O bananal do Jair

É inacreditável o plano de Paulo Guedes noticiado hoje pelo Valor.

No momento em que a indústria brasileira encolhe, na hora em que o comércio mundial se enche de tarifas (com China e EUA taxando a importação de produtos), quando nossa balança comercial vê minguar os saldos exportação x importação, o Governo Bolsonaro aparece com um “plano de abertura da economia desenhado pelo governo Jair Bolsonaro prevê um corte unilateral das alíquotas de importação sobre produtos industriais de 13,6% para 6,4%, na média, em quatro anos”!

Corte unilateral, sim, é isso mesmo que você pensou: cortamos as nossas tarifas sem exigir que cortem as que cobram de nós nas importação, mais, muito mais, que já o exigem as regras de livre comércio da OMC, já draconianas.

Pela simulação, que representa o primeiro exercício efetivo nas discussões sobre o futuro da TEC, as alíquotas aplicadas sobre automóveis de passageiros trazidos do exterior devem cair de 35% para 12%. Diminuiria também, de 35% para 12%, a tarifa cobrada de produtos têxteis e vestuário (…)laminados de aço a quente teriam queda de 12% para 4%. Ônibus passariam de 35% para 4%. O polipropileno, um dos principais bens da indústria petroquímica produzidos no Brasil, baixaria de 14% para 4%.

Fabricar aqui, pra quê?

O Valor ressalta, porém, que em relação ao agronegócio, a postura é outra, apesar de, pelo grau de desenvolvimento alcançado pelo setor, necessitar de menor proteção. “O agronegócio ficaria com alíquotas praticamente inalteradas”, diz o jornal. As tarifas sobre o etanol, que beneficiam os usineiros, permanecem em 20% e a das bananas equatorianas, sobre as quais o presidente colocou a importação de irrelevantes três caminhões da fruta como caso de segurança nacional, por prejudicarem o seu querido Vale da Ribeira, mantêm-se nos 10% atuais.

Como as tarifas são comuns ao Mercosul, arruina ainda mais a Argentina e afeta também o Chile, embora este tenha um perfil industrial onde o extrativismo mineral, com baixo valor agregado, seja o dominante.

Caminharemos, mais do que já estamos, para ter indústrias apenas como montadoras de componentes importados – um ou outro, de baixo valor, produzido localmente – com mão de obra barata. Assim mesmo, olhe lá, bem pouca.

Sob o aplauso da elite econômica de um país que produziu industriais no século XX e , no XXI, produz apenas gerentes e capatazes.

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18 respostas

  1. Esse governo vendeu o Brasil, como se fosse propriedade deles. E com certeza receberam o produto da venda lá fora, em moeda estrangeira, nas contas abertas em nome dos políticos e demais assessores do governo.
    E agora estão simplesmente obedecendo ordens e dando continuidade à implementação de todas as medidas práticas e legais que recebem diariamente dos compradores do Brasil, a plutocracia internacional.
    Se tivéssemos uma população brasileira minimamente esperta, a reação do povo contra os traidores da pátria seria mortal.

    1. Em tempo: os planos da plutocracia internacional para o Brasil são transformar literalmente o Brasil em celeiro do mundo, concentrando todas as atividades no agronegócio. No mínimo 80% da população do Brasil será direcionada para essas atividades, sendo transformados em escravos do capitalismo. Serão enquadrados como empreendedores individuais. Ganham pelo que produzem, não têm absolutamente direito algum. Se tiverem parentes que os sustentem quando velhos ou doentes, sorte deles. Se não, que se virem. O restante da população será a classe média na função de capatazes. Que vão exercer com muito orgulho, porque não se consideram brasileiros.

      1. É o que eu digo: o projeto da elite do dinheiro é a redução do território brasileiro a um gigantesco plantation, e pouco além disso.

  2. Guedes decidiu acabar com tudo antes de sair ou de ser saído. Depois dessa, acho que o que restou de industrialistas no Brasil vai se dividir em duas partes. Uma vai querer matar os governantes. A outra vai trocar sua fábrica por uma importadora.

  3. A elite financeira brasileira é extremamente mesquinha, subalterna e colonial. Desde a revolução industrial, fazem de tudo para evitar que qualquer tipo de indústria vingue aqui. Foi preciso a ditadura de Getúlio para começar a reverter isso, e sob constante ataque dos latifundiários. Essa é a verdadeira herança maldita do Brasil, os herdeiros dos senhores de escravos.

  4. Paulo Guedes coloca em prática o modelo chileno e passa a focar a produção brasileira no extrativismo e agricultura. Em breve desaparecerão do Brasil as indústrias de ponta, onde, a tecnologia e mão de obra, altamente qualificada e técnica são necessárias. Retornaremos ao mesmo padrão de atividade industrial da virada do século XIX para o século XX. O maior agravante para este plano é termos uma população vinte vezes maior que a população chilena e a pergunta que fica é onde empregar essa população ? ou será que planejam se desfazer de parte da população ? talvez este seja o plano a longo prazo, reduzir a população deste país e transformá-lo numa grande fazenda.

  5. Francamente, Fernando Brito. `É muita má vontade com o old chicago boy. Precisa de indústria pra exportar abacate? Há algum tempo não temos industriais que mereçam o nome, pois preferem viver de rentismo. E, como diz Chico Buarque “ai essa terra ainda/vai cumprir seu ideal/ainda vai tornar-se um imenso canavial”. Pra quem não conhece, sugiro (re)visitar a Canção do Subdesenvolvido. Reconstruir o país não vai ser fácil.

  6. PQP….e ainda tem gente do nosso campo ideológico, falando que não, não temos que lutar para tirar a chapa do bozo, resultado das eleições fraudadas, seja pelos disparos de whatsapp, seja pelas fakenews, seja pela continuidade do golpe, Essa gente pensa que temos que manter a cordialidade com os golpistas. Assim fica muito difícil. E enquanto isso, vamos nos distraindo com as selvagerias do outro lado.
    Pelo jeito, continuaremos com o produto das eleições fraudadas, o produto que é descartado junto com as fraldas.
    LULALIVRE.

  7. A elite brasileira, associada ao imperialismo, está apenas interessada em prover os senhores coloniais com siçários (tipo moro, dalagnol, etc) e centuriões (bozo, guedes e cambada), para garantir os privilégios próprios e o domínio imperial de seus senhores.

  8. Pois que encerrem a indústria brasileira.
    A população tinha duas opções na eleição, não estavam preocupados com o projeto de pais que cada uma oferecia, estavam preocupados com casamento gay, mamadeira de piroca, arma, família e Deus.
    Agora vão pagar o preço.

  9. Brito: Quando falo que o homem tá bebendo Querosene com Gardenal, tem uns aqui que tem a desculpa esfarrapada dizendo: Mas, ele faz isto (beber) é só nas horas vagas etc. Agora por exemplo ele foi pra o Japão, China e o escambau, ele pode entornar o caneco (Doze dias) Vai pegar um “porre”

  10. O agronegócio é altamente mecanizado; quase não demanda mão de obra. Portanto, podem desistir aqueles que, hoje, vislumbram uma vaga mixuruca de capataz. Aliás, até mesmo na condição de plantadores escravos, ainda assim, serão dispensáveis.

  11. É o “Brazil’ rumo a destruição total!
    Como bem escreveu o prof Safatle ao El País: ” “Se há algo que marcou o Brasil nos últimos trinta anos foi a profusão de diálogo, quando muitas vezes é necessário dar forma à recusa clara em dialogar. Não é de diálogo que o Brasil precisa. É de ruptura”.

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