a safra. A safra foi semeada.
      Mais um texto brilhante!

      1. Acho que você não se atinou para o sentido “real” do que expressei.
        Por favor, relei-a, soletrando sí-la-la a sílaba., especialmente “podres”.

  5. Não é ex capitão, é ex tenente. Recebeu a patente de capitão quando deu baixa por uma dessas práticas babacas de corporativismo

  6. O fanatismo político e religioso tomou conta de pessoas no Brasil. E quem apoia esse desgoverno reflete bem isso.

  7. Vou torcer para que o máximo deles se contaminem. E torcer mais ainda, ao saber que estão nas portas de hospitais implorando por um respiradouro que já estão sendo usados.

  8. Tudo o que Israel não precisava neste momento histórico é de que sua bandeira fosse escolhida como um dos principais símbolos dos fascistas brasileiros.

  9. “mas certamente será mais fraca e mais triste num país que, agora, colhe a safra de estupidez e brutalidade que com tantas mãos foi semeada.”
    Cirúrgico, caro Fernando.
    Muito triste.
    Tristíssimo !

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