Guedes, o cínico, diz que quer sonegar futura herança. E daí?

O depoimento de Paulo Guedes na Câmara do Deputados, até agora, foi essencialmente a confissão de que se serviu de uma evasão de divisas para fugir de um imposto.

A saída de US$ 9,55 milhões, neste momento equivalentes a R$ 54 milhões, justificada como forma de “escapar” do imposto sobre heranças – no Brasil e nos Estados Unidos – equivale, de fato, a uma sonegação de impostos, porque não é de fato um investimento no exterior, que pudesse produzir efeitos, mas um simples truque para não pagar impostos devidos em seu país ou, no caso de bens no território norte-americano, dos tributos dos EUA.

Que, aliás, são muito mais pesados lá (quase a metade dos valores herdados, embora haja mecanismos legais para reduzir muito estes calores, com doações em vida)) do que aqui, onde se paga de 2 a 8%. Em São Paulo, 4%.

Se Guedes considera injusto que se pague importo sobre transmissões de bens, tinha todoo poder para ser sugerido mudanças nisso, como fez em tantos outros impostos. Enfrentaria, é claro, o ônus político de esvaziar uma importante fonte de receitas públicas, baixando ou anulando um dos tributos sobre heranças mais baixos do mundo.

E, certamente, teria o apoio de sue chefe, Jair Bolsonaro, um dos maiores defensores dos “bens de família”.

Aliás, está gravada a declaração do Mito dizendo que “sonega tudo o que puder” em matéria de impostos. Deve estar orgulho de seu ministro.

É uma vergonha que se defenda a fuga de um importo que taxa aquilo que se ganhou ou se vai ganhar sem trabalho ou esforços, como o que eu e você pagamos, sobre a renda do trabalho e não se queira que paguem os que são beneficiados pela transmissão por herança.

Pior ainda quando se exporta a fortuna como uma simples reserva de valor que se maquia numa empresa que, embora registrada em papéis, nem sequer existe, como a de Guedes.

Um ministro de Estado que admite, orgulhosamente, que frauda maneiras de escapar das regras que ele próprio estabelece é pio que um sonegador qualquer, que tenta fugir de regras alheias.

Mas, aqui, esperteza é a regra do dinheiro.

 

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