Prefeito diz que hospitais de NY param em dez dias

Por estar atento desde janeiro à agora pandemia do coronavírus, ouvi de muita gente que era “alarmismo”. Depois, por afirmar que os EUA eram “a bola da vez” da epidemia, também houve que achasse que isso era “ideológico”.

Pois os últimos números revelam que os Estados Unidos já são o segundo maior caso de pessoas contaminadas, com 32 mil casos, sendo 7 mil deles apenas hoje. E um número que vai subir, porque a contagem é incompleta, por usar-se a hora de Greenwich (GMT) como convenção para a contagem.

Nem a Espanha, cujo drama estamos vendo nos jornais, tem tantos casos.

A situação é aterrorizante em Nova York, onde estão metade dos casos, e o prefeito Bill De Blasio foi hoje à CNN colocar data na catástrofe:

“Se não conseguirmos mais respiradores nos próximos 10 dias, morrerão pessoas que não precisariam morrer. É simples assim . Para ser franco, acho que estamos a 10 dias da falta generalizada de suprimentos realmente fundamentais – respiradores, máscaras cirúrgicas – o que é absolutamente necessário para manter os hospitais funcionando”.

É claro que a saúde e as vidas dos norte-americanos é tão importante quanto a de qualquer outro cidadão do mundo. Mas se isso acontece com o coração do país que é o centro do mundo, terá consequências maiores.

Aqui, inclusive.

 

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24 respostas

  1. Uma das melhores fontes para acompanhar a evolução do COVID-19 em tempo real é este mapa-mundi:

    https://www.bing.com/covid

    No momento deste comentário o mapa aponta Estados Unidos já com 38221 casos, na terceira posição, atrás apenas da Itália com 59138 casos e da China com 81054 casos, sendo que na China o número de casos está praticamente estabilizado. A Espanha,com 28809 casos, vem em quarto, já bem distanciada dos Estados Unidos.

    1. Não encontrei a informação no site, mas acredito que esses dados tratem apenas de casos confirmados. Os critérios para uso de testes de confirmação variam de país pra país e, onde a população é menos testada, pode ser esperada maior subnotificação.

        1. Verdade. Casos confirmados. Bem na cara, ando com os nervos à flor da pele. Quando pudermos contar os mortos para fazer uma comparação, conheceremos as taxas de subnotificação, e o real tamanho do problema

    2. Nesse ritmo em dois ou no máximo 3 dias os EUA chegam à vice-liderança.
      Com um agravante que, apesar de não ter a população tão envelhecida como Itália e Espanha, tem alto índice de obesidade, diabetes e doenças coronárias, além de um sistema de saúde bastante inacessível para boa parte da população.

  2. Volto a afirmar: precisamos salvar as pessoas, lá na frente elas salvam a economia. Poderemos até ficar falidos mas falecidos jamais.

      1. Não vejo bem assim. Se a prisão domiciliar necessária for respeitada e até aumentar de 15 para 30 dias, não teremos grandes baixas. Muitas cidades interioranas, estão monitorando rigorosamente a entra e saída das pessoas. Isso salvará muita gente.

        1. Campo Formoso, Bahia. Moro na área rural e não posso ir até a sede do município desde ontem. Ou seja, mesmo querendo, está meio difícil pegar o vírus

          1. Logo vai passar. Você vai estar bem e pronto para seguir a vida. Como eu costumo dizer, essa “prisão domiciliar” de 15 dias pode ser prorrogada por mais 15 dias. Já morei na zona rural. Tem cana, mandioca, batata doce, arroz, feijão, milho, frutas, galinha, ovos, rios, peixes, sempre tem muita fartura, não tenho dúvidas que você vai aproveitar.

        2. Só uma dúvida, quem vai pagar a alimentação e as despesas mensais do trabalhador pobre e do ” dito ” empreendedor, aquele que vende o almoço, para poder jantar ? acho que ninguém está pensando nisto. Morre vítima do coronavírus ou de fome ?

          1. Sinceramente, de fome, ainda mais se tratando de trabalhador, vendedor ambulante, não morre mesmo. Ele vai pedir, ele vai implorar um serviço a troco da comida, e vai acabar ganhando a comida sem precisar de trabalhar em troca, e vai sobreviver. Vai dar até pra levar comida pra casa. Pobre vive como passarinho. não guarda comida. corre atrás todo dia.
            Só pra você ter uma ideia, o andarino sai de São Paulo, com uma sacola nas costas, sem saber onde comer e dormir, a pé, chega a Mossoró no RN. Se morrer no caminho não será de fome mas atropelado de forma maldosa ou por falta de maldade da parte do andarino ou vítima de uma bala direcionada.
            Digo isso porque já trabalhei em churrascaria às margens de rodovia e o que eu mais fiz foi conversar com essa gente, dar comida e até serviço por insistência do mesmo e orientá-lo sobre onde dormir com segurança.

          2. Meu caro, não há dúvida nesse seu “falso dilema”, pois morrerão um e outro. E mais, morrerão também, empresas e não somente micro, pequenas e médias

    1. O problema, Jota, é que os hospitais não poderão atender as pessoas. Na Itália, os médicos escolhem quem eles vão levar para a UTI e quem não vão, por não ter UTI para todos.
      Enquanto a China — que afinal ainda é um país pobre — constrói hospitais gigantes em poucos dias, um país “rico” como os EUA vai colapsar e deixar as pessoas sem tratamento.
      Se o povo — de lá e daqui — não fizer um levante furioso, as autoridades não se mexerão e deixarão centenas de milhares morrerem.

