O Rio ia virar Manaus? Pois virou

Há exatas duas semanas, este blog publicou um post com o título Covid: Rio de Janeiro, mas pode nos chamar de Manaus.

A manchete do site de O Globo, neste momento, é a de que o Rio é a cidade do país com mais mortes por Covid-19 em 14 dias, seguida de SP.

Mas isso é em números absolutos pois, considerando que a população do Rio é apenas metade da paulistana, as 565 mortes daqui significam 84,4 mortes por milhão, mais que o dobro da taxa de 42,1 mortes por milhão registradas na capital paulista.

Há, infelizmente, uma distorção “para baixo” nestes números, fruto da precariedade do registro de mortes nos finais de semana: no Rio, por exemplo, as mortes de ontem na cidade do Rio (92), em tese referentes a segunda-feira, contrastam com os registros de de domingo (4) e segunda (1), que contariam as assinaladas sábado e domingo.

Como os dados se referem a somas feitas até segunda-feira, não é preciso que me estenda sobre o fato de que tudo é mais grave.

Se era possível saber disso, há duas semanas, por que só ontem – e timidamente – começaram a ser tomadas providências para bloqueio na cadeia de transmissão?

Os que argumentam que “é preciso preservar a economia”, o que dizem dos prejuízos que uma cidade que tem nas festas de Réveillon uma de suas maiores fontes de receita turística? E nem se fale no Carnaval, cujas reservas e planos de viagem estão sendo revistos e, em tantos casos, cancelados?

Se não ligam para a dor e para a morte, mas para o dinheiro, será que têm respostas para o dano que estão causando?

Eles não pensam em economia, pensam na “féria do dia” e posam de economistas.

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