Quem manda é ele; quem obedece é sabujo

Três dias atrás perguntei aqui se seria possível que qualquer pessoa poderia ingressar hoje no governo Bolsonaro sem ser, necessariamente, um sabujo do presidente transtornado.

Os fatos estão provando que é exatamente isso.

Horas depois de ter nomeado o sr. José Levi para ser o novo Advogado Geral da União, Jair Bolsonaro desautorizou a declaração do novo chefe da AGU de que não haveria recuso contra a liminar do ministro Alexandre de Moraes impedindo a nomeação do delegado Alexandre Ramagem para dirigir a Polícia Federal.

“Quem manda sou eu e eu quero o Ramagem lá”

Levi, claro, tinha razões técnicas para não recorrer, a maior delas o fato de que a possibilidade de revogar a liminar é zero e, portanto, recorrer seria apenas colecionar mais uma derrota e um desgaste.

O erro do advogado está justamente aí. Bolsonaro não considera um desgaste, mas um fortalecimento ante sua matilha a manutenção do confronto com o STF, aquele que seus simpatizantes, com seu apoio, querem fechar.

Somente a sabujice impede – se é que impede – que esta gente que está entrando no governo entenda que o objetivo de Bolsonaro é a hecatombe social, a crise institucional e a assunção de poderes autoritários.

Todos estão autorizados a pensar que estes que entram para se prestarem de bonecos do psicopata não são ingênuos, são cúmplices.

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