Os generais da mortandade

Em nota, a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, a mais importante associação científica do país, advertiu o sr. Nélson Teich, a sombra que ocupa o Ministério da Saúde, de que “se nada for feito nos próximos dias, os pronunciamentos do Ministério da Saúde se resumirão a informar o número de mortos”.

Domingos Alves, coordenador do Laboratório de Inteligência em Saúde da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, da USP, diz que “não estamos nem perto de um pico de casos de doença e morte. Estamos no começo de uma curva ascendente livre, leve e solta para o coronavírus no Brasil”.

Hoje cedo, na Globonews, o infectologista Davi Uip, concorda e diz que este pico “pode ser o Everest”, referindo-se à montanha mais alta do mundo.

Seja para onde se olhe, estamos perdendo a guerra contra contra o Covid-19 e, literalmente, a culpa desta massacrante derrota é dos nossos generais, tanto os civis quanto os militares.

Estimulam e patrocinam a quebra de nossa única linha de defesa, o distanciamento social E como se mandassem seus soldados levantarem-se das trincheiras e morrerem pela necessidade de que o comércio aufira a magra féria da crise, Convocam-nos para formar, em campo aberto, uma fila do rancho magro nas agências da Caixa à disposição do vírus.

Começaremos a semana ingressando na segunda dezena de milhares de corpos.

Mesmo diante desta constatação, a esta altura óbvia, as ruas se enchem e as parcas restrições de transito de pessoas tomadas por governos estaduais e prefeitos acabam por não se impor, por não terem meios ou disposição de fazê-lo.

Basta sair à rua e ver que isolamento e distanciamento são palavras ficcionais.

As mortes, porém, não serão.

 

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