O vilão do mundo, e nós pagamos por ele

Há exatas três semanas escreveu-se aqui o óbvio: Jair Bolsonaro “obteve um laurel que poucos homens conseguiram na face da Terra: o de tornar-se um vilão mundial“.

Hoje, na Folha, Vinícius Torres Freire, em ótima reflexão, diz que isso já independe do que, agora e às pressas, ele procura remendar:

Fatos já não adiantam mais. Quer-se ouvir a voz de Jair Bolsonaro, os que odeiam e os que amam. Já pouco importa saber as causas e os motivos dos incêndios e dos desmatamentos horrendos de meados deste ano na Amazônia. Antes mesmo de incendiar a floresta, o presidente já queimou o filme do Brasil, dado o comportamento demente de seu governo de extrema-direita. Ao longo desta semana, Bolsonaro se tornou um sucesso mundial de falta de estima, de desprezo ou de raiva.
Em poucos meses, em especial nas últimas semanas derrubou duas décadas de melhorias na imagem internacional do Brasil no que diz respeito ao ambiente.

Sim, Jair Bolsonaro consegue tornar abjeta até a ideia legítima de nossa soberania: a casa é nossa, mas não esperem que os moradores da rua vão assistir sem reação meu anúncio de que vou atear fogo a ela.

Não tem o menor sentido o que faz, empurrado pela sua compulsão em ser o “campeão do politicamente incorreto”, fazendo questão de proclamar que os dados do desmatamento eram uma conspiração e, ontem mesmo, antes da reação dos chefes de Estado do mundo, afirmar que os incêndios eram causados por um “ongueiro”, de moto ou bicicleta, espalhando fogo com uma varinha nas margens das estradas.

Os resultado, como era óbvio, é desastroso para o país.

Sem meias-palavras, o presidente da França, Emmanoel Macron diz que Bolsonaro “mentiu” sobre os compromissos ambientais do Brasil na cúpula do G-20, no Japão. Ele e a Irlanda, formalmente, pedem a revogação do acordo comercial firmado com a União Europeia e um dos países do grupo, a Finlândia, vai mais longe, sugerindo o bloqueio das importações de carne do nosso país.

Com o que esfregam as mãos nossos concorrentes neste mercado: Índia, Austrália e os EUA do “amigo” Trump.

Essa onda de retaliações contra o Brasil vai se espalhar como fogo na mata seca.

Não importa que não tenha sido ele quem ateou as chamas, perante o mundo, Bolsonaro é o Nero da Amazônia.

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