Juízes brasileiros viram a ruína do Direito

Numa entrevista dada por ocasião de sua aposentadoria do STF , o ex-ministro César Peluso diz que vem de uma cultura em que “juiz não fala, juiz escreve e assina”.

De lá para cá, muito mudou.

Joaquim Barbosa exibia-se para os holofotes; Sergio Moro desfilava em eventos do high-society, entre prêmios e comendas; Marcelo Bretas, depois de comer pipocas no cinema com eu mentor, posava com fuzis e halteres.

Bem mais franzino, o desembargador Victor Laus, presidente do TRF-4, depois de ter sido um dos algozes de Lula na 2a. instância, agora lança um novo tipo de exibicionismo: a “jurisprudência imobiliária”, alegando que a presença do ex-presidente na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, “está desvalorizando os imóveis da região”.

Se eu não tivesse visto, não acreditaria que um desembargador federal pudesse dizer uma sandice deste naipe.

Isso é tudo o que Sua Excelência tem a dizer sobre o debate a respeito de um preso recusar-se à progressão de regime penal se considera que ela exige dele uma humilhação pública que não está disposto a aceitar?

Para completar, o STF proporciona o espetáculo de reconhecer que a ampla defesa é um direito constitucional essencial, mas só para quem pedir que seja respeitado.

A espetacularização que os juízes puseram-se a procurar como regra – sem, sempre existiram os casos “folclóricos”, que logo caíam no repúdio público – está destruindo a respeitabilidade da magistratura, como a fúria moralista do Ministério Público elevou os procuradores da República aos píncaros do heroísmo para, em seguida, fazê-lo desabar no pântano das ilegalidades, dos negócios de enriquecimento privado e na desconfiança pública.

Um processo de desmoralização que leva ao paradoxo que se assiste no dia de hoje: nenhum dos principais jornais do país repercute a declaração do presidente do Supremo Tribunal federal em que diz que descobriu-se planos de atentados terroristas contra a Suprema Corte brasileira.

Chegou-se ao ponte de que nem dizendo isso os juízes são levados a sério.

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16 respostas

  1. Provérbio Romano adaptado para tempo de golpe e lava jato: “À mulher de César não basta ser desonesta, deve parecer desonesta”.

  2. a conduta errática, fora da lei e espetaculosa desagrada “gregos e goianos”, sem contar a descrença aprofundada na justiça. Um terror

    1. Fácil de resolver, vocês lembram de que Çupreminho” tinha um general como secretário, então já que está desmoralizado como esta se tornando o “çupreminho” de m, então porque não chamam o Quincas Caifais para ocupar o cargo do general???? .Será do tamanho real do “çupreminho”. Tudo desmoralizado.

  3. A célebre indagação de Bertolt Brecht: “Que tempos são estes, em que temos que defender o óbvio?” poderia ser dirigida a todas instâncias do judiciário, do escrivão,ao ministro do stf, passando por esses procuradores e desembargadores lavajatistas.
    O fascismo latente saiu de suas entranhas como um allien pronto pra impor a negação do estado de direito pra população em geral.
    Nunca os capitães do mato foram tão numerosos e com tanto poder.

  4. Tempos tragicômicos.
    Presidentes, ministros, juízes, tudo louco, parece que ser normal se tornou anormal.
    Quando será que isso vai acabar, se é que vai?

  5. A “vanguarda justiceira”, encabeçada pela dupla Moro-Dallagnol e secundada por desembagrinhos e sinistros do STF, não apenas desmoralizam o Judiciário, mas solapam o próprio sistema de justiça. A percepção pública é de que um general desconhecido comanda o Judiciário, ao arrepio da lei. E ministros amedrontados restringem-se a dizer amém, num espetáculo deplorável de covardia e conivência com a imolação de cidadãos “indesejáveis”.

  6. Assustador mesmo é alguém ainda acreditar que a nossa justissa(PHA) vá soltar o Lula sem que o povo vá para as ruas disposto a quebrar tudo.

  7. Estive na superintendência da PF em Curitiba quando Lula completou um ano de cárcere privado. Comprei uma pamonha de um ambulante que estava por lá. Eu falei pra ele: “O Lula traz muito dinheiro aqui pra vocês” . Ele me respondeu: “O Lula é uma bênção”. Duas visões diferentes para o mesmo personagem em questão!!!

  8. No entanto seus altos salários, suas vantagens financeiras são seríssimas. Sabe quem paga? Nós. E eles perde ram a dignidade.

  9. Tem um lado bom esta visibilidade que o Judiciário passou a ter. Este judiciário sempre funcionou assim, onde a justiça é o que menos importa, só que não víamos isso, pois era diluído para os pobres. Penso que qualquer governo sério que tenhamos no futuro, terá que desmanchar esta podridão toda e refazer tudo novamente. A constituição atual morreu e uma outra constituição que construa um controle externo destes poderes será necessário.

  10. Essa desmoralização começou com a forte oposição que Gilmar Mendes fazia contra o PT e seu governo.

    Lembro, quando ele era presidente do STF, que Gilmar falou numa entrevista que a oposição deveria “provocar” o Supremo.

    Depois disso a política brasileira foi completamente judicializada pelo PSDB/DEM.

  11. A idiotice foi dar status de membro de poder para juízes e mp….no máximo esse status deveria ser para ministros do STF, que deveriam ter mandato com prazo certo……

    O restante deveria ser tratado como funcionário público…

  12. Nos séculos XV e XVI os cardeais se preocupavam mais com suas suntuosas vilas do que com seu dever divino, que era a salvação das almas de seu rebanho de fiéis. Isso abriu caminho para o desprestígio religioso da Igreja, o que favoreceu o surgimento da Reforma Protestante. Essa mesma distorção é constatada hoje no poder judiciário, onde por vezes seguidas a própria Justiça é ignorada em favor de preocupações e interesses os mais mundanos. Se tal distorção não for contida, logo surgirá a necessidade de uma radical reforma jurídica.

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