A vontade dos colunistas não quer dizer mudança no quadro eleitoral

caio

Se os fatos não correspondem à realidade, revoguem-se os fatos.

É preciso ter muito cuidado com esta tendência que funciona como um canto de sereia para quem faz análise política.

Já está acontecendo com os números do último Datafolha.

Rainier Bragon, na Folha, diz que “outro sinal relevante da pesquisa diz respeito a Jair Bolsonaro (PSC), que dá sinais de ter perdido fôlego”. Os  sinais, se existem, estão perto da irrelevância, nas margens de erro.

Bolsonaro aparece, nos cenários com e sem Lula, entre 15 e 20 pontos, na pesquisa encerrada ontem. Na publicada em dezembro, varia entre 17 e 22%. Francamente, isso não é sinal de nada, exceto de que está consolidado neste patamar. Se cairá dele ou se avançará (tomara que não, em nome da civilização) são, definitivamente, outros 500.

Já o Painel diz que “a nova pesquisa Datafolha ressuscita o fantasma de Luciano Huck” e que ele passaria a ser uma “alternativa para encarnar “o novo”. Engano no qual, a meu ver, embarca o correto Kennedy Alencar, no seu comentário na CBN.

Quem ressuscitou Huck foram a Folha, que não o tinha posto na última pesquisa, e Fernando Henrique Cardoso, que o prepara para ser uma “pernada” em Geraldo Alckmin. Senão, vejamos: na pesquisa Ibope do final de outubro passado, Huck tinha 5% dos votos num cenário com Lula; agora tem 6% no Datafolha. Sem Lula, tinha 7% no Ibope; agora, 8%. E antes, como agora, já empatava com Alckmin e Dória.

Onde a “novidade”?

A única conclusão correta sobre os números das pesquisas é que a decisão do TRF-4 escancarou o caminho da incerteza para o futuro do país.

Teríamos, sem ela, a arrumação natural das forças políticas em torno de Lula e aquele que se habilitasse a ser-lhe “a” alternativa. Agora, temos uma sombria loteria, um número parece ter sido retirado da cartela – com o inevitável abalo à credibilidade da disputa, e vários a disputar, aparentemente, um lugar num segundo turno que ainda parece sólido para Bolsonaro.

É compreensível a ânsia de qualquer um de nós em esperar que se abra um caminho para a vontade popular. Mas está evidente de que, qualquer que seja, será uma derivação artificial de seu curso natural.

Mexer com o curso dos rios é perigoso e, não muito raro, acaba em desastre.

 
contrib1

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