Tempo e dinheiro. Falem claro que o povo entende a reforma

Ontem, na Câmara, Paulo Guedes se defrontou  com uma oposição, infelizmente, pouco objetiva, embora muito aguerrida.

Só Paulo Teixeira e Clarissa Garotinho, além de um deputado governista de quem não me recordo o nome, perdão, foram objetivos em tratar da questão das regras de transição e da redução dos benefícios, alvos da vez, porque as mudanças na aposentadoria rural, no BPC e a capitalização estão, na prática, mortas, desde que o Centrão divulgou, subscrito por 13 partidos, com seus 291 deputados, que não os aceita.

Faltou-lhe, também, simplicidade nos argumentos sobre a razão de rejeitar-se a capitalização: nenhum problema se ela criasse  lucros para seus fundos gestores – e eles já existem hoje, com os PGBL e VGBL – mas muitos em explicar que as que existem hoje, vinculadas às empresas, só funcionam porque o empregador contribui – e em geral com até o dobro – para o acúmulo de fundos, ao contrário do que propõe-se agora, quando deixa de haver o recolhimento patronal.

Ontem foi uma grande oportunidade, mas haverá outras, nas quais é preciso esclarecer a população didaticamente, com exemplos que, embora pouco presentes ontem, deixaram Paulo Guedes apenas a negar a verdade e fugir das respostas objetivas.

Por que, por exemplo, uma mulher a quem faltam hoje dois anos e meio para aposentar-se pode ter que trabalhar, além deles, mais oito anos para ter seu direito? Porque , como se mostrou aqui, uma assalariado modesto, de salário de pouco mais de R$ 2 mil, perde, com as novas regras, 43,5% do benefício que teria ao se aposentar?

É preciso que a população veja concretamente o que lhe acontecerá, porque eles a assustam com um vago “não vai ter dinheiro para pagar”. Em junho de  1977, naquele programa de TV do MDB que levou à cassação do deputado Alencar Furtado pela ditadura, Alceu Collares fez um discurso que foi lembrado por anos, dividindo o salário-mínimo por pães e xícaras de café.

A “garfada” tem de ser medida em tempo e dinheiro, que são intelegíveis, como aprendi desde que, bem jovens, dava aulas de matemática num curso supletivo.

Assim, o povo entende. Cálculo atuarial, nem sabe o que é.

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7 respostas

  1. A direita já entendeu isso. Hoje, em sua coluna, Mirian Leitão diz que não é hora de se falar tanto em capitalização. Querem esconder do povo essa belezura.

  2. Os meios de comunicação tem a obrigação de esclarecer a nivel de detalhamento as perdas e ganhos se houver . E dar melhor esclarecimento de quem é o ” Deus mercado ” que está bancando o lobby junto ao governo e legislativo , bem como a aliada mídia dominante que não esclarece nada só confunde . Algum blog ” sujo ” tem que fazer esse esclarecimento . Quem é o mercado ? quais são as organizações financeiras ? o que elas ganham com a aprovação da PEC ? qual o desdobramento dessa aprovação ? Qual é o interesse da mídia dominante nessa aprovação ?
    Enfim tornar mais simples o entendimento para onde irão a economia em 10 anos de 1 trilhão de reais ? Se vai para o setor produtivo ou para os rentistas . E vários outros esclarecimentos em linguagem popular , que a maioria do povo entenda . Até mesmo aqueles que votaram nele .

  3. Mas a estratégia é exatamente essa, que o povo aceite e pânico que eles espalham e aceitem suas mudanças “salvadoras” sem ter a mínima ideia do que está acontecendo.
    Afinal, qualquer um do povo que entenda o que Guedes está propondo vai chamá-lo de coisa bem diferente de “tchutchuca”!

    1. Isso mesmo. A falta de plano estratégico já é a própria estratégia, visto que fica difícil apresentar indicadores e metas daquilo que você pretende desconstruir. Imagina publicar planejamentos com objetivos como “colocar na mão dos bancos”, “colocar na mão das escolas particulares”… Esquece universalização dos sistemas.

    2. Isso mesmo. A falta de plano estratégico já é a própria estratégia, visto que fica difícil apresentar indicadores e metas daquilo que você pretende desconstruir. Imagina publicar planejamentos com objetivos como “colocar na mão dos bancos”, “colocar na mão das escolas particulares”… Esquece universalização dos sistemas.

  4. Considerando que a média de aposentadoria dos não ricos e marajares é de 1200 por mês ou 15600 por ano (13 salários), o que se quer é impedir, por várias maneiras, que no período do próximos 10 anos 83 milhões (1.300.000.000.000/15600) de pessoas NÃO SE APOSENTEM.
    83,3 ( oitenta e três , vírgula 3) milhões de pessoas não aposentando em 10 anos dá uma “economia” de 1,3 trilhão.
    Conta fácil. Destruir a previdência é um “sucesso”, deles.
    QUEM MATA MAIS: destruição da previdência, liberação de armas, liberação da atuação de maus policiais, retirada de redutor de velocidade nas estradas ou redução de impostos nos cigarros?
    Que desastre globo, que desastre golpistas, que desgraça!

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