Mello Franco e os crimes do ‘Capitão Corona’

Bernardo Mello Franco, na Folha e há tempos em O Globo é, da nova geração de comentaristas políticos, quem mais vigor e coerência empresta a seus textos e isso se repete hoje, em sua coluna, quando assinala que a responsabilização de Jair Bolsonaro pelo crime que está cometendo vai além da sanção política e um impeachment, mas caminhará, num mundo juncado de corpos e mágoas, para um julgamento internacional.

Ou alguém acha que o planeta, depois da perda de centenas de milhares de vidas, vai permitir que fiquem impunes os que contribuíram para elas?

Impeachment pode ser pouco para Bolsonaro

Bernardo Mello Franco, em O Globo

Os desvarios de Jair Bolsonaro não cabem mais na esfera da política. Quando o presidente se torna uma ameaça à saúde pública, sabotando o esforço nacional contra a pandemia, seus atos devem ser submetidos aos tribunais.

Nos últimos dias, a Justiça começou a impor freios ao Capitão Corona. O Supremo derrubou duas canetadas odiosas: o corte de 158 mil benefícios do Bolsa Família e a MP que mutilou a Lei de Acesso à Informação.

Para surpresa de ninguém, Bolsonaro tentou usar a crise para garfar miseráveis e reduzir a transparência do governo. As medidas foram invalidadas pelos ministros Marco Aurélio Mello e Alexandre de Moraes. Em tempo: nenhum deles foi indicado por governos do PT.

Depois das derrotas no Supremo, o presidente passou a apanhar na primeira instância. Na sexta, o juiz Márcio Santoro Rocha suspendeu a autorização para igrejas e casas lotéricas retomarem as atividades normais. Horas depois, a juíza Laura Bastos Carvalho mandou tirar do ar a campanha publicitária que incentivava a população a voltar às ruas.

Nos dois casos, o capitão driblou a lei para agradar a clientela. Na MP do Dízimo, ele subverteu o conceito de atividades essenciais para beneficiar mercadores da fé e empresários do ramo de apostas.

Em outra frente, a Secom planejava bombardear os cidadãos com propaganda contra a quarentena. A campanha “O Brasil não pode parar” torraria R$ 4,8 milhões num momento em que falta dinheiro para ampliar a oferta de leitos e equipar os hospitais.

As quatro decisões ainda podem ser revistas, mas apontam um caminho para frear o presidente pela via judicial. Ao torpedear políticas de isolamento que podem salvar milhares de brasileiros, Bolsonaro extrapola os poderes de chefe de Estado. Age como um líder de seita que tenta conduzir o rebanho ao suicídio coletivo.

Quando a epidemia passar, a abertura de um processo de impeachment pode ser pouco para enquadrar o presidente. Se sua cruzada contra a vida prosperar, ele se candidatará a uma denúncia ao Tribunal Penal Internacional, que julga crimes contra a Humanidade.

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on whatsapp
WhatsApp
Share on email
Email

13 respostas

  1. Saiu no 247: irmão do “presidente” é proprietário de uma lotérica. Como diz Nassif, todas as medidas que bozo toma são em função de interesses pessoais, familiares e dos grupos e pessoas que o apoiam, inclusive milícias e “igrejas”.

    1. São de interesses dos subversivos que o elegeram, dos grupos que aterrorizam através de notícias falsas e dos que vivem da ganância. Seu deus é o dinheiro.

  2. Não somente o vagabundo, mas também os cúmplices civis, milicianos e militares delinquentes que o acompanham e protegem na sua louca cavalgada genocida contra o povo brasileiro. Vale lembrar: Hitler escapou de ser julgado – a Besta Humana do Brasil, da mesma forma (difícil isto, pois covarde) ou de outra forma, também pode escapar -, mas a sua grande família de genocidas covardes e sem honra – civis, milicianos e militares delinquentes – não escapou de ser condenada pelo Tribunal da Espécie Humana.

    https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/9/9f/Defendants_in_the_dock_at_the_Nuremberg_Trials.jpg/280px-Defendants_in_the_dock_at_the_Nuremberg_Trials.jpg

    Julgamento de Nuremberg. À frente, de cima para baixo: Hermann Göring, Rudolf Heß, Joachim von Ribbentrop, Wilhelm Keitel. Atrás, de cima para baixo: Karl Dönitz, Erich Raeder, Baldur von Schirach, Fritz Sauckel.

  3. Mil Mello Francos (franco pero no mucho) por um Fernando Brito. Não, não desejo mal nenhum àqueles que por ativas ou passivas contribuiram para o atual estado de coisas. Nem perdão nem esquecimento é a frase que carateriza o espírito daqueles que sofreram o infortunio de uma guerra cívil, e se não houve a guerra ainda é porque o “bando” perdedor usava como arma apenas o voto e sua consciência. E tem gente que ainda não se deu conta que a DEMOCRACIA, frágil e Severina como é a que até agora pudemos e conseguimos ter. Aquilo deu nisso.

  4. Tenho pouca fé ou esperança em que medidas e atos legais parem o Cachorro Louco. Na minha visão, só há tres possibilidades de pará-lo: 1) O povo na rua, em muitos milhões de pessoas; 2) O alto comando militar dando um basta e enquadrando (pouco provável já que estamos num governo militar); 3) Umas “balas perdidas” ou o “misterioso e inexplicável desaparecimento”, que é o método miliciano de resolver problemas.

  5. É junto com ele,a família e o bando de fascistas que o seguem.Pelo menos os mais proeminentes.
    Viu Ratinho.

  6. Não podemos aceitar conchavos, acertos imorais. Foram eles que nos levaram ao caos. Desde a tal “redemocratização” que acertou-se a impunidade, o esquecimento da legalidade, e os monstros continuaram. Não poderemos mais. Não aceitaremos. Não esqueceremos!

  7. Já que vc voltou às vias de fato, a judicial, e já que este OGRO não só precisa ser parado, como DETIDO, preso mesmo, a seguir reedito minhas impressões dos possíveis delitos que essa família já praticou no BRASIL:
    Com a palavra, algum promotor dessa MALDITA, omissa, negligente, conivente, imprevidente e GOLPISTA, JUSTIÇA:
    Falta de decoro, delitos eleitorais variados, sonegação fiscal, advocacia administrativa, abuso de poder, crime contra a saúde pública, nepotismo, emprego de funcionário e familiares fantasmas, rachadinha, caixa 2, lavagem de dinheiro, associação com o crime organizado (drogas, grilagem, agiotagem, jogatina, prostituição, justiçamento, contrabando, venda ilegal de armas etc) chegando até a assassinato e agressão à LEI DE SEGURANÇA NACIONAL, 7.170, em diversos dos seus artigos (por ex, incitamento e exaltação ao golpe e tortura, associação com Nação estrangeira prejudicando o país, estimulo ao desentendimento e a cizânia entre poderes, cidadãos e grupos políticos, e a países amigos).
    Tá bom ou quer mais ?
    Então tá .. formação de quadrilha.

  8. O psicopata do Bolsonaro está tendo a oportunidade de sua vida para conseguir realizar seu sonho de matar 30 mil pessoas no Brasil. Ele não vai desistir. Terá que ser tirado à força e amarrado com camisa de força.

  9. Bolsonaro não é caso para ser tratado após o corona.
    Eu acho que a sociedade brasileira está sendo tolerante demais com Bolsonaro.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.