O que Bolsonaro chama de ‘fake news’ são balões de ensaio de Paulo Guedes

Jair Bolsonaro reclamou hoje também de O Globo e do Correio Braziliense, além de ter chamado de “esgoto” a Folha de S. Paulo, que apontou as suspeitas de envolvimento de seu governo com o “laranjal” do ministro do Turismo Marcelo Álvaro Antônio.

O jornal de Brasília por ter noticiado que o governo iria propor uma reforma administrativa acabando com a estabilidade do servidor, cortando salários e benefícios e aumentando a tributação sobre seus vencimento. Já O Globo, por ter estampado em sua manchete que a operação dos recursos do FGTS não mais seria feita exclusivamente pela Caixa Econômica.

Não é preciso ser nenhum bidu para saber de onde vieram ambas.

Na falta de combustível de planos econômicos, o Posto Ipiranga preenche o noticiário com “não-fatos”.

Em pleno ano eleitoral de 2020, alguém acha que se aprovaria uma lei dando fim à estabilidade de décadas dos servidores, ou que os deputados fossem votar a revogação de uma reserva legal do Fundo de Garantia estabelecida desde sua criação, em 1966 e renovada em 1990, com a definição da Caixa como agente operador exclusivo do fundo?

É evidente que foram factoides e factoides que, pelo visto, desagradaram o entorno de Bolsonaro e fizeram brotar até boatos de que Paulo Guedes deixaria o Ministério da Economia no início do ano.

Até a reforma tributária, pelo visto, foi para as calendas, com o anúncio, feito por Rodrigo Maia, de que “a pauta econômica está nas mãos do governo”. Para passar em 2020, só depenando a União para dar recursos a Estados e municípios.

Guedes deixou passar a janela de oportunidade de mudanças econômicas com a obsessão da reforma previdenciária, que vai provocar poucos efeitos de curto prazo – exceto, claro, para os trabalhadores que verão adiar-se a sua aposentadoria – ainda mais porque caiu a restrição do pagamento do abono salarial, a única medida que provocaria economia significativa de imediato.

Agora, dedica-se ao lançamento de notícias, de quaisquer notícia que possam levar otimismo ao mercado.

Ainda que sejam meras “fake news”.

PS. Ao finalizar o texto, vejo que Luiz Nassif publica um vídeo onde, numa análise mais detalhada, mostra o mesmo: Guedes não tem projeto algum para a economia.

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6 respostas

  1. Projeto, eles, os golpistas, têm. E vem pondo em prática, em movimento desde que impediram a presidência de Dilma, a candidatura e a provável eleição de Lula, através de um Golpe de Estado contra Dilma e da decretação da prisão de Lula. O único problema é que esse projeto econômico — que leva o simpático e genérico nome de “reformas” — só vai trazer mais destruição econômica, mais miséria, menos emprego, mais precariedade, menos direitos, menos oportunidades, mais concentração de renda, menos crescimento econômico. É um projeto baseado em premissas equivocadas movidas mais por preconceitos ideológicos do que por realidade ou ciência. Esse projeto é que determina e desencadeia o Golpe, o Golpe está a serviço desse projeto.

  2. O projeto de Guedes é ficar rico igual ao Daniel Dantas, vendendo patrimônio público. E o do Bozo e se armar, igual ao Justo Veríssimo, de Chico Anísio. O Brasil está em boas mãos.

  3. Já de algum tempo Bolsonaro sinaliza que não está confortável com a voraz gula neoliberal do Guedes. E depois volta atrás, resmungando. Será que ele já intuiu que o descalabro econômico e social do governo Guedes vai ser todo debitado em sua conta? Que isso vai fatalmente acontecer, embora ele repita a todo momento que a economia é de inteira responsabilidade do Guedes? Será que Bolsonaro vai se rebelar contra seu chefe Guedes?

  4. Não tem a ver com o tema, mas vcs não publicaram nada sobre esse vazamento de óleo crú no nordeste. Fato gravíssimo ocorrido a 1 mes e o governo e os órgãos competentes nem aí.
    Diferentemente do ocorrido na baía de Guanabara quando vcs foram os pioneiros na divulgação real do ocorrido, quando toda imprensa tradicional tentava esconder a gravidade dos fatos e vcs com pesquisas em imagens de satélites revelaram tudo.
    Será que não estamos diante de um problema semelhante com alguma multinacional envolvida???

    Vazamento de óleo na Bacia de Campos
    No dia 08 de novembro de 2011, a petroleira norte-americana Chevron foi responsável por um derramamento de óleo de grandes proporções na Bacia de Campos, no Rio de Janeiro. O vazamento foi intenso e matou diversas espécies de animais, tais como peixes, mamíferos e aves marinhas. Acredita-se que foram liberados no mar cerca de 3.700 barris de óleo.

    ?

  5. O Guedes jamais poderia tratar de assuntos como diminuir a multa dos empresários em demissões. Se não há mais Ministério do Trabalho, uma tal questão de equilíbrio em relacionamento ou conflito de classes jamais poderia ficar ao talante deste que é claramente uma espécie de interventor do mercado, nunca um verdadeiro ministro da economia.

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