Santayana: porque tomaram o Brasil de assalto

naoveras

Trecho do artigo do mestre Mauro Santayana, em seu blog e na Revista do Brasil:

O Brasil que não nos deixam ser

Mauro Santayana

A “história oficial” que tenta contar, ou corrobora, enquanto discurso quase único, a mídia brasileira hoje, é a de que vivemos em um país subitamente assaltado, em termos históricos, nos últimos 15 anos, por “quadrilhas” e organizações criminosas, infiltradas em governos populistas e incompetentes que, acossado pela corrupção, tenta, por meio de uma justiça corajosa e impoluta, livrar-se desse flagelo “limpando” a ferro e fogo a Nação, enquanto um governo que, coitado, não é perfeito, mas foi alçado ao poder pelas “circunstâncias”, tenta “modernizar” o Brasil, por meio de reformas tão inadiáveis quanto necessárias, para tirá-lo de uma terrível bancarrota em que o governo anterior o enfiou.

Mas a história real que ficará registrada nos livros do futuro – queira ou não quem está a serviço dessa gigantesca mistificação – falará de um Brasil que, no início do Século XXI, chegou a sair da décima-quarta economia do mundo para o sexto posto nos últimos 15 anos – e que ainda ocupa o nono lugar entre as nações mais importantes do mundo.

De uma nação que mais que triplicou seu PIB de 504 bilhões em 2002, para quase 2 trilhões de dólares no ano passado – que pagou – sem aumentar a sua dívida pública com relação a 2002 – seus débitos com seus principais credores internacionais – entre eles o FMI – e quadruplicou sua renda per capita em dólares, além de economizar mais de 340 bilhões de dólares em reservas internacionais, nesse período, transformando-se no que ainda é, hoje, em 2017, o quarto maior credor individual externo dos EUA.

Um país que cortou, segundo números do IBGE, o número de pobres pela metade, duplicou o número de escolas técnicas federais, construiu quase 2 milhões de casas populares, com qualidade suficiente para atrair até mesmo o interesse de altos funcionários do Estado, como procuradores da República. .

Um país que tinha voltado a construir refinarias, navios, grandes usinas hidrelétricas, gigantescas plataformas de petróleo e descoberto, com tecnologia própria, abaixo do fundo do mar, a maior província petrolífera, em termos mundiais, dos últimos 50 anos.

Que expandiu o crédito e o consumo, duplicou sua safra agrícola, projetou-se internacionalmente em seu próprio continente e até o continente africano – como fazem outros países de sua dimensão e importância – e forjou uma aliança geopolítica com potências espaciais e atômicas, como Índia, China e Rússia – o BRICS – montando um banco que foi criado com a missão de transformar-se no embrião de uma alternativa ao sistema financeiro internacional.

Que estava construindo submersíveis – entre eles o seu primeiro submarino atômico – tanques, navios de patrulha, cargueiros aéreos, caças-bombardeiros, radares, novos mísseis ar-ar, sistemas de mísseis de saturação, uma nova família de rifles de assalto, para suas forças armadas, por meio de forte apoio governamental a grandes empresas de engenharia de capital majoritariamente nacional, integrando esses esforços com outros países, também do próprio continente, para fortalecer a defesa e a soberania regional contra eventuais agressões externas.

Um Brasil que, por estar fazendo isso, sofreu, nos últimos quatro anos, um ataque coordenado, ideológico e canalha, de inimigos internos e externos.

A íntegra do artigo está aqui.

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21 respostas

  1. Santayana, simplesmente impecável. Esse texto deveria ser lido pelos paneleiros todos os dias para ver se entra algum bom senso nessas mentes deturpadas.

    1. Zoé, não adianta, vide certos elementos que comentaram acima, há tempos passei a considerar que uma mudança por meios violentos só traria mais violência indefinidamente,mas vendo os otários que comentam aqui, entendo o porquê de certos países como França, Inglaterra EUA, dentre outros do norte só terem se desenvolvido após purgarem-se em extrema guerra civil, vide os EUA, que só começaram a ser o que são ao fim de sua Guerra Civil em 1865, a França da Comuna de 1871 e a Alemanha depois da Guerra Franco-Prussiana, desculpe a verborragia, mas para nos dar-mos a entender pelos mentecaptos que comentam acima só escrevendo muito!!!!

      1. Com certeza Evair, é na parte do face e aqui também. São sempre os mesmos trolls e robôs contratados. É preciso escrever muito e lutar para que 2018 seja o ano da virada, o momento crucial para colocar os meliantes em seus lugares.

