Bolsonaro contra a Globo tambem é defesa contra Huck

Como as manchas de óleo do Nordeste, a borra da política suja desloca-se um tanto abaixo da superfície, sem aflorar mas perceptível a quem preste atenção aos ventos e marés, mesmo antes de chegas às praias do processo eleitoral.

E, confirme-se ou não a candidatura Luciano Huck, é nessa possibilidade que a guerra de morte entre Bolsonaro e a Globo se situa.

Ontem, o presidente voltou a insinuar a não renovação da concessão da emissora, provocando William Bonner, de quem disse defender a Globo porque “ganha R$ 800 mil” e não pagaria impostos.

Não é de graça que o faz.

A “vocação política” de Huck – que nunca entra no debate político – vai se desenvolvendo sob os auspício de velhas raposas politicas – senis, mas perigosas – como Fernando Henrique Cardoso, Jorge Bornhausen e um trabalho de construção de imagem do “bom rapaz”, nada mais a ver com os tempos da Tiazinha e das meninas de trajes mínimos.

Agora, observa Apolo da Silva n’Os Divergentes, “os quadros de seu programa na TV procuram vendê-lo aos eleitores como alguém preocupado com os temas sociais”

Num deles, ele seleciona personagens de uma comunidade que esta gostaria de homenagear. Huck já está montando uma ficha de líderes nas comunidades? Nem todos vão para a TV. Mas a lista de símbolos está sendo feita.
“Lar Doce Lar” é uma das propostas de seu programa de governo ou um dos quadros de seu programa (eleitoral) na TV? Imaginem a adoção de um programa nacional favorecendo quem quer reformar ou obter uma casa. É o Minha Casa Minha Vida do Huck.
Isso, sem falar no “Lata Velha” proposta-quadro que beneficia quem deseja reformar o seu carro. Para a juventude, ele tem um quadro em que alunos escrevem desejos que gostariam de realizar. Huck é a fada madrinha.
Ou então, o quadro em que se dá um empurrãozinho para que um pequeno negócio saia do papel. Disposto a criar uma corrente de cabos eleitorais tem o quadro “Ao Mestre com Carinho”, no qual os homenageados são os professores. A lista dos melhores, em cada comunidade local, está sendo levantada.

Huck tem um caldeirão de vantagens. É, literalmente, o candidato da Globo. É rico e suas extravagâncias todas se justificam com o cachê do sabão e do detergente. E ainda tem um avião no qual, como Dória, viaja no que “é meu”, ainda que seja deles por financiamento do BNDES. Negócios obscuros e amigos “queimados” ficaram no passado e desta caixa a Globo não os tirará.

Não vai demorar até que Bolsonaro o nomine como a razão dos ataques globais e parta sobre ele a matilha.

Por enquanto, como registrou Luís Nassif, em outro lúcido texto, a ideia é bater no ex-capitão sem derrubar, deixando a ” ideia de Paulo Guedes e de suas reformas como âncora do governo”, desmontando direitos e estruturas econômicas, exatamente como quer a Globo.

Quando Bolsonaro não tiver mais serventia, tiramos da gaveta o caso Marielle, o porteiro, obstrução de Justiça, as dezenas de quebras de decoro e o colocamos para fora. E entronizamos Luciano Huck no seu lugar.

Na teoria, o plano é ótimo. Mas Bolsonaro – e, sobretudo, os bolsonaristas – já mostraram que não podem ser manobrados com razão e lógica.

 

 

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