O discurso de bolso de Bolsonaro, por José Roberto Torero

Do escritor e jornalista José Roberto Torero, que me divertiu muito durante os dias de hospital  com a releitura de seu “Chalaça”, sobre o amigo-assessor  para assuntos obscuros de D. Pedro I, Francisco Gomes da Silva, em seu Diário do Bolso, suave registro do cotidiano do “Mito”:

Diário, que dia…

José Roberto Torero, no @Diariodo Bolso

Esse negócio de discurso não é comigo. O meu foi escrito durante o voo. Eu tinha 45 minutos para falar. Mas meu estilo é mais tuíter. Então rabisquei um negócio que dizia assim: “In my govern go to be all diferent, is ok?”. Bem resumidinho e já estava até em inglês.

O Eduardo achou perfeito, mas o resto do pessoal que estava no avião disse que era curto demais. Aí cada um deu uma mexida. Quando o Moro mexeu pôs o nome dele, quando o Ernesto mexeu pôs o nome dele e quando o Paulo Guedes mexeu pôs o nome dele. Ficou um negócio meio puxa-saco, mas pelo menos ficou mais comprido. Deu quase sete minutos. Meu recorde!

Na internet falaram que eu parecia um robô, sem nenhuma emoção. Mas emoção é coisa de viado.

Depois almocei num restaurante bem fubeca. Acho que pega bem se fazer de pobre. Por pouco não tomei um suco de laranja. Sorte que lembrei que o pessoal podia fazer piada e troquei por um refrigerante.

Falando em laranja, estão dizendo que vai ter um boneco “Inflávio” na Paulista. E já estão chamando a gente de Família Embolsonaro, Bolsotralhas e outras porcarias. A maldade das pessoas não tem limite.

Olha, Diário, acho que até que eu não me saí mal na minha primeira viagem internacional. Opa! Primeira, não, que eu levei os garotos pra Disney. E lá foi um inferno, porque os três corriam o tempo todo brincando de milícia, polícia e ladrão.

Falando em milícia, parece que o negócio vazou. Agora vai feder. E esse ano nem no carnaval vai dar para esquecer do assunto, porque tem aquele samba da Mangueira que fala da Marielle. Tem gente que nem morta morre!

No ano que vem tem que acabar com isso aí. Em vez de escolas de samba, as igrejas evangélicas é que deviam fazer desfiles. Tudo sobre a Bíblia. Gostei dessa ideia! Vou ligar para o Crivella!

Ou não.

Porque estou começando a desconfiar que no ano que vem posso não ser mais presidente. Vi agora a edição de ontem do Jornal Nacional. Os caras detonaram o Flávio e logo depois fizeram uma matéria toda simpaticona sobre o Mourão. Como se ele fosse um estadista.

Que isso tá com cara de golpe, tá.

A maldade das pessoas não tem limite.

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