Rainier Bragon: o dever de resistir à escalada autoritária

Imperdível a leitura do artigo de Rainier Bragon, hoje, na Folha, no qual ele trata as manifestações convocadas pelas falanges bolsonaristas como um claro flerte com o autoritarismo, em contraste com o próprio jornal, que ensaia por panos quentes em algo que todos vêem que  vai muito além de uma manifestação legítima, mas se constitui numa incitação do presidente ao seu séquito para coagir a opinião pública.

Faz o que poucos têm feito: não é so uma responsabilidade de Jair Bolsonaro, mas de todos os que são sócios deste governo: militares, parlamentares e ministros, entre eles Sérgio Moro, que têm o dever de reagir a isso, sob pena de fazerem verdade tudo aquilo de que são acusados pelas hordas do ex-capitão.

Não há meio-termo quando um
presidente flerta com a ditadura

Rainier Bragon, na Folha

Jair Bolsonaro resolveu testar a aceitação popular a uma nova era de arbítrio. Não há meio-termo quando um presidente da República compartilha um texto como o da semana passada e estimula atos que pregam o fechamento do Congresso e do Supremo Tribunal Federal.

Depois de voltar de uma ridícula e inútil viagem aos cafundós dos Estados Unidos, ele disparou o pueril texto e estimulou os protestos pró-ditadura do dia 26 —ações que vão contra o que entendemos por república, democracia e civilização.

Não importa se Bolsonaro perdeu o eixo devido às investigações sobre a peculiar política de RH dos gabinetes da família. Não há como ter posições dúbias diante do que foi dito. Alguns aliados já falaram, como o olavete do Itamaraty, para quem o chefe quer só desligar a “maldita máquina” corruptora. Outros, como o MBL e Janaina Paschoal, criticaram.

“Essas manifestações não têm racionalidade. O presidente foi eleito para governar nas regras democráticas. Dia 26, se as ruas estiverem vazias, Bolsonaro perceberá que terá que parar de fazer drama para trabalhar!”, escreveu a deputada, que nesta segunda-feira (20) questionou a sanidade mental do presidente.

Os 594 congressistas —chamados de ladrões, não nos percamos em eufemismos—, o que pensam? E os militares? Concordam com o reingresso na união das republiquetas de banana, tendo como césares Bolsonaro e seu Rasputin desbocado? Usaremos, para isso, um cabo e um soldado ou será melhor esperar a vinda de tanques da Virgínia? 

Resta também a eterna curiosidade sobre o que pensa Sergio Moro. Congresso ou STF, qual liquidar primeiro para haver governabilidade? O ministro, um apreciador das leis, poderia dizer quantos artigos da Constituição que jurou cumprir Bolsonaro descumpriu na semana passada? Ou vai pedir escusas para, mais uma vez, se fingir de morto?

Sempre é possível correr para debaixo da cama em situações assim. Que cada um depois preste contas à história e à sua própria consciência.

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10 respostas

  1. ahh se fossemos de fato um povo e uma nação; ahh se esse povo e essa nação sofrida pudesse e quisesse só por um momento abandonar sua vida heroica de luta diária pela sobrevivência e pelo futuro dos seus e dedicar a luta pela sobrevivência e pelo futuro de todos, como cidadãos orgulhoso, ahh se esse povo de nossas sofridas periferias, morros, alagados ocupassem as praças e ruas centrais de nossas cidades e demonstrava só com sua presença altiva uma realidade: que o tempo das quarteladas e seus ridículos ditadores e capitães de mato e suas minorias privilegiadas já não têm mais lugar em suas vidas e na história desse povo e dessa nação, ahh se tudo isso pudesse passar como um passe de mágica e como um milagre…..

    1. Por trás de toda esta desgraça está a sombra enigmática do Império. Ela só pode ser atacada com uma arma chamada astúcia. Precisamos muito mais de um João Grilo que de um Capitão Severino de Aracaju, que era um santo idealista e corajoso, porém demasiadamente ingênuo.

      1. Acho que precisamos de todos os Severinos com ou sem a esperteza de João Grilo. O “Império” não daria um pio aqui sem a conveniência e o feliz casamento de interesses com os “onshore” (se é que me entendes). O mal está bem mais próximos e a alcance de nossas mãos do que imaginamos. Se os vencemos cortamos “os tentáculos” do Império com pés de barro.

  2. Os “cidadãos”, até agora, já vão ter acesso a dois mil fuzis. De maneira inteiramente legalizada. Só nos resta torcer para que aqueles que são realmente responsáveis pela segurança do país não estejam dormindo nem distraídos.

  3. ——O ministro, um apreciador das leis——— a ´midia canalha ainda tenta manter o CRIMINOSO sergio moro como o “redentor da justiça LIXO.
    Sobre o milciasno e a mídia,nada que eles não soubessem,e confirma que estão em campanha para isolar o demente no governo.

  4. ,,,,,,,,,,,,cada um depois preste contas à história e à sua própria consciência ” . Isto é para quem tem bom caráter , não me parece que ninguém desta horda tenham , o hoje e o amanhã , apenas para os seus , os demais eles querem que pobres se explodam , como disse o pewrsonagem de Chico Anísio , Deputado Justo Verissimo .

  5. Que me perdoem, mas o que pode acontecer é um golpe dentro do golpe, porque estamos no desenrolar do segundo governo golpista, que não está atuando de forma aceitável, até mesmo desagradando muitos de seus apoiadores. Claro está, também, que os golpistas estão em dificuldades em dar seguimento ao deletério programa autoritário, entreguista, que somente trás benefícios para os ricos e o mercado, não contando com um nome de peso, que tenha apoio na população para substituir Bolsonaro, por mais que enfeitem a imagem do gorila Henrique Mourão. Não havendo rutura institucional, tudo irá capengando até uma definição através da próxima eleição, e diante dos protestos, certamente de forma mais autoritária e repressiva. Lula livre.

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