  2. Dívida interna 3,9 trilhões de reais!
    Dívida externa 500 bilhões de dólares!

    2015 a dívida consumiu 962 bilhões de reais!

    É muita canalhice dizer que a dívida não aumentou! No governo petista não só aumentou a dívida como a porcentagem da receita destinada a mesma!

    1. O pior é que aumentou quando não precisava ter aumentado. O PT pegou a melhor situação da história, bastando seguir o modelo do FHC (como o Lula prometeu na Carta aos Brasileiros) e usufruir do boom das commodities, que beneficiou países como o nosso como se fosse uma loteria premiada. Mas enquanto colhia o que outros haviam plantado, o PT plantou, por incompetência e corrupção, o desastre que passamos a colher no segundo governo Dilma, com um estado inchado e ineficiente, aliado à maior recessão da nossa história e à monstruosa dívida de agora.

      Esse Santayana sabe disso. Mas ele confia na ignorância dos que desconhecem que o crescimento do boom não teve nada a ver com o desgoverno petista e que em setores que o autor cita como exemplo, como o agronegócio, o PT é simplesmente detestado. Aliás, ele é bom nisso. Ele era nada menos que o responsável pelas emissões da Rádio Havana para o Brasil, um profissional da desinformação a serviço do comunismo e suas derivações.

      1. Compatriota Ernesto.

        Discordo de ti. PT manteve exatamente a cartilha de FHC, que não é dele. No governando FHC pagava valores exorbitantes para o serviço da dívida e a dívida aumentou todos os anos. Você pode argumentar sobre o PT ter vivido o “ápice” dos preços das commodities e que por isso teve a dívida deveria ter diminuído, e eu concordaria contigo. Porém as privatizações do governo FHC não deveriam ter diminuído a dívida? Um dos argumentos das privatizações foi este e as dúvidas só aumentaram, é muito!

        1. Nisso eu concordo. O dinheiro das privatizações deveria ser todo usado para abater a dívida. Lembro que na época se falou nisso (acho que o Serra defendia essa ideia), mas até porque houve o berreiro contrário foi grande, o pessoal recuou.

          1. E para onde foi o dinheiro? Essa dívida é falsa meu caro compatriota.

      2. Você não é só ignorante (que é passível de perdão) é só um papagaio de pirata mal treinado. O PT pegou o Brasil QUEBRADO, o saldo das reservas era uma gravidez não dava nove meses e isso com os empréstimos do FMI. O modelo que ele seguiu não foi o do FHC, foi o modelo EXIGIDO pelos acordos com o FMI em 1999: cambio flutuante, metas de inflação e superavits fiscais. A política do FHC era de bandas cambiais, mantidas artificialmente através da intervenção irregular no mercado futuro de dólares, venda de títulos públicos cambiais (o FMI proibiu os dois mecanismo), os deficits comerciais acentuados eram financiados com hot money, a um custo fiscal monstruoso (chegaram a emitir papel público com a taxa de juros estratosféricas de 50% aa). Queimaram patrimônio público com privatizações selvagens e praticaram irresponsabilidade fiscal em quase todos os anos do principado criminoso.
        Vai estudar fascista vagabundo e para de falar besteiras, pensam que todos são ignorantes e criminosos como vocÊs?

        1. Compatriota Policarpo.

          Quando me referi a “cartilha FHC”, afirmei que não era a dele. A cartilha que ele seguia é a mesma do PT: o neoliberalismo do sistema financeiro mundial.

          Em alguns detalhes, os governos do PSDB e PT, tinham suas diferenças. Essas diferenças, na minha opinião, somente arranham a superfície dos reais problemas do nosso amado país.

          Como falou em vocês, creio que estou incluído na suas ofensas. Creio que me considere ignorante por ter ignorado as diferenças entre os governos, posso aceitar isso. Gostaria de saber em quais das minhas palavras você me avaliou como “fascista vagabundo”.

          Acredito na necessidade de mais diálogo entre nossos compatriotas. Seria interessante, nos diálogos, a total abstenção por ofensas.

          1. O comentário não era para você. É preciso ser intransigente (como a Alemanha foi no pós-guerra) com quem não respeita as regras de convivência democrática, as liberdades básicas e os direitos humanos. Fascistas covardes diariamente disseminam impunemente ódio cego e desinformação nas redes. Já devíamos ter feito algo antes para combater o mal, esse protofascismo renascido nas redes.

