Esperando a morte chegar, Bolsonaro quer o espólio do Brasil

Raul Seixas, que tinha suas loucuras mas não era jamais um psicopata, escreveu, em 1973, a música Ouro de Tolo, um de seus primeiros grandes sucessos, num compacto (alguém se lembra dos compactos?) com Paulo Coelho, seu parceiro.

Nela, o ‘maluco beleza’ dizia que devia estar contente “por ter conseguido tudo o que eu quis”, mas confessa, “abestalhado”, que está decepcionado “por que foi tão fácil conseguir” e pergunta “e daí?”. Responde a si mesmo que “Eu tenho uma porção de coisas grandes pra conquistar/ E eu não posso ficar aí parado”.

Ficar parado, com a boca cheia de dentes, esperando a morte chegar.

Pois ainda que sendo Raul completamente inocente desta previsão, está assim o psicopata que ocupa o Planalto.

O cargo caiu-lhe no improvável colo por uma mistura de fanatismo político, fundamentalismo evangélico, boçalidade em alta, polícias milicianizadas, judicialização obtusa da política e a frustração de uma crise econômica que seguiu-se a uma década de crescimento e afluência como poucas vezes teve o Brasil.

Elites fracas, burras e sem projeto de país que vá além de sua ostentação, apadrinharam-no e, como escreveu Raulzito, não lhe faltaram “doutor, padre ou policial que está contribuindo com sua parte para nosso belo quadro social”.

Caiu-lhe do céu – ou brotou-lhe do Inferno, mais provável – a ajuda de outro maluco nada “beleza” que providenciou a providencial facada, ajudando a formar o “mito”, o que ia nos salvar dos “demônios vermelhos”, um tanto gays e lésbicas, decerto maconheiros e promotores de orgias nos jardins de infância.

Foi, afinal, “tão fácil conseguir”. Mas não podia livrar-se de se ” olhar no espelho e se sentir um grandessíssimo idiota” e saber “que é humano, ridículo, limitado e que só usa 10% de sua cabeça animal”.

Dispensa narrativas seu fracasso como condutor de uma nação. Assim também o seu permanente flerte do a morte: armas liberadas, eliminação dos radares rodoviários, fim da cadeirinha infantil e dos exames toxicológicos para motoristas de carretas rodoviárias.

Mas veio a pandemia, a praga como as do Egito, ceifando vidas e o que ocorre

O nosso reverso de Moisés viu a chance de tornar-se mais que um homem de sorte, de se transformar em um rei, de fato, capaz de instaurar uma dinastia de imbecis, já que a prole é, por gosto e emprego, tão imbecil quanto ele.

Tem a matéria-prima para isso: é o ungido para sua vara de alucinados, seus argumentos baseiam-se na sua torta fé, não na razão, tem sua guarda pretoriana verde-oliva e, agora, tem a morte, a fome, a miséria extrema para compor o cenário devastado de sua marcha.

Como Moisés ao reverso que é, porém, sua terra prometida é o cativeiro e a servidão ao faraó que… bem, deixo que a imaginação te responda em laranja.

Jair Bolsonaro crê-se rei e pensa em reinar sobre a devastação. Os senhores que o puseram no trono, porém, já não o sustentam e suas legiões fanáticas estão longe de serem o bastante para sustentá-lo, por mais que as mande rosnar nas ruas.

Outras legiões, estas sim, poderosas e bem armadas, que apenas esperam para dizer que um país em convulsão – aquela que ajudaram a provocar – as está chamando.

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9 respostas

  1. Tomando de empréstimo e modificando um pouquinho duas frases e dois gênios cariocas: “Aos vencedores ….”, agora, nem “…as batatas”, apenas “colhem o deserto que é todo” deles.

  2. Só muita dor para repor alguma dose de juízo na mento do povo brasileiro.
    Esses seguidores de Jesus que o confundem com mamon, não só desgraçam os usa, como estão se espalhando pelo mundo todo. ESSE É O VÍRUS MAIS PERIGOSO, A IGNORÂNCIA !

  3. Penso que BOLSONARO esta fazendo um cálculo lógico, o de que os vitimados pela CRISE e pelo desemprego serão em NÚMERO muito maior do que os mortos que, até 2022, estarão escondidos em estatísticas e compêndios.
    Por diversas vezes as correntes progressistas, SEM NECESSIDADE, usaram e abusaram da dicotomia na política, esta que a partir de 2015 acabou por fazê-los vítimas.
    HOJE, diante desta pandemia, num discurso absolutamente CORRETO, que preza pela VIDA, fora de terem pressionado por benefícios a serem bancados pelo GOVERNO FEDERAL, estas correntes abandonam muitos outros aflitos (micro, pequenos e médios empresários e todo um contingente de informais) eles que estão ficando sem perspectivas pra suas próprias vidas, e é nesse contingente de desesperados que BOZO esta plantando suas sementes, inclusive profetizando o óbvio sobre a crise que já chegou, e sobre ele ser “efetivamente” quem estaria pagando tais “benesses”.
    Um indicador foi mostrado no JN, ele que dá sinais de que o céu não esta tão pra brigadeiro como muitos supõem.
    A pesquisa do DATAFOLHA cravou que 64% acham o desempenho do BOZO ótimo/bom,regular ou não sabem, ou seja, número muito próximo do eleitorado de BOZO, mais os votos inválidos, que dava 68%.
    EM outra pergunta, 56% ainda acham que BOZO tem capacidade pra liderar o Brasil, um número que a mim espanta muito mais do que se confrontado com a qdade de GOSMA infectante que já foi espalhada por esse Palhaço presidente pelo país.

  4. Romaneli, voce tocou num ponto crucial. Se a ala progressista quiser voltar tem que ajustar o discurso, tem que ter cautela para falar de empresários, porque os (empreendedores) se identificam com eles. E convenhamos as condições para se empreender no Brasil são no mínimo sabotadas. Em fim, não se pode convencer grande parte dos eleitores, que é melhor arrumar um emprego, porem é bem possível leva-los a apoiar políticas fundamentais, como a volta do refino do petróleo pela petrobrás para baixar o preço dos combustíveis, para os uber.

  5. Não há o que não se descubra. Descobriram que o ministro da saúde compareceu a uma festa de ex-colegas de faculdade no Clube dos Macacos na Zona Sul em 2019 fantasiado de Capitão América, e há fotos para comprovar isso. Por que Capitão América? Pode não significar nada. Pode até ter sido a última fantasia que sobrou na loja. Mas acontece que o Diabo se esconde nos detalhes.

  6. Se, em 2018, o “risco bolsonaro” gerou um “adelio”, porque é que agora, com um risco imensamente maior não aparece mais nenhum “maluco” pra “terminar o serviço”? Essa ausência pode ser a evidência que faltava para mostrar a farsa da facada.

  7. Não há o que não se descubra. Descobriram que o ministro da saúde compareceu a uma festa de ex-colegas de faculdade no Clube dos Macacos na Zona Sul em 2019 fantasiado de Capitão América, e há fotos para comprovar isso. Por que Capitão América? Pode não significar nada. Pode até ter sido a última fantasia que sobrou na loja. Mas acontece que o Diabo se esconde nos detalhes.

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