“Estado de emergência” para Bolsonaro tentar se reabastecer de votos

Os jornais anunciam que, semana que vem, o governo vai propor seu grande programa para reeleger-se.

Passa a R$ 600 mensais o “Auxílio-Brasil” e pagará um “vale-caminhoneiro” de R$ 1 mil para que os transportadores autônomos possam suportar os aumentos do óleo diesel.

Claro que o Congresso aprovará as medidas e, para driblar as leis que impedem a distribuição de recursos públicos em período eleitoral, far-se-á a decretação de “estado de emergência” até o final do das eleições, digo, do ano, para que não se dê a isso o nome que isso tem: tentativa de compra de votos.

É óbvio que ninguém vai colocar o pescoço de fora para dizer que é ilegal, porque a máquina bolsonarista transformaria isso em “ser contra os pobres” ou “ser contra os caminhoneiros”. E se a Justiça bloquear a fraude evidente, vai se expor a facilitar o golpe contra um poder desarmado.

A questão restante é o quanto isso funcionará, se vai ter força para influir na decisão do eleitor mais pobre.

Tudo, até agora, indica que não: Bolsonaro tem, no ultimo Poderdata, apenas 28% dos votos de quem recebe os atuais R$ 400 do “Auxílio-Brasil”, ante 45% que escolhem Lula.

Entre os caminhoneiros, depende de como vão se comportar os preços do diesel, porque os R$ 1 mil, com o preço médio do diesel ficando, nesta semana pós-reajuste em R$ 7,30, dará para menos de meio tanque do combustível de um caminhão grande.

Corre o risco do “vale” ser menor que o gasto extra que outro aumento (inevitável, nas condições atuais). O UOL, esta tarde, já ouviu caminhoneiros e só escutou um “não vai dar para nada”.

Em tudo, aliás, as medidas do governo soarão como uma desistência de conter a escalada dos preços, com seu efeito devastador sobre o eleitorado de classe média que é, afinal, onde ainda se sustentam os índices de intenção de voto.

A turma do mercado, com sua ladainha da austeridade fiscal, porém, esta permanece firme como gado, ainda que a vaca esteja indo para o brejo.

 

 

 

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