Inflação de dois dígitos veio para ficar

A marca de 1,17% do IPCA-15, divulgada há pouco pelo IBGE – a maior da série histórica para o mês, desde 2002 – mostra que a inflação não vai dar trégua tão cedo.

Com o acumulado em um ano chegando perto dos 11%, e terminando o ano-calendário perto desta marca, a perda de valor da moeda vai sendo empurrada para aquela situação bem conhecida pelos mais velhos de que a inflação se retroalimenta.

Vejam, como já se tinha dito aqui, o reajuste das mensalidades escolares onde um levantamento publicado pelo G1 indica que nada menos do que 70% dos estabelecimentos escolares vai praticar reajustes nas mensalidades acima de 7%.

Não há como pensar que vá ser pequeno o impacto, em janeiro, do reajuste do salário mínimo, na faixa de 11%, porque se reajusta pelo INCC, que está um pouco acima do IPCA, pelo padrão de consumo dos mais pobres (até 5 salários mínimos) estar sendo mais duramente atingido pela inflação.

Também não houve alívio na pressão cambial – há dias o dólar ronda. pouco abaixo ou pouco acima os R$ 5,60. E o fluxo de investimentos no país caiu fortemente, ficando, em outubro, a US$ 2,5 bilhões cerca de 20% menor que mesmo mês do ano passado e atingindo o pior resultado para o mês desde 2009, quando a crise do subprime fez cessarem os fluxos internacionais de capitais.

Não é apenas o Natal que será magro, é a tendência que esta situação traz para 2022.

Do ponto de vista da economia, provavelmente, um infeliz ano novo.

 

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