Instituições não resistem ao caráter de seus membros

A Folha conta o óbvio: que o procurador-geral da República, Augusto Aras, movimenta-se para agradar Jair Bolsonaro e conseguir a vaga de ministro do STF que já foi o objeto do desejo de Sergio Moro.

Era o movimento previsto no tabuleiro, desde que ocupante do Planalto referiu-se à escolha do procurador como sendo a decisão sobre quem seria “a rainha” no jogo de xadrez do poder.

Agora é a hora de Aras exercer o duplo papel da peça do enxadrismo: defesa do rei e ataques fulminante às posições do adversário, neste caso o próprio Moro.

Sem o poder, Moro tem poucas peças e a duvidosa lealdade de seus peões da Polícia Federal.

Suas posições são fracas e nem mesmo com a total solidariedade em seu castelo, a mídia, ele mantém. Os antigos adoradores do “Super-Homem” mostram que, majoritariamente, bandearam-se para o “Coisa”.

Em tese, os poderes que Bolsonaro teria reivindicado – o de demitir do diretor-geral da PF e o próprio Ministro da Justiça – a ele pertencem legalmente.

Os palavrões, grosserias e imbecilidade da tal reunião, embora possam atrair a curiosidade e até ofender a um ou a outro, ficarão na gaveta do “não vêm ao caso”, porque são provas apenas do crime de estupidez, não capitulados nas lei e de uma quebra de decoro que, embora prevista, não será motivo de perda do cargo para alguém que, desde há muito, é o indecoroso em pessoa.

Está desenhado, com todas as tintas da imundície, que nem Judiciário, nem Ministério Público e muito menos o Poder Executivo resistem à falta de caráter de seus integrantes, porque todos se garantem pelo corporativismo e pela politização que vira partidarismo.

Do ponto de vista institucional, invertemos para o retrocesso os “50 anos em 5” que serviu de slogan a Juscelino Kubitschek.

Num pais atônito pela reclusão e pela dor, os canalhas movem suas peças num jogo onde quem mais perde é a democracia.

 
 

 

 

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9 respostas

  1. Quem apoiava Moro, além dos próprios bolsonaristas quando o tinham como aliado/cúmplice, não era gente de bem. Eram, acima de tudo, antilulistas, antipetistas e antiesquerdistas que sempre colocaram seu ódio ou preconceito contra Lula, PT e esquerda acima do respeito pela justiça. Sempre souberam que Moro não tinha nada de juiz honesto, era apenas um juiz que compartilhava dos mesmos ódios que eles e passava por cima da lei para prejudicar as vítimas do seu ódio. Se Moro não é mais juiz, nem ocupa uma posição onde possa perseguir seus inimigos, não presta para nada. Muito cedo vai perder todos os seus admiradores.
    Quanto a essa cambada de oportunistas que para agradar bolsonaro pisa na Democracia e no Estado de Direito, estão se arriscando demais. Bolsonaro não vai se manter no poder por muito tempo. E quando cair, vai levar junto todos os “espertos” que acharam que iam se dar bem trabalhando para ele. Quando a poeira abaixar, quem vai confiar em alguém que se uniu a bolsonaro? Vão acabar fodidos e mal pagos.

  2. Nosso retrocesso não é de apenas 50 anos, é de quase 100. Estamos assistindo a restauração da velha república, tempo em que o brazil era agrário, em que o trabalhador não tinha direitos e tudo era feito em favor dos ricaços.

  3. A Folha atira no Aras porque quer atingir o genocida.
    Nada que não seja verdade,num jogo sujo, previsto e costumeiro em se tratando destas lacras que tomaram o poder.
    ,

  4. Só o PT mesmo pra acreditar que as insituiç?es seriam republicanas em um país que, como diria Mino Carta, nunca saiu da idade média.

  5. Como sempre, uma crônica perfeita, quando o assunto é política. Foi no ponto exato, que é nossa trágica derrota diante da barbárie. Não existe NINGUÉM com poder, que pretenda usá-lo para cumprir a lei, em última análise para o bem do Brasil e seu povo. Temos uma declaraçãozinha aqui, um mimimi ali, uma cara de desaprovação acolá e mais NADA. Ninguém ergue um dedo contra o monstro que destrói o país porque, no fundo, TODOS preferem ele à volta do PT. Ou de forma mais exata, todos preferem o monstro ao projeto de menos desigualdade social.

  6. Platão, Maquiavel e Montesquieu detalharam em minúcias essa obviedade.
    Só não sei se chegaram a ver em suas épocas algo tão bizarro e destrutivo para um país como o brazil pós golpe de 2016.

  7. Do ponto de vista político pertenço a uma geração que viveu e foi marcada por um longo, tortuosos, incompleto processo político que passou a ser conhecido e chamado de Transição Democrática. Num país como o nosso em que os termos e as coisas que se quer nomear estão normalmente “fora de lugar” ou de contexto quando não em contraste fragrante com eles, este nome está razoavelmente em linha ou acordo com o processo histórico real que vivemos. Para demonstrar essa confusão, podemos dizer que somos de um modo ou de outro filhos de uma “Revolução”, isto é, um Golpe de Estado, já que todos nós nascemos um pouco antes ou pouco depois do Golpe de 1964, que pôs fim a um destes breves “hiatos” republicanos ou “exceções” democráticas de nossa história, e que recolocou o país em seu abominável calce “natural”. A maioria de nós tínhamos uma espécie de “memória emprestada”, “de leitura” do que significava este “original” processo, bem brasileiro, de “escolher os governantes” por meio de Golpes de Estado e de grandes transações. Para nossa desgraça imaginávamos apenas que essa transição de uma sociedade ou ordem excludente, oligárquica, autoritária e anti-democrática era apenas uma obra incompleta. Mesmo sabendo que o Golpe de Estado estava profundamente arraigado em “nossa” “tradição” política, parece que nutrimos uma ilusão de que ainda que demorasse conseguiríamos se não levar a cabo e ver terminada essa tarefa pelo menos ver encaminhada por fim essa Transição. O Golpe de Estado de 2014-16 tem sido para a minha geração a mais dura lição de nossas vidas. É como descobrir que estamos presos num processo circular nas três formas de governos degradados ou corruptos segundo a famosa teoria das formas de governo: a demagogia (que é a forma degradada de república democrática), a oligarquia (que é a forma degradada da aristocracia) e a tirania (que é a forma degradada da monarquia). Toda vez que conseguimos avançar em um processo de transição da ditadura para a democracia, somos uma e outra vez surpreendidos pelo eterno retorno ou pela “viagem redonda” do que parece ser o inescapável destino de uma sociedade excludente e exclusiva, uma política marcada pelo autoritarismo e pela violência, uma economia incapaz de oferecer o desenvolvimento e o bem estar a seus cidadãos. Enfim, uma verdadeira tragédia simultaneamente vivida em primeira pessoa e de forma coletiva.

  8. A afirmação do século:

    “Está desenhado, com todas as tintas da imundície, que nem Judiciário, nem Ministério Público e muito menos o Poder Executivo resistem à falta de caráter de seus integrantes…” Né não?

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