“Eu não fiz nada”: a desculpa cínica do golpista Bolsonaro

Menos de 24 horas depois de ter subido numa caminhonete em meio a um turba fascista que portava faixas em favor do fechamento do Congresso, do Supremo Tribunal Federal, pedindo a volta do AI-5 e uma “intervenção militar com Bolsonaro no poder”, o psicopata golpista que ocupa a cadeira presidencial deste país disse que não falou nada “contra qualquer outro Poder, muito pelo contrário”.

Depois, o sujeito – repugna-me chamá-lo de homem – que já defendeu ditadura, tortura, fuzilamentos proclama-se “campeão das liberdades”.

— Aqui é democracia. Aqui é respeito à Constituição brasileira.

Óbvio que ninguém acredita, mas todos fingem acreditar e absurdos ultrapassam absurdos nesta caminhada louca em direção à pré-história em que o Brasil está metido.

Já vivemos sob uma situação de exceção, onde o debate político foi substituído por zurros, pelas frases entrecortadas de quem não sabe articular ideias mas vocifera ódio e, como um Luiz XIV absolutista, ungido pelo direito divino e não um governante eleito dentro de regras e limites.

— Eu sou realmente a Constituição.

Bolsonaro não tem sequer consideração com que o socorre em seu governo sem rumo, deixando com cara de palerma – a missão parece não ser muito difícil – seu interventor no Ministério da Saúde, que não pode se proclamar defensor do “libera o contágio aí, gente” presidencial e tem de permanecer mudo e oculto.

As instituições, se não agirem à altura do que é necessário contra esta ameaça – e falo literalmente – à vida dos brasileiros serão mesmo digna do fim trágico que para elas está reservado no golpismo bolsonarista.

“Ditar os rumos da morte é o exercício supremo do poder a que o bolsonarismo aspira” diz hoje na Folha, em indignado artigo, o advogado Thiago Amparo.

Genocídio e liberticídio, estes são os crimes em sua mira. Quem tem poder deve detê-lo ou aceitar que ser julgado, amanhã, como cúmplice desta monstruosidade.

 

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