  3. Muita gente se pegunta porque não se ouve falar desse problema na África. Talvez seja porque inúmeros países da África vivem, desde o século XIX, situações MUITO piores do que coronavírus. Essa epidemia lá é “café pequeno”, coisa trivial diante de tragédias muito mais dramáticas, diante das quais o mundo sequer se abala. É como se a África fosse um outro planeta.

    1. Pode não haver testes também. Pessoas morrem sem que se saiba de quê, e não entram pras estatísticas.

  4. É claro que dos países ditos desenvolvidos os EUA é sem dúvida o país mais despreparado para enfrentar uma crise sanitária. É o país desenvolvido que possui o pior, o mais caro e o sistema de saúde pública com menor cobertura. Não que, é preciso também dizer, lhe falte recursos materiais ou humanos.
    Os EUA se colocaram nessa posição em função do pior tipo de casamento possível: o casamento entre negócios e ideologia. A ideia bem deles de que Estado e socialismo são sinônimos serve a estes matrimônio perfeito para os. dois, mas nefasto para a sociedade.
    A tormenta perfeita como gostam de dizer por ai está se formando e parece que vai desabar nessas próximas semanas: a combinação de desenlace imprevisível entre uma catástrofe humanitária em meio a uma catástrofe econômica e financeira. E falo não das sempre castigadas África e América Latina. Falo do centro da capitalismo e do centro do último Império, apenas mais um dos muitos que assistem ao seu próprio fim.
    O pessimismo é agora realmente um dever cívico, humano e planetário. Insisto o vírus é o menor de nossos problemas.

    1. Lembro-me do filme do saudoso Terry Gillian “Os Doze Macacos”, onde (spoiler adiante) o Estado norte-americano, frente ao risco de uma epidemia mortal para a maior parte de sua população, envia emissários com amostras do agente infeccioso para disseminá-lo em outros países, com a máxima “se nós iremos ao inferno, eles não vão ficar pra rir sobre nossas tumbas”. O preocupante nisto é a percepção de que, realmente, os integrantes dos núcleos de poder por lá pensam assim , baseados no tal “destino manifesto”. Não é à toa que os EUA são o berço do fundamentalismo religioso. E, possivelmente, de outros fundamentalismos tão nefastos quanto, a exemplo do neoliberalismo financeiro. Não precisamos da vontade humana para termos catástrofes sanitárias, mas sua associação a catástrofes de outras naturezas podem ter origem humana, seja por ignorância, seja por oportunismos abjetos. E transformam chuvas de verão em tempestades perfeitas.

      1. Lembro do mesmo Terry Gillian do filme Brazil, una distopia baseada na nossa, segundo a FSP, “ditabranda”. Jovenzinho otimista, crente na capacidade regenerativa e curariva de nossa democracia, achei o filme pessimista, exagerado, debochado. Mal podia imaginar o que nos esperava.

    2. E para piorar mais ainda, os EUA tem um elevado percentual da população que é obesa, diabética e hipertensa. O número de óbitos lá será recorde.

  5. Seus números não estão atualizados. São mais de 14 mil novos casos no EUA no dia de hoje. Tudo indica que, nesta semana, a Itália vai superar a China em número de casos e o EUA vai superar a Itália; enquanto o Trump fica culpando a China, como se essa (in)atitude contivesse a pandemia ou curasse os doentes.

  6. E ontem aqui o Mandetta foi crucificado por ter falado em colapso do sistema de saúde em abril… Imagina se ele tivesse dito o que o Bill de Blasio disse? Nos dois casos eu vi nessas declarações mais um grito de socorro às autoridades superiores que, como sabemos, estão num negacionismo suicida, do que catastrofismos desnecessários. Prefeitos e Governadores precisam sim, emparedar seus Presidentes para que eles, ou outras esferas de poder superiores, tomem as devidas atitudes.

  7. Esta é uma diferença fundamental entre oriente e ocidente.
    Numa crise onde se exige que um trabalhador fique em casa arriscando seu emprego e seu sustento é inaceitável que as empresários e suas empresas que produzem respiradores no Brasil (ou tenham capacidade de fazê-lo) não sejam imediatamente submetidas a restrições similarmente graves como aos cidadãos comuns, de serem arrestadas e postas em funcionamento por 24 h e outras empresas que tenham insumos necessários à produção das máquinas respiradoras necessárias devem ter seus insumos confiscados e usados na produção das máquinas que podem salvar vidas…

    Mas isso é impensável num governo hipócrita como o nosso.

    Os chineses assim o fizeram para sua mobilização os custos e reparações ficam para DEPOIS…
    Não há discussão de preço, o ente público solicita a capacidade plena de produção da empresa e se faltar insumos sai a cata ONDE ELE ESTIVER.

    A ganância empresarial floresce na crise do povo SEMPRE foi assim e nesta hora é que o Estado tem de agir no bem de TODOS ignorando as questões econômicas para depois…

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