Guedes e sua quarentena

O ex-Posto Ipiranga Paulo Guedes transformou-se, à vista de todos – a aos olhos do mercado, que são os que lhe importam – numa peça inútil.

Ao contrário do comercial, ali não se encontra nada.

A única providência expressiva é uma pouco mais do mesmo, a antecipação em três meses do pagamento do 13° de aposentados e pensionistas, um pastiche das liberações de FGTS e de PIS que vêm sendo usadas como “calmantes” para o estresse recessivo.

Até os mais obtusos mercadistas, a esta altura, sabem que o organismo econômico precisam é do antibiótico do investimento, porque o perigo é uma recidiva do desemprego, causado pelo inevitável baque nas atividades que virá quando o Brasil repetir, como repetirá quase que certamente, o que se passa pelo mundo.

E investimento e papel de protagonismo do Estado neste é, na bíblia de Paulo Guedes, uma heresia.

A entrevista de Rodrigo Maia à Folha, dizendo que “Plano de Guedes tem ‘quase nada’ para combater crise do coronavírus” é o maior sinal de que o Ministro da Economia foi à condição de isolamento.

Com o mercado, com os políticos e, mais grave, com seu avalista, Jair Bolsonaro.

Nenhuma dúvida que a solução simplista, neste momento, são as isenções tributárias, e de que romarias de empresários se formarão a pedi-las ao Planalto.

E Jair Bolsonaro, como qualquer medíocre espertalhão, odeia o Fisco.

O Tesouro sempre foi a galinha dos ovos de ouro e, agora, facas se voltam contra ela, com a simpatia presidencial.

E lembrem-se: Bolsonaro precisa sempre exibir cabeças cortadas para mostrar que manda.

Na linguagem médica, tão em voga, Guedes tem altas chances de “evoluir para óbito”, assim que houver alguém para colocar em seu lugar.

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