Paes vira réu e coloca o Rio perto das mãos de Bolsonaro

Haja ou não objetivos eleitorais na ação do Ministério Público contra Eduardo Paes, ex-prefeito do Rio de Janeiro e favorito nas pesquisas para as eleições municipais que se aproximam, isto coloca com maior intensidade ainda a necessidade de se encontrar uma alternativa política para que o Rio não caia integralmente nas mãos da coligação milicio-fundamentalista que se armou entre Marcello Crivella, o fragilíssimo governador interino (e provavelmente definitivo) do Estado e a família Bolsonaro.

Não dá para brincar com isso e as candidaturas colocadas no campo progressista (e até mesmo no liberal, além da de Paes) não têm tamanho político para enfrentar a máquina formada pela aliança entre polícia- milícia – manipuladores da fé evangélica.

Marcelo Freixo, mesmo com seu perfil de classe média que sempre foi um fator de dificuldades eleitorais, é quem tem um patamar de votos para entrar na disputa com chances de um segundo turno que, afinal, pode dar-lhe a vitória.

Ainda que sejam compreensíveis suas resistências a ser candidato sem uma coligação de todos os partidos progressistas, não parece razoável que ele deixe o eleitor progressista do Rio de Janeiro sem uma representação eleitoral que tenha possibilidades reais de disputar a liderança eleitoral.

Se Freixo considerou politicamente adequado lançar-se candidato – e é legítimo que o fizesse – para ajudar na construção de seu partido, o PSOL, não pode se furtar agora ao desafio que, afinal, o colocaria definitivamente como uma liderança fora das camadas de classe média e pensamento de esquerda.

Candidaturas, dizia Leonel Brizola, não são escolhas pessoais, mas devem corresponder a necessidade políticas e sociais.

Mais do que nunca, com o horizonte de alijamento de Eduardo Paes da disputa, é indiscutível que estão postas ambas as necessidades no Rio de Janeiro, a segunda maior cidade do país.

 

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