Bolsonaro e seu “não posso fazer nada”

Como se disse mais cedo aqui, Jair Bolsonaro voltou à cantilena do “eu não posso fazer nada” para tirar o corpo fora da crise econômica brasileira.

Num culto evangélico, disse que os problemas da economia são culpa do “fique em casa” da pandemia e da guerra “lá fora”:

“Se fosse só o Brasil eu seria o responsável, mas ouso dizer que o Brasil é um dos países que menos sofre economicamente, levando-se em conta o mundo todo” (…)“Aqui não tem desabastecimento. Temos dificuldades, mas qual a solução pra isso? É ter resiliência, ter fé, é ter coragem, é acreditar. Por muitas vezes, ou quase sempre, dobrar os joelhos e buscar uma alternativa, pedir uma alternativa”. “Nós sabemos que temos que fazer a nossa parte, mas as coisas impossíveis, [é preciso] deixar na mão de Deus”, concluiu o mandatário, em meio a aplausos.

(A propósito, procurei saber onde há problema de desabastecimento de combustíveis. Alta há em muitos países, como aqui, mas falta de combustíveis só achei no Reino Unido, mas em setembro do ano passado – bem antes da guerra, portanto – e provocado pela saída da União Europeia – o Brexit – que interrompeu, por exigências alfandegárias, o tráfego de caminhões-tanque. )

Reduzir a pobreza e estabilizar minimamente os preços são “coisas impossíveis” que devem ser deixadas “na mão de Deus”? Deus, acima de tudo, não vai baixar o preço do tomate, da batata e da cebola. Não vai alterar a política suicida de preços da Petrobras que, aliás, não faz muito estava sendo cantada em prosa e verso como “profissionalização” da empresa.

Bolsonaro não se poupou de voltar a falar m “inimigos internos e externos” que acham “o outro, que esteve à frente do Executivo por oito anos e mandou em mais seis fosse realmente a solução pra nossa pátria”.

Usou e abusou da mistificação, dizendo que crianças “a partir de cinco anos de idade” tinham a “cabeça feita” na escola para acharem que aborto era como “arrancar um dente” e que seus críticos querem colocar “os militares e os pastores nos seus devidos lugares”. Seria isso, por acaso, pregarem a seus fiéis e cuidarem da defesa nacional e não de política eleitoral?

Ah, sim, não creio de Deus vá se dispor a ser Ministro da Economia de Bolsonaro.

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