Janot: do tudo ao menos que nada

Poucas vezes uma imagem terá sido tão simbólica quanto a captada ontem por Marcelo Chello, da Folha, no lançamento do livro Nada Menos que Tudo, tragibiografia funcional do ex-procurador Rodrigo Janot.

Quase ninguém foi e, talvez, dos que foram, a alguns tenha levado a morbidez.

Solidão é pesada, destas que rasgaria por dentro qualquer um.

Mas que capeia um livro muito mais importante do que que a vaidosa narrativa que Janot faz de si mesmo.

A história de quem se embriagou com o gim da vaidade, que teve a mente turvada pela ambição, cegou-se pelas luzes da mídia , que traiu, miseravelmente, tudo aquilo em que um dia acreditou e que jurou servir e, afinal, vê-se como um pária, um resto humano de quem todos querem distanciar-se.

Janot, tão convencido estava de ser a “esperança do Brasil” com que se exibiu, um dia, inebriado, é uma imagem de um Dorian Gray às avessas, onde o desvario do personagem acaba por desabar sobre o próprio ator.

Ou uma encarnação do verso de Augusto dos Anjos, o “acostuma-te à lama que te espera”.

Ele, que nos fez perder muito, que não nos faça perder também o pudor em ver alguém morrer em vida.

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