Enquanto houver matilha, Bolsonaro manda na direita

Para quem já viu e viveu muito na política brasileira, devastador o sentimento que se tem ao ver o grau de acomodação da inteligência brasileira diante do espetáculo de selvageria e abjeções que passa sob a indiferença dos senhores da mídia, sem mais que alguns poucos a apontá-lo.

Salvo por Janio de Freitas e alguns poucos, ninguém deu o peso devido ao fato de que o presidente da República foi chamado de “vagabundo” e acusado de comprar deputados para seu campo político. “Não é pouca coisa em qualquer país”, diz ele, mas aqui foi, caindo na conta da “normalidade” de botequim malfrequentado da política.

Não, realmente não é pouca coisa, nem acontece por acaso, é a continuidade de um processo de destruição dos partidos políticos e sua substituição pelos tais “movimentos cívicos” que são, afinal, a “lavagem de dinheiro” que o poder empresarial industriou para levar a classe média a dar apoio a novas versões que substituam seus velhos e carcomidos quadros.

Jair Bolsonaro, embora velho inútil da política, cumpriu este papel por provir da insignificância e ter a capacidade de catalisar os “instintos mais primitivos”, que ontem chamei de “ethos da escrotidão“.

Enganaram-se achando que seu comportamento mudaria e se descolaria do pantanal da baixa política e que trataria de reorganizar a direita brasileira.

Isto continua interditado pela minoria ativíssima, a matilha que foi a coluna dorsal do processo que o levantou até onde está.

Se Dória conta com o peso que ganhar

Bolsonaro e a planta carnívora em que ele floriu não vão desaparecer da cena política deixando colocar em seu lugar um novo “limpinho e cheiroso” para continuar mantendo o Brasil longe do enfrentamento dos seus problemas de atraso e injustiça.

Por mais que digam palavras mágicas na televisão, deste caldeirão dificilmente sairá um Huck.

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22 respostas

      1. Algumas vezes estão assinadas e é possível achar o artista. Nem sempre é bom, aas vezes a linha editorial do mesmo me causou um tanto de decepção, alguns têm um histórico dúbio e desenham conforme o patrão mancheteia.

        1. Pelo visto, muitos são bons profissionais, mas trabalham por dinheiro, não defendem nenhuma bandeira. Seja como for, estão no direito deles, pois é seu ganha-pão. Pior os que ganham para defender retrocessos.

          1. Veja, eu admiro a qualidade de vários trabalhos, mesmo que me decepcione com posicionamento que encontro no histórico do artista. Não acho que diminui a qualidade do trabalho, só me desorienta. As pessoas sempre estão no direito de defenderem o que acham melhor ou serem neutras, ganhando ou não o pão, mesmo que soem ignorantes. Pessoalmente inserida na coxinholândia, várias pessoas muito retrocessentas me são caras o suficiente. Fico mais feliz quando posso contar com alguns mortadelas entre os meus amigos e ídolos.

      2. O Fernando podia colocar o nome dos caras nos rodapés das ilustrações. Divulga o trabalho deles, né. Que tal Fernando?

  1. Bolsonaro e a planta carnívora em que ele floriu não vão desaparecer da cena política enquanto essa maldita classe média emburrecida e orgulhosa não sair do marasmo em que se meteu e passar a se comportar como verdadeiros cidadãos brasileiros.
    Eles são o escudo da elite. A elite não é nada se não tiver o apoio deles. Eles são os principais formadores de opinião das classes mais baixas, pois são seus empregadores ou seus supervisores imediatos. A maioria dos seus subalternos os respeitam e seguem suas orientações políticas.
    Uma hora eles vão ter que se dar conta de que não são ricos, à medida que envelhecerem vão ter dificuldades para manter empregos e padrão de vida e muitas vezes, talvez na maioria das vezes, terão que ajudar no sustento de ascendentes e descendentes. Saúde e educação pública de qualidade, bem como todos os demais benefícios que são direitos constitucionais da população encontram-se em franca extinção. Eles não são ricos e nem vão conseguir ficar. Como vão pagar planos de saúde, estudos e tudo mais que é necessário para se ter uma vida digna? Correm o risco de, no final da vida, sofrerem ainda mais que os pobres, porque não foram acostumados a viver no limite da miséria.

    1. Só não entendi essa história dos empregados votarem pela cabeça do seu empregador. Aqueles que fazem isso merecem um governo como o do Bozo. A verdade é que o Bozo se aproveitou de todo o ódio arraigado no “cordial” povo brasileiro. E aqui não falo do ódio da elite pelos pobres, mas o ódio e o preconceito que o brasileiro adora destilar. Os maiores erros do governo do PT foram não ter politizado o povo e ter mantido um gasto enorme em propaganda nessa mídia que alimenta esse ódio diariamente.

    2. Emilia, me permita discordar ou, melhor, apresentar uma visão diferente. Em um país como o nosso, continental, com mais de 200 milhões de habitantes e com uma das piores distribuição de renda do planeta, a tal “classe” “média” não passa de uns 15, quando muito, 20% da população. Portanto 80% restante são classe trabalhadora (dependem de salário para viver), muitos milhões com baixos salários, muitos milhões em situação de pobreza e outros tantos em situação de miséria. “Classe” “média” é portanto aqui uma contradição em termos: não é estatistcamente “média” (mas mínima) e não é socialmente “classe” (pelo menos não a que este setor social imagina ser, já que estes também são em sua maioria de fato trabadores). Para piorar parte importante dessa “classe” “média” revelou-se ultimamente, como bem explicou Marilena Chauí, uma abominação. Portanto, o silêncio, o aplauso ou a indiferença da maioria política é que permite a tirania da minoria social. Foi essa minoria social que promoveu o Golpe de Estado e ela o fez simplesmente porque não aceita nenhuma regra política diferente daquela que garanta seu domínio. Eles não tem planos, a não ser manter seu domínio inconteste. O dia que a maioria social não aceitar esse jogo acaba essa tirania e o domínio político das minorias privilegiadas.

  2. Vai ser difícil mudar a ilusão e o veneno criado pela pior mídia do planeta, desde os vintes centavos de 2013, mais 5 anos de Lava Jato com 24 horas de bombardeio sem trégua, quando se quebra uma empresa é preciso até mudar o nome da empresa, a ilusão – do moralismo, ante corrupção, comunismo, o social. minha bandeira jamais será vermelho, o Brasil não vai virar uma Venezuela – deixou sequelas na cabeça de milhares, não vai ser tarefa nada fácil abrir a mente, daqueles que quiseram ser enganados?

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