Na Lava Jato, a lei é para todos, menos para os grandes bancos

Outra leva de diálogos obtidos pelo The Intercept e agora publicados pelo El País mostram como os procuradores da Lava Jato, quando se tratava dos grandes bancos, esmeravam-se em preocupações de não criar impactos econômico negativos, ao contrário do que fizeram ao arruinar o setor da construção civil.

Grandes instituições financeiras, como o Banco Safra, o Bradesco e o Itaú foram deixadas “em paz” na investigação de denúncias e os procuradores optaram por chutar “a porta de um banco menor, com fraudes escancaradas, enquanto estamos com rodada de negociações em curso com bancos maiores”.

Do relato constam também palestras remuneradas dadas por Deltan Dallagnol para a Federação dos Bancos que deveria investigar, bem como um encontro secreto com representantes de instituições financeiras organizada pela XP investimentos, que tem 49,9% do capital controlado pelo Itaú.

A matéria relata que o envolvimento dos bancos foi um dos motivos para a recusa das delações de Antonio Palocci. O El País teve acesso, informa, à delação do ex-ministro da Fazenda, mas também só reproduz as declarações que ele fez, sem apresentar provas.

É mais uma das várias comprovações que, na Lava Jato, o “dura lex, sed lex” variava de acordo com o freguês. Chegou-se a um ponto em que falar em atuação fora da lei na Lava Jato é quase chover no molhado.

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