O que não é sólido se desmancha no ar

A brincadeira com o título do livro de Marshall Berman produz um bom retrato da situação, neste momento, das expectativas dos agentes econômicos no Brasil.

Não parece haver nenhum rumo concreto apontado para a recuperação econômica do Brasil, até porque se reduziu o debate econômico ao binômio “reforma da previdência-combate à corrupção”.

Da primeira, cujas dificuldades de aprovação só fazem aumentar, desde que foi apresentada ao Congresso, há dois meses, há uma crescente percepção de que não terá a extensão que o “mercado” deseja e o seu efeito, no curto prazo, não terá qualquer impacto positivo sobre as contas públicas.

Mesmo que fosse aprovada integralmente, segundo as contas a que se tem acesso – os cálculos do governo são “secretos” -, gerariam uma economia de R$ 76 bilhões até 2020, o que é menos que os R$ 86 bilhões despendidos na reorganização (com reajuste) das carreiras militares.

Fora desta pauta econômica monocórdia, quase nada há ou haverá, exceto os surtos – positivos e negativos – de troca de dinheiro nos mercados acionários e cambiais.

Ao mesmo tempo – o que deverá ser confirmado daqui a pouco pelo Boletim Focus, do Banco Central – sobem as expectativas de inflação e caem as de crescimento do PIB.  Todos os índices que monitoram a variação dos preços ao consumidor flutuaram na mesma proporção que levou a inflação oficial do mês passado aos 0,75% que assustaram os agentes econômicos.

A segunda prévia do IGP-M de abril registrou 0,66% de aumento nos preços ao consumidor e o Índice de Preços ao Consumidor da FGV marcou 0,79% na segunda semana de abril, comparada à segunda semana de março. Um IPCA em torno de 0,6% para abril levará o acumulado do ano para 2,1%, o maior para o primeiro quadrimestre desde 2016.

Com aceleração do aumento de preços, queda no emprego, estagnação dos salários e indefinição de rumos é absolutamente natural que as expectativas dos agentes econômicos, ligeiramente animadas pela entrada de um novo governo, entrem em trajetória de queda, como registra hoje a Folha, compilando, no gráfico que reproduzo, as sondagens feitas pela Fundação Getúlio Vargas.

Ontem, no Estadão, também o economista conservador José Roberto Mendonça de Barros, também constata que “o ano está perdido”, em matéria de retomada do crescimento.

Estamos apenas em abril e gozando de uma conjuntura internacional que, a despeito das previsões gerais, ainda mantêm-se aquecida.

Sem política econômica, é bom ter reza forte não contra “tsunamis”, mas até contra “marolinhas”, é é por isso que a “turma da bufunfa” já está com as barbas de molho.

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19 respostas

  1. “É só tirar a Dilma que a economia melhora no dia seguinte”. Ô dia mais longo esse. Todas as previsões sobre o que aconteceria se elegêssemos um incompetente estão se confirmando. Acordem, bolsominions!

    1. Eles jamais acordarão.
      Presenciei, ainda há pouco, um bate papo entre bolsomínions. É incrível o quanto eles são “objetivos”.
      Nessas ocasioes, a gente “fica sabendo” que Bolsonaro está fazendo tudo 100% corretamente. O resto do mundo é que atrapalha.

  2. Ao invés de acelerar depois da reta oposta do “é só tirar a Dilma”, o Brasil encontrou uma curva, a “guinada liberal”, capotou e caiu no desfiladeiro da depressão e da depredação econômica onde se encontra atualmente. Mas os pilotos insistem na mesma trajetória suicida e continuam afirmando que se algo deu errado até agora “é tudo culpa do PT e de Dilma”. “Eles” sempre fazem “tudo certo” apesar de sempre dar tudo errado. E ainda se acham geniais. Matam as galinhas e ainda esperam ovos de ouro. São como Midas, mas ao invés de ouro tudo o que tocam transformam em….

    1. A queda não mata. O que mata é chegar ao chão.
      Infelizmente, é nessa direção que estamos indo. E a velocidade crescente!

      1. também acredito que estão acelerando no desfiladeiro, podem fazer ainda bastante mais estragos. As reservas dos anos petistas servem de paraquedas para a loucura destes últimos anos golpistas e irracionais.

  3. O mercado é muito burro.
    Não percebeu o quanto Bolsonaro, militares e olavetes são incompetentes e incapacitados para administrar o Brasil.
    Sorte do PT não ter ganho as eleições. As coisas estariam bem melhores do que estão hoje, mas para a mídia e para os opositores tudo estaria um desastre e se o bosto tivesse ganho tudo teria entrado nos eixos.

    1. Emilia, também penso que pode ter sido bom para o PT (e para toda a esquerda), não ter ganho a eleição presidencial e mesmo nos Estados. É que a coisa não ia ser fácil. Além do desastre do Bozo, o a Câmara dos Deputados e o Senado NUNCA tiveram parlamentares tão ruins. E ruins não só na falta de experiência e de ideias. Ruins como pessoas, como seres humanos. É lamentável que o Brasil tenha eleito Dória, Alexandre Frota, Joice Hasselman, Kim quarquécoisa, etc…. É uma tremenda concentração de pessoas racistas, retrógradas, hipócritas, mentirosas e imbecis. Sem falar no aumento das bancadas do Boi e da Bala. A bancada dos (falsos) evangélicos é ainda pior. Praticamente só tem ladrão hipócrita que se vende e tenta usar o parlamento para ganhar dinheiro. O Congresso atual, na minha opinião, reflete muito melhor o estado lamentável do povo brasileiro, do que a própria eleição (desastrosa) do Bozo.