      3. Arnestinha
        Voltou minha putinha preferida ?
        Começou o troca-troca com : Capiau Venha Chupar Meu Pau, Iskras e Kawarinha ?
        Lave a PORRA da sua boca pra falar do Santayana, filho de puta. Fica enchendo linguiça com comentários sem nexo. Jumento erudito !
        Gosta de ser enrrabada também?
        Pederasta filho da puta !
        Xibunguinha !

  3. Brilhante sr Mauro Santayana,ainda bem que temos jornalistas que sabem interpretar e narrar os fatos e nao escrevinhadores ignorantes da vela,uol,istoe,epoca e asseclas.Parabens

    1. Compatriota Evair.

      Essa porcentagem está omitindo s títulos da dívida externa em posse do BC. O governo omite com a justificativa de se tratar de dívida entre setores do mesmo governo, porém o argumento não se sustenta já que o BC repassa estes títulos para bancos estrangeiros.

      1. Correção, títulos da dívida interna.

        Perdão o ato falho, a realidade é que a chamada dividida interna está em posse de instituições estrangeiras.

        1. As reservas cambias (cerca de 400 bi de usd) são ativos do Banco Central e reduzem a relação dívida líquida em relação ao PIB (a divida bruta não inclui as reservas). O endividamento público e o volume de reserva são os mais confortáveis já registrados em toda nossa história republicana, o que não é pouco dados as recorrentes crises de balanço de pagamentos e de dívida externa em nossa história econômica. Os golpistas tem a cara de pau inclusive de vender a solidez da situação externa brasileira para os especuladores externos (hedge fundings e outros agentes do mercado onoffshore). O endividamento privado esse sim tem aumentado muito ao longo do último decênio e se deve ao próprio crescimento de nossa economia, boa parte desse endividamento são relações inter company entre matrizes estrangeiras e sucursais nacionais e vice versa). Antes de se lançar na aventura golpista a economia tinha problemas principalmente de investimentos e no front fiscal interno: o desaquecimento da economia tem um impacto direto e mais rápido no nível de arrecadação do que no nível dos gastos. Era uma situação gerenciável desde que houvesse vontade política para isso, mas os agentes econômicos preferiram agir politicamente e apostaram no caos econômico político e institucional, já que sabiam que as urnas já não podem mais devolver o poder da presidÊncia da república para seus políticos profissionais tucanos. That’s all o resto é perfumaria.

          1. Só esqueceu de mencionar que as reservas cambiais são geradas com emissões de títulos da dívida pública.

          2. Por favor me explique como as reservas cambiais, com rendimentos bem inferiores aos juros dos títulos emitidos para comprá-las, reduz o endividamento público.

            Favor juntar a explicação o motivo da dívida, bruta e líquida, seguir aumentando mesmo com essas medidas.

  4. – Desvinculação de Receitas da União, vulgo DRU, foi um decreto publicado criminosamente por FHC para não destinar os recursos mínimos, obrigados pela constituição, as suas respectivas áreas. Priorizando, dessa maneira, o pagamento do serviço da dívida.

    – Lula, que criticou muito a DRU quando era da “oposição”, entra em 2002 e mantém o decreto CRIMINOSO! O governo petista prorrogou a DRU todos os mandatos.

    – Em 2003 Lula envia a PEC n°40 ao congresso. Essa PEC altera o artigo 192, apagando todos os parágrafos que regulavam o sistema financeiro e impunha limite de juros reais a 12% ao ano.

    Obs: Essa foi uma das PECs aprovadas pelo esquema que ficou conhecido como mensalão.

    – Após o primeiro mandato de Lula, os presidenciáveis do PT são os que, dentre todos os presidenciáveis, mais recebem recursos do sistema financeiro.

  5. Coincidiu a determinação americana de sufocar o crescimento e o protagonismo internacional do Brasil com o desejo das elites brasileiras (banqueiros e empresários) de assumir o poder total do país, que estava sendo partilhado com forças políticas populares já havia doze anos. O caminho escolhido foi o do de semear o ódio, baseado na observação de que o desprezo e a ojeriza aos mais pobres é uma marca indelével das camadas médias e altas da sociedade brasileira. Neste processo, não importa em nada a soberania nacional, o interesse estratégico nacional nem qualquer projeto país que inclua tornar a população mais homogênea e menos desigual. Contudo, não se imaginaria que chegassem a ir tão profundamente neste processo de destruição nacional.

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