EUA, 30 mi de desempregados. Para que serve o dado do IBGE, aqui?

Os números do IBGE sobre o desemprego, divulgados hoje, fazem parte da coleção “me engana que eu gosto”.

Dizer que o Brasil perdeu 1,2 milhão de empregos, mesmo considerando apenas os dias iniciais de isolamento, em março é a “antiestatística”, aquela que faz você acreditar que um leão é um gatinho porque o olha de longe.

E assim é porque a indagação que classifica como desocupadas as pessoas sem trabalho “que tomaram alguma providência efetiva para consegui-lo no período de referência de 30 dias e que estavam disponíveis para assumi-lo na semana de referência”.

Sinceramente, os que foram demitidos assim que as lojas e empresas fecharam com a quarentena saíram pela rua procurando um novo emprego, batendo nos portões de aço fechados?

Hoje saíram os dados do seguro-desemprego nos EUA e mais 3,8 milhões o solicitaram na última semana, totalizando 30 milhões nas últimas 6 semanas.

Veja o salto no gráfico acima, no The New York Times.

Simplesmente 20%, quase, da força de trabalho norte-americana, de pouco mais de 150 milhões de pessoas. E alguns estudos de instituições de estudos e universidades dizem que os números reais são ainda maiores.

Será que houve no Brasil um milagre de que o desemprego seja só uma “marolinha”? Evidente que não e, mantendo a rotina da série histórica, é evidente que o IBGE deveria ter incluído questões sobre perda de emprego, do contrário o resultado, em lugar de esclarecer o tamanho do problema, ajuda a camuflá-lo.

Já escrevi, faz tempo, que os indicadores econômico-sociais passariam a merecer muito pouca credibilidade.

Em matéria de fantasia otimista, bastam os casos e mortes do novo coronavírus.

 

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