50 mil. O “novo normal” é a morte

53 dias atrás, perguntado sobre as 5 mil mortes até então causadas pelo novo coronavírus, Jair Bolsonaro soltou o seu tristemente famoso “E daí, querem que eu faça quê?“.

Agora as mortes são dez vezes mais e o “querem que eu faça o quê?” está perfeitamente respondido com uma multidão de corpos inanimados recobertos de terra, sem direito sequer a um afago e um adeus dos seus.

Daqui a outros 53 dias, ao fim da primeira quinzena de agosto, é provável, segundo as projeções dos especialistas e seus modelos de projeção, que estejamos lamentando mais 100 mil vidas perdidas e não há esperanças de que Jair Bolsonaro esteja dizendo algo diferente do “querem que eu faça o quê?”

O presidente que certo dia disse que seria preciso morrerem “uns 30 mil” para o Brasil mudar, está na iminência de dobrar, triplicar, quadruplicar a “meta”.

É verdade que Jair Bolsonaro não ficou inerte diante da escalada macabra.

Não, ao contrário, ajudou a acelerá-la, chamando o povo às ruas, contrariando as medidas sanitárias, demitindo ministros da Saúde e entregando o posto a um general – o apetite dos generais palacianos por poder nem mesmo recusou-se a tingir de sangue as fardas militares – e se dedicando a salvar sua própria pele e a dos filhos diante de um mar de denúncias.

A última manifestação oficial do governo, com as assinaturas também do vice e do ministro da Defesa foi para dizer que as Forças Armadas não cumpririam “ordens absurdas”.

Parece que não é assim, pois seguem fabricando pílulas inúteis de cloroquina e seguiram as ordens de tentar abafar os números da pandemia, sepultando estatísticas junto com os cadáveres.

Contam que, passados 100 dias desde o início da epidemia, a morte tenha se tornado algo tão banal e presente que não haja mais reações ao genocídio.

Ocorre, porém, que neste período o próprio Governo tornou-se um paciente terminal, respirando por aparelhos de corrupção com a entrega de cargos, enquanto se retorce em meio a processos e escândalos.

O governo Bolsonaro vai morrer, não sem antes matar mais milhares, dezenas de milhares, de brasileiros e de brasileiras.

E será sepultado, como suas vítimas, sem possibilidade de lágrimas e de adeus.

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