Jair, quem fala o que quer, ouve o que não quer

Jair Bolsonaro, há meses, tentou criar um clima de pânico, dizendo que a eleição da chapa Alberto Fernández-Cristina Kirchner lançaria a Argentina numa crise “venezuelana” e que não queria massas de argentinos fugindo do país, com candidatos de esquerda no poder.

Deu chabu e agora, não pode reclamar do “troco” que o vitorioso Fernández deu, pedindo a liberdade de Lula.

Vento que venta lá, venta cá, presidente. Agora não dá para dizer que “é uma afronta” ao Brasil, porque será então “uma afronta à Argentina”

E olha que ele não está dizendo em quem os brasileiros devem ou não votar.

Ninguém tem dúvidas de que, no mundo, Fernández tem tudo para ganhar protagonismo e simpatia.

E, portanto, também ter este papel principal na América do Sul, desbancando o “Trumpinho” – como chama Bolsonaro a mais importante revista alemã Der Spiegel.

É, aliás, o que ele fez questão de significar, desde o início, quando das bravatas, a custo contida pelos militares, de fazer uma intervenção militar na Venezuela.

Agora, a maré virou nos vizinhos: vitórias da esquerda na Argentina e na Bolívia, derrota do direitismo de Álvaro Uribe na Colômbia, crise no Equador e no Chile, que têm formado com Bolsonaro nas questões internacionais e um favoritismo do Partido Democrata nos EUA que aconselha, no mínimo, prudência, tudo se conforma em sentido inverso daquele em que o ex-capitão pontificou como “xerife” nos primeiros meses do ano.

Ele mesmo quebrou as regras. Agora, não adianta reclamar.

 

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12 respostas

  1. Quem viu o pomposíssimo Jair aos microfones explicando que lamenta a decisão do povo argentino nem imagina que ele não é presidente, ele está presidente. O medo da virada da maré pode não estar em sua fala tosca, mas está em seus olhos de fantoche.

  2. Sei que toda a crítica,aqui e acolá,tem suas repercuções,contudo acho que se deveria focar mais,as críticas,nesse mundo de imbecis que votaram nesse traste.

    1. Irrecuperáveis, sim. O déficit cognitivo deriva de um problema genético com um amalgama de caráter.

  3. Argentina, Chile, Peru, Bolívia, Colômbia e está o Uruguai também. Então se juntarmos Venezuela, ai sim o caldo entorna.
    Se segurem cambadas de FDP , o Lula tá chegando.

  4. Um aperto de mão de bozo, uma foto e basta para o camarada entrar em desgraça, claro, sendo o Bozo a própria desgraça humana é a consequência natural. Não resta dúvida que é o mick jagger da política, o famoso pé frio. Quem, em sã consciência e com o mínimo de caráter, quer posar ao lado de um defunto ambulante como o Bozo. Os argentinos deram uma lição que, no Brazil, será, também, aprendida a duras penas, com espoliação total de nossos diretos, ativos públicos e soberania: o neoliberalismo é um fracasso total e deve ser estirpado da América do Sul.

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