Menos imposto, mais desigualdade

Na reportagem de O Globo, hoje, sobre o relatório da Oxfam Brasil  que mostra que nosso país “avançou” na desigualdade de renda da população e é agora o 9° mais injusto do planeta, o dado mais interessante é o de que, ao contrário do que nos induzem a pensar, “71% dos brasileiros são favoráveis ao aumento de impostos para os mais ricos”.

A tão falada carga tributária brasileira, “demônio” de nossa economia, é ridiculamente baixa comparada à de países “comunistas” como os Estado Unidos:

“O Brasil é o país que menos tributa renda de patrimônio, se comparado ao total de sua carga tributária bruta, dentre os 36 países da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE). Por aqui, de cada R$ 1 arrecadado, apenas R$ 0,22 vem de taxas sobre a renda e do patrimônio.
Nos demais países, essa mordida seria de R$ 0,40 para cada R$ 1 pago em tributos. Nos Estados Unidos, por exemplo, 59,4% do que é arrecadado pelo Fisco vem de impostos sobre a renda e o patrimônio da população. Isso significa que, no Brasil, a tributação recai muito mais sobre o consumo, que basicamente é movido pelas famílias de renda menor. Assim, o sistema tributário acaba penalizando os que têm rendimentos mais baixos.”

Evidente que isso não é um acaso ou um “descuido” de nossos formuladores de políticas econômicas.

“Isenções fiscais, benevolentes benefícios e relações de compadrio com o Estado marcam a composição da renda do topo da pirâmide social, enquanto o país tem um dos piores níveis de mobilidade social do planeta. Portanto, é imperativo que soluções para as contas públicas perpassem pelo cerne da questão, ou seja, a real discussão redistributiva no país, inserindo os direitos da base da pirâmide social na equação fiscal”.

Só que não.

A mais grosseira das injustiças é uma quase “jabuticaba” instituída por Fernando Henrique Cardoso. A pretexto de não efetuar-se bitributação, considerou-se que o Imposto de renda pago pela empresa deveria tornar isentos os ganhos de seus cotistas ou acionistas a título de lucros e dividendos.

Se você ganha R$ 6 mil por mês, o Imposto de Renda o taxa em 27,5% (quase tanto, descontados os abatimentos de renda) quanto quem ganha R$ 60 mil.

Mas isso só se for em salários, porque se forem ganhos em lucros ou dividendos embolsados, você pagará, literalmente, nada por estes ganhos, ainda que sejam de R$ 600 mil, R$ 6 milhões ou R$ 6 bilhões.

A distorção é monstruosa e a tributação acaba recaindo com mais força sobre o consumo, o que, claro, faz com que incida da mesma forma para todos, independente da renda.

E a classe média, com sua renda e seu emprego degradados, passa a gritar contra os impostos, fazendo o jogo de quem a empobrece e, pior, degrada os padrões de convivência social, quando corta as despesas públicas e enche as ruas de miseráveis e as páginas dos jornais de crimes violentos.

Na BBC, há os detalhes da queda de renda entre os mais pobres e, dentre eles, a piora da situação de mulheres e negros.

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on whatsapp
WhatsApp
Share on email
Email

10 respostas

  1. Queda de renda dos mais pobres, piora da situação de mulheres e negros… todos eleitores de Bolsonaro.

    1. Continuo achando bom e pouco. Só vão sentir o peso de sua estupidez quando começar a faltar arroz e feijão sem seu prato

  2. os canalhas sempre se protregem
    é assim tbm no judiciário
    e o povo que se lasque pra pagar a conta

  3. IMPRENSA BRASILEIRA INVENTOU O FAKENEWS:

    1-“MAIOR CARGA TRIBUTÁRIA DO MUNDO”
    Repetem essa asneira há décadas… apesar de inúmeros dados mostrarem que isso mentira.

    2-“ESTADO GIGANTE”
    O Estado Brasileiro não consegue fornecer saúde, educação e segurança para sua população… mesmo assim é gigante. Um Estado menor é que vai conseguir. Faltam professores, médicos, policiais, advogados… Os cortes no Estado não “dão bilhão” mas vão salvar o Brasil.

    3-ENDIVIDAMENTO PÚBLICO É ASSUNTO PROIBIDO
    Qualquer análise no orçamento mostra que o dinheiro dos impostos vai todo para os Bancos via dívida pública… mesmo assim o mantra do “Estado Gigante” segue inabalável.

    4-“IMPOSTÔMETRO” TODO MUNDO JÁ VIU… QUERO VER O “DIVIDÔMETRO”
    Quantos dias o cidadão trabalha para pagar dívida??? Tem algum relógio marcando isso???

    A união de todos os “Fake News” formou o Capitão FakeNews: Bolsonaro!

  4. SE A INFORMAÇÃO ESTÁ DISPONÍVEL PARA TODOS ,EXCETO OS MARGINALIZADOS PERMANENTES DO SISTEMA ,DE QUEM É A CULPA???
    DA MINORÍA RICA DESTE PAÍS ,OU DA MASSA DE IMBECIS QUE O POVOA ????
    SOMOS O QUE SOMOS ,AS CAUSAS SÃO VARIAS ,MAS ,A MAIORÍA DELAS PASSAM PELAS ATITUDES INDIVIDUAIS ,ATÉ ISSO NÃO MUDAR,NÃO MUDAREMOS.
    OS POVOS MUDAM VIOLENTAMENTE PELO SANGUE,OUTROS O FAZEM LENTAMENTE PELA EDUCAÇÃO E O QUESTIONAMENTO DE SEUS CIDADÃOS ,O BRASIL? ,…NÃO SEI

  5. Eu joguei a toalha. Percebe-se, claramente, que nossa sociedade – principalmente na classe média – está dominada por uma profunda desonestidade na argumentação, caso não seja imbecilidade pura e simples. Né não?

      1. Aguardar o trem se despedaçar lá embaixo e, quem sobreviver, ver o que pode ser recuperado.

        Dói dizer, mas mais uma vez vale o diagnóstico do genial Belchior:
        “Viver é melhor que sonhar, e eu sei que o amor é uma coisa boa, mas também sei que qual canto é menor do que a vida de qualquer pessoa. Por isso cuidado meu bem, há perigo na esquina…”

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.