  4. Não haverá crescimento, haverá queda do PIB. Quanto à reforma (destruição) da Previdência, se aprovada ela derrubará o poder de consumo dos aposentados, piorando ainda mais a economia. Aliás, a destruição da CLT já fez isso, tirou dinheiro do bolso do povo. Sem consumo, não há economia real, só rentismo. E o rentismo é uma bomba-relógio. Quando explodir, será um desastre de proporções bíblicas.

    1. Concordo.
      E os que dizem que a reforma da previdência vai resolver a crise econômica sabem muito bem que isso é mentira.
      Só o que querem é transferir os recursos da previdência para os bancos privados, para que o sistema financeiro lucre trilhões por uma ou duas décadas e depois, quando acontecer o que aconteceu no Chile, tiram o corpo fora e devolvem a previdência para o Estado.
      Se e quando conseguirem isso, caem fora do governo levando junto Bolsonaro e jogam o abacaxi na mão de outros.
      Era bom que os pequenos e médios empresários percebessem isso, para que a classe média se unisse com força contra essa reforma.

      1. Pensando bem, é verdade, ELES SABEM! Muitas vezes ouço pessoal de esquerda dizer que eles são burros, que não percebem o desastre que estão criando. Mas eles não são burros. Eles sabem! E contam com o desastre pra embolsar bilhões!

    2. Quanto ao rentismo… já vimos isso em 2008/2009 nos Estados Unidos… no maior Golpe Financeiro do Século… onde os do topo se safarão… a “turma do 1%”…

  5. Semana passada, no Valor Econômico, reportagem dizendo que a aplicação por pequenos investidores brasileiros na bolsa era recorde.

    Quanto aos estrangeiros, o saldo de investimentos estava negativo.

    Realmente achei engraçado, quase gargalhei, e me pergunto se temos uma onda de bolsominions investidores esperando pela tal “reforma” tal qual esperam por um messias. Os profetas da Globonews sempre anunciaram que sua chegada estava próxima.

    Os gringos são mais cautelosos, e na hora que as expectativas voltarem para o lugar de onde nunca deveriam ter saído, vai ter uma boa destruição da riqueza desses bolsominions de classe média – algo mais recessivo ainda.

    1. Essa história do Valor está mal contada. Vai ver que recorde era a proporção de pequenos investidores brasileiros em comparação ao total de investidores.

      1. Sim, é nesse sentido que você mencionou. A maior parte do bolo certamente continua com os investidores institucionais e financeiros. A manchete diz que o número de pessoas físicas é o maior desde 2006.

        No ano, até o dia 15 de abril, o resultado é o seguinte:

        Investidor pessoa física: + 4,64 bilhões
        Investidor institucional: + 1,45 bilhão
        Investidor estrangeiro: 2,17 bilhões negativos.

        Segue o link da reportagem:
        https://www.valor.com.br/financas/6216685/aplicacao-de-pessoa-fisica-na-bolsa-ja-e-maior-em-13-anos

        Certamente a turma continua com a quimera de que as empresas vão investir e lucrar adoidado caso o desmonte da previdência passe pelo Congresso.

  6. O Brasil conseguiu eleger, pela primeira vez de maneira clara e intencional, um Governo da Destruição Oficial. E nem é possível alegar “truque eleitoreiro” da gangue que chegou ao poder: Suas bandeiras de campanha e o comportamento do brucutu que os lidera já indicavam que a única palavra de ordem era destruição em todas as áreas. Destruição dos direitos sociais, do respeito ao sistema jurídico baseado na Constituição Federal; da independência dos três poderes; do ensino público; dos direitos dos trabalhadores; dos direitos humanos; da soberania nacional, do patrimônio brasileiro incluindo pré-sal, as terras da Amazônia e as grandes empresas nacionais. Enfim, DESTRUIR é tudo o que o ex-capitão prometeu e está cumprindo.

    Vamos admitir, contudo, que ele teve uma grande colaboração prévia nesse sentido, com os erros ingênuos cometidos em menor grau por Dilma Rousseff na condução da política econômica e em seguida com os crimes intencionais, cometidos de maneira brutal pelo golpe de 2016. Prepararam o caminho para o terror do Bozo.

    1. Concordo, mas o interesse dos EUA em fazer o Brasil retroceder pesou demais. O Brasil vinha se desenvolvendo a passos largos e havia conquistado credibilidade e uma posição de destaque no cenário mundial. A continuar desse jeito, em alguns anos se tornaria um concorrente de peso dos EUA.

    2. Um absurdo creditar nas costas de Dilma, que sozinha, sofreu toda sorte de golpes. Chega a ser desumano. Realmente absurdo.

  7. Pensavam que o Brasil era rico por natureza, e não por obra das políticas do PT. E que poderiam mandar bala nos direitos sociais, que o Brasil continuaria rico. Não entendem de biologia. O país vivia um equilíbrio tão sofisticado e interdependente em seu tecido quanto a própria natureza. Quando se mata sapos, os mosquitos provocam epidemias de todo tipo. Quando se mata mosquitos com veneno, as abelhas também morrem e as safras sucumbem.

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