O 13 de agosto e os sinais que se viu ontem

Um ato está sendo convocado pelas entidades de classe e movimentos sociais para o dia 13.

O ato de ontem, na ABI, se é um termômetro do que vem por aí, antecipa que haverá uma imensa mobilização nos próximos dias.

Preso ao blog, cheguei ao local uns 20 minutos antes da hora marcada e, saindo do metrô, a uma quadra da ABI, vi uma imensa fila que, a princípio, não achei que fosse para o ato, ainda mais porque se estendia, pela rua traseira do quarteirão, a não se ver o fim. À frente da ABI, centenas de pessoas, que logo virariam milhares e puseram a correr, sem violência, um bando de dez ou doze provocadores bolsonaristas.

Esse, um lado.

Do outro, desânimo e estupefação nos círculos de apoio a Bolsonaro, sobretudo na mídia.

Nem mesmo dos estóicos Merval Pereira e Carlos Alberto Sardenberg deixa-se de ouvir duras críticas, naturalmente que preocupados com os “danos”que isso pode gerar para as reformas.

As manchetes dos jornais refletem o desalento: “Eu sou assim mesmo”, diz em O Globo o presidente; na Folha, aliados preocupam-se com seus destemperos e, mais discretamente, no Estadão, pede-se “menos exposição” de Bolsonaro.

O fato é que ele consegue, num só dia, três editoriais contra seu comportamento.

O fato de personagens com o Rodrigo Maia e João Dória darem declarações públicas descolando-se das brutalidades ditas por Bolsonaro também são indícios de que perceberam de que parte da direita se move para recuperar o espaço que o ex-capitão lhe tomou.

Ainda que na Presidência da República e alçado a ela por maioria de votos, a impressão que se acentua é a de que Bolsonaro está voltando ao gueto – verdade que muito ampliado – de fanatismo de onde veio.

Ressalve-se que o mundo financeiro segue firme com ele, produzindo coisas inacreditáveis, como a declaração de ontem de Cândido Bracher, vice-presidente do Itaú, de que “as reformas deixam o Brasil em uma situação tão boa como eu nunca vi em minha carreira”. É claro, vê-se, que ele fala “o Brasil” no lugar de “os bancos”.

Tudo pesado, fica claro que se formou uma camada de combustível pronta a arder e se não o fizer não será por falta de faíscas. Tanto as que vão saltar das revelações da Vaza Jato quanto as que Bolsonaro provoca, várias vezes por dia, com suas declarações.

A porta corta-fogo da mídia já não o protege, ao menos com tanta eficiência.

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